quarta-feira, 28 de junho de 2017

Sardinha de Aquacultura será mais-valia para a Indústria Conserveira


Também no mar, com a chegada da primavera, os peixes começam a reproduzir-se. Este ano, «a corvina que está nos tanques exteriores começou a pôr ovos dois meses mais cedo» do que é habitual, algo que surpreendeu Pedro Pousão Ferreira, investigador, biólogo e director da Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO).
Ao longo dos últimos seis anos, esta infraestrutura do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem vindo a desenvolver estudos que permitem «a quem quiser produzir corvina em terra, ter a tecnologia bastante dominada. Claro que o conhecimento nunca acaba, está sempre a evoluir, mas o que temos, neste momento, já dá perfeitamente para produzir grandes quantidades, por exemplo, modelando a temperatura da água para que cresça mais depressa».
«O que nos falta mesmo são os investidores. Mas penso que são questões de momento. Quem diria que, de repente, Portugal iria ter este boom de turismo? As pessoas poderiam não querer sair de casa, pelo facto de haver conflitos no Médio Oriente. Mas visitam-nos, porque o país se tornou atractivo», compara.
«Sabemos que no âmbito do Mar2020 os investidores estão a aparecer. Não precisamos de muitos, apenas de dois ou três que invistam a sério» de forma a duplicar a produção nacional de aquacultura.
«As condições estão criadas para isso. Nós respondemos à parte biológica e tecnológica da questão», garante. «Começámos a estudar o linguado em 1985. Na altura, o sector não tinha muito interesse. E agora houve um boom no mercado. Neste momento, já há uma empresa do norte a produzir em circuito fechado e há várias empresas espanholas que arrancaram em força. Em relação ao robalo e à dourada, estamos em fase de afinação», informa o director da EPPO.

Sardinha em aquacultura pode interessar às conserveiras

Questionado sobre a produção de sardinha, uma das espécies que mais preocupações tem dado ao sector das pescas, Pedro Pousão Ferreira reconhece que não tem sido uma prioridade, por limitações de pessoal e de fundos. No entanto, a EPPO é parceira de vários projectos de investigação que passam por «fazer sardinha com uma taxa sobrevivência de x por cento, em y tempo e z densidade nos tanques. Agora é que nos vamos dedicar a 100 por cento.
Engordá-la é bastante fácil, agora a reprodução e o cultivo larval têm algumas dificuldades que nós ultrapassaremos. Já se fizeram testes em anos anteriores. Aliás, quando fizemos corvina pela primeira vez foi difícil e agora é fácil. É uma questão de compreender os peixes e avançar», garante.

«Temos de olhar um pouco mais para a frente. No caso da corvina temos todas as informações para oferecer ao sector privado. Quem quiser investir fará contas para perceber qual o ganho. Neste momento, poderá não se ganhar com a sardinha, mas se calhar daqui por cinco anos, previsivelmente sim, porque o consumo é enorme e o preço vai subir». Sem querer fazer futurologia, o director da EPPO acredita que «é muito provável que daqui a uns anos, dentro dos peixes de aquacultura, a maioria da produção se concentre em duas ou três espécies-charneira. Será 80 por cento corvina, robalo e dourada, e depois um pouco de tudo o resto», prevê. Ainda sobre o valor comercial da sardinha de aquacultura, poderá ser interessante para as conserveiras. «Penso que a indústria conserveira é uma indústria de sucesso. Uma conserva é uma coisa muito prática. Não vejo razão para que não possamos criar peixes, desde que haja uma boa relação preço/ qualidade que satisfaça esta procura. Deixamos a sardinha do mar, em fresco, para assar na brasa e esta para a lata. Podemos não ter preço agora, mas daqui a uns anos, acredito que sim».

Repovoamento de sardinha não resolve escassez no mar

Em 2016, a Estação Piloto de Piscicultura de Olhão libertou 25 mil corvinas ao largo da Armona e também uma grande quantidade de meros, ao largo de Quarteira e Armação de Pêra. «Não estamos apenas a deitar peixe ao mar. Com o mero queremos repovoar locais destinados ao mergulho», já que é um peixe curioso à presença humana. À medida que as condições do mar melhoram e os mergulhadores retomam o desporto, as informações irão chegar à EPPO. «Queremos ver o resultado. Imagine que desapareceram todos, se calhar é porque os libertámos num local muito exposto», explica. Já sobre a corvina, «esperamos ter informação mais amiúde dos pescadores. Imagine que nos dizem que está magra ou muito concentrada ou que não apareceu nenhuma», talvez predada pelos golfinhos. Os resultados ditarão as próximas ações. E não se poderia fazer o mesmo com a sardinha, para repor os stocks no mar?
«Sim, mas teremos de perceber porque é que estamos a repovoar. Se não corrigirmos as causas do desaparecimento, não valerá a pena», diz Pedro Pousão Ferreira, que não culpa apenas a sobrepesca. «Há muitas outras causas. Nós alterámos o planeta. As pessoas têm de meter isto na cabeça de uma vez por todas. Serão também factores ambientais. Nós passamos a vida a deitar lixo para o mar e depois queremos que tudo funcione eternamente. Em vez de fazer sardinhas em cativeiro, e lançar ao mar, se calhar é melhor parar a frota um ano e indemnizar os pescadores para que o peixe se possa reproduzir. Talvez uma melhor gestão pudesse ter mais efeito», conclui.
Fonte: Barlavento

