quinta-feira, 27 de julho de 2017

Rações para “Peixes do Futuro”


Investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) em cooperação com o CSIC (Espanha) concluíram que os ingredientes utilizados em Aquacultura podem ser substituídos por ingredientes de origem vegetal, sem que isso prejudique o crescimento do pescado ou comprometa a qualidade do mesmo. É mais um passo que a ciência dá no caminho da aquacultura sustentável.
Os cientistas descobriram que a adição de suplementos de butirato nas rações de peixes ajudam a preservar a função intestinal na dourada que é alimentada à base de rações vegetais. A investigação foi liderada por equipas do Instituto de Aquicultura Torre de la Sal (IATS-CSIC), em colaboração com os cientistas da Norwegian University of Life Sciences e CCMAR, em estreita cooperação com parceiros industriais (BIOMAR, NOREL).
O estudo foi conduzido no âmbito dos projectos AQUAEXCEL, AQUAEXCEL2020 e ARRAINA, todos eles financiados pela União Europeia.
As rações de aquacultura à base de vegetais são vistas como mais sustentáveis do que as produzidas à base de farinha peixe. Contudo, embora em algumas espécies não haja registo de limitações, noutras verificou-se uma diminuição na eficiência com que digerem alimentos, aumentando a susceptibilidade a doenças e stress.
O butirato de sódio é um dos aditivos alimentares mais promissores a ser utilizados na aquacultura para evitar efeitos adversos. O cientistas explicam que este sal de ácido gordo de cadeia curta é produzido por fermentação bacteriana de carbo-hidratos não digeridos. Os estudos conduzidos possibilitaram aos cientistas definir a dose mais efectiva de butirato para a dourada, tendo por base o desempenho do crescimento e as medidas da função intestinal, arquitectura e permeabilidade.
A dourada, espécie que serviu como teste e à qual foi administrado o suplemento de butirato, apresentou menos problemas intestinais do que outras espécies quando submetidas a dietas vegetais, descoberta essa que foi suportada por várias abordagens de diferentes equipas dos projectos.
A investigação levada a cabo cruza diversas áreas de investigação e só foi possível graças à interacção transfronteiriça que permitiu a troca e partilha de conhecimento entre os vários centros parceiros dos projectos, onde se inclui o CCMAR.
Fonte: Região Sul

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