CCMAR é o único parceiro português em dois projectos europeus de Aquacultura


O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é o único parceiro em dois grandes projectos de grande importância na área da Aquacultura no Mediterrâneo, os quais são financiados pela União Europeia, através de fundos H2020, cujos projectos intitulado PerformFISH e MedAID, serão desenvolvidos por equipas do CCMAR, durante os próximos quatro e cinco anos, respectivamente.
A Europa consome actualmente o dobro de peixe que produz, sendo que as importações preenchem esta lacuna, porém, apesar deste facto, a Aquacultura contribui com apenas 20% da produção, empregando directamente cerca de 85 mil pessoas, maioritariamente em zonas costeiras e rurais.
Em contraste com o desenvolvimento observado noutros países mediterrânicos não europeus, a produção em Aquacultura está a estagnar na Europa, sendo este um dos motivos que levou a Comissão Europeia a propor como objectivo o aumento da produção do sector.
PerformFISH
O projeto PerformFISH foca-se no desenvolvimento da produção em aquacultura, orientada para o consumidor, integrando abordagens inovadoras, que ajudem a assegurar a competitividade e sustentabilidade do sector de produção de dourada e robalo, sendo o mesmo coordenado pela University of Thessaly (UTH), na Grécia, tendo um financiamento de sete milhões de euros (Comissão Europeia – H2020). Neste projecto, o CCMAR é um dos 28 parceiros que fazem parte da equipa, oriunda de dez países diferentes.
O kick off do PerformFISH foi dado em Maio, na Grécia, numa reunião onde participaram 72 investigadores e empresários do sector, sendo a participação da indústria um dos focos deste projecto, que junta também associações de produtores da Grécia, Espanha, Itália, França e Croácia.
Com duração de cinco anos o projecto trabalhará para assegurar um crescimento sustentável da indústria aquícola, baseando-se na percepção do consumidor e demanda do mercado, bem como pretende ajudar empresários a operar não só em condições económicas e ambientais ideais, mas também de um modo social e culturalmente responsável.
MedAID
O projeto MedAID (Mediterranean Aquaculture Integrated Development), é considerado projeto irmão do PerformFISH, que arrancou em Maio e tem como objectivo melhorar a produção aquícola no Mediterrâneo e vai desempenhar um papel muito importante na identificação de factores de sucesso para aumentar o crescimento da produção aquícola.
Ao trabalhar lado a lado com a indústria e as partes interessadas no setor, o MedAID vai propor novas práticas, ferramentas inovadoras e soluções práticas para os desafios que é necessário ultrapassar, com vista ao aumento do setor e da produtividade.
O MedAID recebeu um financiamento de sete milhões de euros da Comissão Europeia, através do fundo H2020, o qual é coordenado pelo Mediterranean Agronomic Institute of Zaragoza (IAMZ-CIHEAM) em conjunto com o Institute of Agrifood Research and Technology of Catalonia (IRTA), sendo o CCMAR um dos parceiros, de entre os 30 que participam no projeto, de 12 países diferentes.
Fonte: Região Sul

terça-feira, 27 de junho de 2017

Universidade de Aveiro descobre solução para erradicar plástico no Mar


A chave para o grave problema ambiental dos micro plásticos nos oceanos pode ter sido descoberta na Universidade de Aveiro (UA) e dá pelo nome de Zalerion maritimum. Trata-se de um fungo marítimo que não só consegue degradar o micro plástico como o faz de forma rápida e eficiente. Esta é a primeira solução ecológica alguma vez descoberta para combater os plásticos nos oceanos já que ao optimizar-se o raro apetite do fungo recorre-se a uma solução oferecida pelo próprio mar.
Comum na costa portuguesa e com um habitat espalhado a vários oceanos do planeta, o estudo do apetite do Zalerion maritimum por micro plásticos foi publicado no último número da revista Science of The Total Environment tendo sido destacado pelo editor como um novo campo de investigação. E os dados apresentados pelos investigadores do Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA não deixam margem para dúvidas: isolado em laboratório num ambiente em tudo semelhante ao do mar poluído com micro plásticos, em sete dias o Zalerion maritimum consegue reduzir 77 por cento daquele material.
“As experiências foram efectuadas, em pequena escala, em reactores de 100 mililitros usando um volume de 50 mililitros de meio enriquecido com um mínimo de nutrientes e 0,130 gramas de micro plásticos. Entre 7 a 15 dias foram removidos 0,100 gramas de micro plásticos”, congratula-se Teresa Rocha Santos, a coordenadora do estudo. Este trabalho deu os primeiros passos há um ano atrás pela mão de Ana Paço, então estudante finalista da Licenciatura em Biotecnologia da UA. Os investigadores do DQ e do CESAM, João Pinto da Costa e Armando Duarte, são outros dois membros de uma larga equipa envolvendo outras universidades e centros de Investigação que assinam igualmente este trabalho que é um primeiro passo rumo à biodegradação global dos micro plásticos presentes nos oceanos.
Solução inédita num fungo quase desconhecido
“Este é sem dúvida o primeiro estudo a apresentar estratégias de biorremediação [processo que utiliza organismos vivos para reduzir ou remover contaminações no ambiente] de microplásticos. Portanto este trabalho pode ser considerado um primeiro passo e uma contribuição para a resolução deste problema”, apontam os investigadores.
Em cima da mesa dos investigadores está ainda o estudo das enzimas do fungo envolvidas na degradação dos plásticos e dos mecanismos que lhes permitem operar uma façanha até hoje desconhecido entre os organismos marinhos. Uma vez descobertos os segredos deste fungo, até agora muito pouco estudado entre a comunidade científica mundial, os investigadores antevêem que o Zalerion maritimum possa ser cultivado em massa e utilizado em áreas controladas dos oceanos para efectuarem a despoluição.
Com a produção plástica anual a superar a marca dos 300 milhões de toneladas, lembram os investigadores, “a reciclagem falhou enquanto solução para eliminar os resíduos de plástico que continuamente se acumulam no meio ambiente, nomeadamente nos rios e oceanos” do planeta. Assim, “torna-se maior a urgência de encontrar novas formas de reduzir essa ameaça ambiental”.
De aspecto esponjoso e cor esbranquiçada, o Zalerion maritimum afigura-se como uma solução que junta o útil ao agradável: para além de conseguir degradar os microplásticos, num processo barato e amigo do ambiente, os investigadores antevêem que “a utilização deste fungo evita a introdução de tecnologias sofisticadas no mar já que o organismo ocorre na natureza em águas marítimas, tornando-se assim uma estratégia para a poluição com microplásticos em águas costeiras a nível planetário”.


No mar ou no rio, conheça os seus limites

Os perigos existem, os afogamentos acontecem, todo o cuidado é pouco. Não vire as costas ao mar, frequente praias vigiadas, não subestime as correntes do rio. Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos sobre as principais precauções que devemos ter quando vamos a banhos.


Paulo Tomás de Sousa Costa, Capitão de Mar e Guerra, director do Instituto de Socorro e Náufragos (ISN).



A época balnear já começou e todo o cuidado é pouco: não vire as costas ao mar, olhos bem abertos nos passeios à beira da água, sobretudo na areia molhada, nadar paralelamente ao areal se for apanhado por um agueiro, atenção às correntes dos rios. Não arrisque, não facilite. No caso das crianças, máxima atenção. E frequente sempre praias vigiadas.

Portugal tem 118 quilómetros de praias vigiadas, 482 quilómetros não vigiados, e mais de 5300 nadadores-salvadores certificados, que todos os anos têm uma responsabilidade grande – até ao fim de setembro são esperados 75 milhões de visitas às nossas praias, 63 milhões de portugueses, 12 milhões de turistas.
Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), o Capitão de Mar e Guerra Paulo Sousa Costa, sobre cuidados a ter, vigilância, formação, afogamentos. A instituição, que completou 125 anos em abril, será condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços prestados.
«As pessoas, muitas vezes, arriscam e devem conhecer os seus limites», avisa o Director do ISN. Ir ao mar ou ao rio sabe sempre bem, mas cada pessoa deve conhecer os seus limites. Se sabe ou não sabe nadar. Até onde pode ir. Isso é fundamental. Se o mar não estiver propício a umas braçadas, se as correntes do rio estão fortes, então o melhor é ficar em terra. Não convém arriscar e pôr o pé na água.
Outro aviso: «Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá», diz o responsável. Se há um golpe do mar, se não nada bem ou não se sente confortável na água, é meio caminho andado para um acidente. No caso das crianças, todos os olhos são poucos. Não conhecem os perigos, os pais podem distrair-se, e basta um segundo para irem para a borda de água e serem apanhadas por uma onda. Vigilância permanente nos mais pequenos.
«Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá.»
Nas praias, é preciso especial atenção aos agueiros, essas correntes de retorno perigosas que é conveniente evitar. Se olhar para o mar e localizar uma área em que a água está com uma cor mais acastanhada, é sinal de que há ali zonas de correntes que revoltam a areia. Nesses locais, há fundões, declives maiores, fica-se rapidamente sem pé, é-se puxado pela corrente. «A primeira tendência é começar a nadar contra a corrente para vir para terra, o que é um erro. É preferível descontrair, boiar, deixar-se ir e tentar nadar paralelamente à praia para sair dessa zona do agueiro. Depois de sair dessa corrente pode nadar calmamente para a praia», diz Paulo Sousa Costa. «Muitos dos acidentes mortais nos agueiros acontecem exactamente por isso, porque as pessoas tentam lutar contra a corrente, o que é um erro crasso.»
Outro conselho importante: frequentar praias vigiadas. Sem nadadores-salvadores por perto, está por sua conta e risco. Nos rios, já se sabe, de um momento para o outro, perde-se o pé e a corrente não dá tréguas. Não deve nadar junto às barragens por causa da abertura das comportas que provocam correntes mais fortes e puxam quem estiver na água. E o lodo que se acumula no leito pode ser traiçoeiro. «Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente», avisa o Director do ISN. «É impossível pôr um nadador-salvador atrás de cada pessoa», sublinha.
Portugal tem 899 unidades balneares vigiadas e 281 não vigiadas. São 118 quilómetros de praias vigiadas e 418 quilómetros não vigiados. Há uma portaria que define o início da época balnear, que difere de praia para praia, de zona para zona. No Sul, começa mais cedo normalmente a 15 de maio, no Norte é mais tarde, a 15 de junho (regra geral arranca a 1 de junho), e pode terminar no final de setembro ou esticar um pouco mais. Isto tem uma explicação. «A frequência das nossas praias não é igual em todo o país.»
«Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente.»
Nesta altura do ano, os afogamentos voltam à ordem do dia. O diretor do ISN diz que é preciso tratar bem a informação e perceber do que se fala. «Desde que começou a época balnear, em praias vigiadas temos zero mortes. De facto, morreram vinte pessoas antes da época balnear, desde janeiro até agora.» Ou seja, antes de haver nadadores-salvadores nas praias. No ano passado, na época balnear, morreram quatro pessoas em praias vigiadas e nove em não vigiadas. Há dois anos morreu uma e há três anos também uma em zonas vigiadas. Com 75 milhões de visitas às praias, os números mostram que o sistema funciona, defende o diretor do ISN.
segundo o diretor do ISN Portugal precisa, em números redondos, de cerca de dois mil nadadores-salvadores e tem neste momento 5332 nadadores certificados. As certificações têm a validade de três anos, muitos nadadores são estudantes que exercem a atividade um ou dois verões. Segundo a lei, a contratação é da responsabilidade dos concessionários de praia. Onde não há concessões, não há nadadores-salvadores, embora alguns municípios entendam que ter vigilância nas suas praias é bom para o turismo e asseguram esses serviços.
A lei prevê dois nadadores-salvadores por 100 metros de praia e mais um nadador por cada 50 metros. Ou seja, uma praia com 150 metros tem de ter três nadadores-salvadores. Mas pode haver uma redução deste número. Os concessionários podem juntar-se e proporem um plano integrado de salvamento ao capitão de porto. A proposta é remetida ao ISN que emite um parecer vinculativo. Nalguns casos, é então possível reduzir o número de nadadores-salvadores naquela praia.
Em Portugal, a formação dos nadadores-salvadores é feita em escolas privadas. Para exercerem a actividade têm de fazer o exame específico de aptidão técnica, feito pelo ISN. Se passam recebem o cartão de nadador-salvador e estão aptos.

Mais futuro no (do) Mar


Foi recentemente inaugurado o ECOMARE, uma nova estrutura que traduz uma vontade antiga da Universidade de Aveiro de assegurar condições de investigação com acesso direto ao mar. Sobreleva, em primeiro lugar, o caráter alargado da parceria subjacente à sua construção e funcionamento: Fórum Oceano - Associação da Economia do Mar, Câmara Municipal de Ílhavo, Administração do Porto de Aveiro, Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem, Oceanário de Lisboa, Fundação Oceano Azul, Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Citaqua - Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura e Associação Portuguesa de Aquacultores, de uma maneira ou de outra, estão associados à Universidade de Aveiro neste desígnio. É, ainda, raro ver-se em Portugal uma lógica de rede tão ampla, uma tão grande abertura do meio académico ao que o rodeia e uma tão vasta disponibilidade de entidades tão distintas em se agregarem para um fim comum. Bons indícios, portanto!
Naturalmente que aquilo que constituiu mais notícia foi o Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos e o papel deste, não só no resgate e devolução à natureza de aves, répteis e mamíferos, mas também na investigação, em áreas como a saúde animal ou a ecologia populacional. Por razões que se compreendem, face ao impacto que as questões da sustentabilidade hoje têm, e pelo efeito no imaginário de cada um de nós que a vida selvagem indubitavelmente suscita.
No entanto, não menos relevante é o Centro de Extensão e de Pesquisa em Aquacultura e Mar detentor de capacidades em domínios que vão da Biotecnologia Marinha à Oceanografia e Geofísica, passando pela Energia Offshore, pelas aplicações robóticas navais, pela biodiversidade ou pelos serviços aos ecossistemas. Este Centro, através dos seus laboratórios de uso comum, permitirá acomodar, em paralelo, investigação fundamental e aplicada, cooperação com a indústria, iniciativas de inovação e de incubação de empresas, bem como avaliação económica de actividades ligadas ao mar ou às zonas costeiras.
Caminhamos num século onde o ambiente estará cada vez mais na base do capital económico, onde vão aumentar as práticas de economia circular e o peso do mar em economias crescentemente mais descarbonizadas e mais azuis. Para Portugal, isso apresenta-se como uma oportunidade estratégica face à extensão da linha de costa que possuímos. Ora, para já, representando o mar 97% do nosso território geográfico, a economia marítima fica-se por pouco mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto...
Fonte: JN

Por: Manuel António Assunção - Reitor Universidade Aveiro

2E3S.EU organiza curso MOST para portugueses e espanhóis



A Escola Europea de Short Sea Shipping –2E3S.EU irá realizar, entre 21 e 24 de Outubro, o curso MOST - Motorways Of The Sea Training, para profissionais portugueses e espanhóis. Esta é a primeira edição do MOST Iberia, após “o sucesso das mais de 10 edições de seminários dedicados aos profissionais de ambos os países”, refere a 2E3S.EU. Os profissionais dos dois países serão chamados a debater juntos sobre temas de actualidade da logística internacional. As Autoestradas do Mar serão o argumento principal, porém também se analisarão conteúdos de logística intermodal e serviços de transporte marítimo de curta distância. O seminário organiza-se em colaboração com os Shortsea Promotion Centre de Portugal e da Espanha e a European Shortsea Network. Os docentes, experts e profissionais do sector, serão portugueses e espanhóis, o qual assegura uns conteúdos educativos variados e de diferentes perspectivas para os participantes. O curso terá lugar a bordo de um navio Ro-Pax da Grimaldi Lines no trajecto entre Barcelona e Civitavecchia (Roma), uma das autoestradas do mar mais importantes na Europa. Segundo a Escola, existe um número máximo de vagas de 50 pessoas e “as inscrições já estão abertas para uma amplia gama de perfis procedentes do sector do transporte e da logística, incluindo transportadores, gerentes de logística, responsáveis de operações portuárias, agentes marítimos, transitários, etc. Mais do que nunca, a formação oferecerá aos participantes a oportunidade de desenvolver sua rede de contactos, promoverá o networking e ajudará a estabelecer relações sólidas entre experts do sector de Portugal, da Espanha e da América Latina”.

Fonte: Transportes em Revista

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Surf. Morreu Jack O’Neill, inventor do fato de surf


Um verdadeiro ícone no mundo do surf, o norte-americano Jack O’Neill morreu aos 94 anos, de causa naturais, segundo informou a sua família em comunicado, na sua casa em frente ao mar em Santa Cruz, na Califórnia. Conhecido pela sua imagem de marca – uma pala no olho esquerdo, que usava desde que teve um acidente a surfar em 1971 – O’Neill ficou para a História por ter inventado o primeiro fato de surf em 1952. Nesse ano inaugurou também em Ocean Beach, São Francisco, uma das primeiras lojas especializadas em equipamentos para a prática de surf. Com base na sua experiência enquanto piloto da Marinha dos Estados Unidos, nos anos 40, durante a II Guerra Mundial, O’Neill começou a experimentar vários materiais para que os surfistas, como ele, pudessem proteger o corpo das temperaturas mais frias do Oceano Pacífico e poderem manter-se dentro de água durante mais tempo.  Depois de vários ensaios, optou pelo neoprene (que até hoje é o principal material dos fatos de surf) usado pela Marinha americana para produzir coletes salva-vidas. Em 1959 abriu a sua segunda loja de surf em Santa Cruz e juntou ao neoprene um forro interior de nylon, já nos anos 60, tendo sido apenas na década seguinte que apresentou o seu primeiro fato completo de surf, em 1970. Acolhido pela comunidade surfista com desconfiança, rapidamente o fato completo fez sucesso no mercado, sob o mote publicitário: “É sempre verão aqui dentro”. Para promover o seu produto, corria todas as feiras e fazia exibições, vestindo os seus filhos com os fatos de neoprene e fazendo-os mergulhar em água gelada. Oriundo do estado norte-americano do Colorado, o próprio O’Neill garantiu que nem os seus amigos mais próximos acreditaram na sua invenção: “Todos eles me disseram: vais vender cinco fatos a amigos, na praia, e depois vais à falência”, contou a família. Pelo contrário, antes dos anos 80 O’Neill já se tinha tornado num dos maiores designers e produtores de fatos de surf a nível mundial e a marca com o seu nome já estava espalhada pela Austrália, Europa, Japão e outros locais do mundo. Se está a pensar que nunca tinha ouvido falar de de Jack O’Neill até agora é porque se tratava de um homem muito discreto, que raramente dava entrevistas, preferindo surfar, passear na praia ou desenvolver novos produtos na sua oficina. Dos grande ícones do mundo do surf era sem dúvida o menos falado e comentado, refere a revista Surfer no obituário, citado pelo USA Today. “Não ligo muito aos negócios, mas sim ao oceano”, disse ao jornal The San Francisco Chronicle em 2012. 

Cerca de 29 mil tartarugas morrem por ano devido à pesca do camarão



A captura não intencional representa a principal ameaça para as tartarugas, que desempenham um papel essencial no ecossistema marítimo e que, entre outras coisas, contribuem para manter a saúde das algas e dos recifes de coral.

Cerca de 29 mil tartarugas marinhas morrem todos os anos por ficarem presas nas redes de pesca do camarão tropical, que depois é vendido no mercado europeu, denunciou esta sexta-feira o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla inglesa).
A associação de defensa do ambiente divulgou um relatório elaborada pela Comissão de Pesca da Guiana Francesa que defende o uso do Dispositivo Excluidor de Tartarugas como uma solução “efectiva e simples” para este problema.
Esta ferramenta, que permite a saída rápida das tartarugas quando ficam presas nas redes, pode reduzir a captura acidental destes animais em 97% com uma perda mínima do total dos camarões pescados, assegura o estudo.
A captura não intencional representa a principal ameaça para as tartarugas, um animal que desempenha um papel essencial no ecossistema marítimo e que, entre outras coisas, contribui para manter a saúde das algas e dos recifes de coral.
“Todos os anos, 29 mil tartarugas morrem em redes de arraste destinadas a pescar camarões, que depois são exportados para a União Europeia”, disse a representante do WWF, Aimee Leslie.
“A Comissão Europeia pode prevenir estas mortes se fomentar o uso dos Dispositivos Excluidores de Tartarugas através do endurecimento dos controlos dos produtos [usados] na pesca de camarões tropicais”, afirma.
O WWF defendeu que estes dispositivos são “uma aposta vencedora para todos”, incluindo para a indústria da pesca, já que “se provou que o seu uso evita o esmagamento dos camarões, aumentando os lucros”, apontou Leslie.
Para a organização ecologista, o futuro da população de tartarugas marinhas depende da reforma do sistema de captura do camarão tropical.
Assim, o WWF instou os membros do mercado comum europeu a adoptarem medidas que obriguem os pescadores de camarão a usarem os dispositivos e, deste modo, possibilitarem a saída das tartarugas marinhas que, por acidente, ficam presas nas redes.

Fonte: Expresso

Portugal oferece-se na ONU para acolher Conferência dos Oceanos em 2020


A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou num discurso durante a primeira Conferência dos Oceanos, da ONU, em Nova Iorque, que Portugal pretende organizar a segunda edição do evento, em 2020.

"Quero formalmente anunciar que Portugal se oferece para receber a próxima conferência dos oceanos da ONU, em 2020, na mesma base e com os mesmos objectivos vertidos para esta conferência", disse a representante portuguesa.

"Fazemos esta oferta como contribuição para - e em linha com o seu acompanhamento - o processo de revisão da Agenda 2030, sob acompanhamento e supervisão do fórum político de alto nível", acrescentou Ana Paula Vitorino.

Portugal procura, assim, reforçar a sua liderança internacional na área dos oceanos, depois da organização nos anos anteriores de conferências internacionais em Lisboa.

A Conferência dos Oceanos da ONU, que aconteceu em Nova Iorque com a participação de 193 países, é o primeiro evento deste nível que a organização dedica aos oceanos.

A iniciativa terminou com a adopção, por todos os países-membros, de um documento político que foi negociado pelo embaixador de Portugal na ONU, Álvaro Mendonça e Moura, em conjunto com Singapura.


Feira do Mar de Sines inicia-se hoje.


É hoje que se inicia a Feira do Mar 2017  em Sines, com organização do Sines Tecnopolo e da CM Sines que é um evento estratégico para a dinamização da economia do mar, enquanto espaço e tempo de partilha de experiências e de demonstração de projectos, de produtos e de actividades, mas também de divulgação do conhecimento e das oportunidades geradas por este sector junto dos jovens e da população em geral. Este evento contará com uma conferência, acessível por inscrição, subordinada ao tema “Turismo Náutico”, no auditório da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A., com um painel de oradores conceituados e de ampla experiência no Sector. Contará também com uma mostra de vários expositores ligados ao sector, desde entidades, empresas e organismos públicos, no recinto da Feira da Mar, na Avenida Vasco da Gama em Sines, onde o público poderá ficar a conhecer os actores chave da economia do mar no âmbito regional e nacional. Nesta mostra poderá também degustar várias iguarias do mar, com vários momentos de showcooking, promovidos pela Docapesca. A Feira do Mar 2017 contará com um conjunto de actividades lúdicas para o público em geral, como o torneio de futebol de praia “Brinca na Areia”, coorganizado com o Sines Surf Clube, aberto a inscrições, e o concurso “Onda de Arte”, onde alunos de escolas básicas do litoral alentejano competirão com obras de arte ligadas ao mar. Poderá também participar em várias actividades, como a visita ao Farol de Sines, “Yoga no fundo do mar”, visitas à lota de Sines, actividades de cariz científico com o CIEMAR da Universidade de Évora, beatismo de stand up paddle, de mergulho e de mar, atividades de cariz desportivo na praia (zumba, GAP e Boot Camp), workshops de suporte básico de vida (adulto e pediátrico), para além das actividades do Centro de Ciência Viva do Lousal e visitas à caravela Vera Cruz, entre outras, também sujeitas a inscrição, mas de acesso gratuito. Poderá também visitar a exposição “Porto de Sines – 40 anos a Mover Portugal”, cortesia da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A., no edifício da Docapesca.



Afinal, faz ou não mal urinar no mar?


Pode parecer esquisito, mas agora está confirmado: Fazer chichi no mar não faz mal a ninguém – nem às pessoas, nem aos peixinhos, nem ao oceano. Quem o diz é a American Chemical Society. E de uma maneira bastante engraçada.
Esta associação norte-americana criou um vídeo para explicar o quão insignificante é a nossa urina no meio do oceano. Para além de mostrar que 95% desta é composta por água, o desenho animado explica também que os próprios componentes do chichi facilmente se misturam com os que existem nos oceanos. Por exemplo, a ureia contém bastante nitrogénio, que, quando misturado com água, produz amónio, um complexo químico do qual as plantas marinhas se alimentam.

Para além deste e outros exemplos que comprovam a ‘inocência’ da nossa urina – o vídeo explica outras curiosidades que ajudam a argumentar esta tese – o nosso xixi demora cerca de um minuto a diluir-se no mar.
No entanto, há que ter em atenção que esta conclusão não se aplica a outros espaços aquáticos, como por exemplo as piscinas.
Por isso, de acordo com esta associação norte-americana, não tem que se sentir culpado quando estiver no meio do mar, sentir-se muito aflito para urinar e... não aguentar.
Fonte: Ionline

Eurodeputada madeirense conclui acordo para directivas de segurança no Mar


A eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD) foi a relatora do Partido Popular Europeu (PPE) nas negociações tripartidas entre Comissão Europeia, Conselho Europeu e o Parlamento Europeu que permitiram alcançar um conjunto de compromissos que visam reduzir os encargos e a burocracia para o sector marítimo, através da simplificação dos procedimentos de inspecções dos navios e do uso de soluções digitais para a contagem e transmissão de informações dos passageiros. Trata-se de “um acordo fulcral na defesa e segurança marítimas”, considerou a parlamentar madeirense sobre as duas directivas europeias em preparação.
Num comunicado divulgado hoje pelo seu gabinete, a Cláudia Monteiro de Aguiar sublinha que este acordo permite “melhorar a segurança dos passageiros através de uma simplificação de procedimentos e da inclusão de soluções digitais no processo de transmissão das informações”. Em caso de acidente as equipas de salvamento têm ao seu dispor identificação imediata do número de passageiros a bordo e toda a informação necessária de forma mais célere e eficiente.
Já em relação ao regime de inspecções abre-se caminho a “um quadro mais claro, simples e harmonizado para permitir eliminar as sobreposições de inspecções, feitas pelas autoridades nacionais, e tentar enquadrar estas, com outras vistorias existentes”. “Queremos navios operacionais, inspeccionados, mas que consigam estar mais tempo no mar, ao serviço da população, do que atracados nos portos em vistorias muitas deles duplicadas”, acrescenta a mesma nota.
Este acordo sobre as duas directivas será votado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Fonte: Dnoticias

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A "oitava maravilha do mundo" passou por Lisboa

A capital portuguesa foi uma das paragens do MSC Meraviglia, um dos maiores e mais modernos navios de cruzeiro do mundo, com capacidade para mais de 5.700 passageiros.


Deu nas vistas a chegada do MSC Meraviglia a Lisboa, onde efectuou uma paragem naquela que é a sua viagem inaugural. O navio de cruzeiro é um dos maiores e mais modernos do mundo, não sendo de estranhar que tenha sido apresentado como a "oitava maravilha do mundo".

Os números ajudam a perceber essa afirmação. O Meraviglia tem 315 metros de comprimento e 65 de altura. Pesa mais de 171 mil toneladas e tem capacidade para receber 5.714 passageiros, uma verdadeira cidade flutuante. E não é para menos. Tem 12 restaurantes, 20 bares, discoteca, casino, spa, lojas e um teatro que vai receber dois espectáculos exclusivos do Cirque du Soleil, durante seis noites por semana.
É o maior navio de cruzeiro construído por um armador europeu e teve um custo de 900 milhões de euros. Segundo Pierfrancesco Vago, presidente do Conselho de Administração da MSC Cruzeiros, o MSC Meraviglia é o primeiro navio a tornar realidade uma visão de inovação “tanto em produto como em design, bem como a tecnologia de última geração e focada no consumidor, de modo a criar experiências de férias inesquecíveis para os viajantes de todas as idades”.
A viagem inaugural do MSC Meraviglia começou em Le Havre, passou por Lisboa e tem como próxima paragens Barcelona, Marselha e Génova.



A vida do capitão Cousteau deu um filme

Chama-se "A Odisseia" e retrata a vida de Jacques-Yves Cousteau, um dos maiores cientistas, investigadores exploradores dos oceanos. Estreou-se ontem nas salas de cinema.


A Odisseia é uma "emocionante aventura" baseada nos factos verídicos do cientista francês que passou a vida a explorar oceanos e que morreu há 20 anos.
Realizado por Jérôme Salle, o filme passa-se em 1948 quando Jacques Cousteau (Lambert Wilson), a sua mulher (Audrey Tatou) e dois filhos vivem numa casa com vista paradisíaca para o Mediterrâneo. Apesar disso, Cousteau só pensa em aventuras.
Depois de conseguir adaptar o regulador da garrafa de ar comprimido ao mergulho, o inventor vai à descoberta de um novo mundo subaquático e, para tal, está disposto a sacrificar tudo o que até então alcançou.
"Demorei vários anos até conseguir um guião que me agradasse", porque Cousteau "vivia várias vidas no espaço de uma única vida", explica o realizador Jérôme Salle.
"Cousteau já é conhecido em todo o mundo. E foi há muito tempo", por isso "o filme permitirá que uma nova geração de jovens o descubra", diz.
As filmagens decorreram na Croácia, África do Sul, Antártida e Bahamas.
Fonte: TSF

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mexilhão: Um alimento milagroso?


Para além de barato, o mexilhão é fácil de preparar, não demora muito tempo a ficar cozinhado, é sustentável e ainda traz vários benefícios à saúde. Reunidas estas características, chamar "milagre" a este alimento não será um disparate assim tão grande.

Não são precisas muitas explicações para se ficar fã deste bivalve. Lavar em água corrente, colocar na panela sob um refogado, esperar que abram e já está. Esta é uma das formas de prepará-los. Simples, rápida e saborosa.
São encontrados sobretudo em rochas sob uma espécie de cama que liga cada bivalve a outro. Os pescadores usam ancinhos para os capturar, mas nem isso os destrói (se causar danos, estes serão mínimos), tal é a força da sua união.
No que toca à sustentabilidade, o crescimento destes moluscos é aquilo que para tal mais contribui. Porque tal como a preparação, também a reprodução do mexilhão selvagem é rápida.
Mas entre mexilhões de aquacultura ou selvagens, a escolha recai sobre os primeiros. Porquê? É simples: a aquacultura deste molusco é muito pouco dispendiosa, tendo em conta que não necessitam de fertilizantes nem de comida. E os mexilhões ainda limpam os oceanos, uma vez que removem algumas partículas tóxicas da água enquanto comem, o que equilibra os níveis de oxigénio.
No que à saúde humana diz respeito, o mexilhão também dá uma mãozinha. É rico em ómega 3 (quase tanto quanto o salmão), proteína, vitaminas C e B12, ferro e zinco. E isto significa um risco de inflamação reduzido, imunidade fortalecida, probabilidades mais baixas de desenvolver certos tipos de cancro, melhor funcionamento do cérebro, entre tantos outros benefícios.

E POR CÁ, O MEXILHÃO TAMBÉM MEXE

Em Dezembro de 2014, Portugal tornou-se o primeiro país mediterrânico com mexilhões sustentáveis. A certificação internacional foi concedida pela Marine Stewardship Council (MSC) a uma empresa algarvia, a Companhia de Pescarias do Algarve.
Simples, saboroso, sustentável. Os três "s" que melhor definem este molusco. A estes, pode acrescentar-se um "p", de português. Se é realmente milagroso não sabemos. Mas que parece bom demais para ser verdade, lá isso parece.

Fonte: Visão

Há mais emprego qualificado no Mar


No 1 de abril cruzou-se a barreira. No fã nº 1 de peixe da União Europeia, Portugal, a Plataforma de Organizações Não Governamentais Portuguesas fez ver que, se apenas consumíssemos pescado de águas nacionais, o resto do ano seria vegetariano ou à base de carne. O alerta tentou sensibilizar para um consumo sustentável mas também para a necessidade de diversificar a oferta e certificar a origem dos produtos marítimos. Por outro lado, pode ser visto como um ‘olá’ à aquacultura. O problema não é unicamente português. A urgência de novas formas de ver e explorar o mar está na ordem do dia e do mundo. Prova disso é que, esta semana, as Nações Unidas debatem-no em Nova Iorque, por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos (quinta-feira).

DE ONDE VEM E PARA ONDE VAI

Foi a pensar em como as novas tecnologias poderiam ter impacto na indústria marítima tradicional que a Bitcliq conseguiu espaço no mercado. A empresa das Caldas da Rainha especializou-se no desenvolvimento de software, focando-se na rastreabilidade digital, um pouco por acaso. “Éramos quatro engenheiros [em 2014], e lançaram-nos o desafio de gerir uma frota [pesqueira] no Gana. Era um projecto em que outras grandes empresas já tinham falhado”, relata Pedro Manuel, sócio fundador da Bitcliq, para explicar em que consiste o Smart Fishing Software. O sistema fornece aos gestores de frotas informações em tempo real para uma visão global sobre as operações em terra e no mar. “Hoje trabalhamos com tecnologia que pesca 30 mil toneladas e estamos a entrar no mercado asiático”, actualiza o engenheiro.
O crescimento explica-se pela procura crescente de tecnologias que permitam obter informação sobre a origem e características do produto, a par da urgência da sustentabilidade do mar. Está-se a “acrescentar transparência na cadeia de valor, o que é uma exigência cada vez maior por parte de quem consome”, afirma. Para sustentar a expansão, a empresa terá de duplicar, a curto prazo, a equipa técnica, prevendo contratar mais 10 engenheiros de software, mas também investindo nas áreas comercial e de marketing. “Há muita concorrência a nível global”, justifica o director executivo.

MEGAPARQUE, MICROALGAS

Longe de guelras e barbatanas, “o contributo da economia do mar é muito baixo para o seu potencial”, tanto porque as suas profundezas são um lugar inóspito como por razões que se desconhecem, na opinião de Sérgio Leandro, do Instituto Politécnico de Leiria (IPL), que abordará mais adiante as movimentações em torno do mar de Peniche. Se “mais facilmente se foi à Lua do que ao fundo do oceano”, como diz, parece não haver ‘desculpas’ para não explorar os recursos junto à costa.
É sob este pensamento que, ainda antes do verão, começa a ser construído o parque Algatec, no concelho de Vila Franca de Xira. Nos 14 hectares onde, até aos anos 50, foi explorado sal e, mais tarde, o grupo Solvay desenvolveu aquacultura, vão crescer diferentes espécies de microalgas, culminando naquilo que será um dos maiores centros de produção a nível europeu. Estima-se que este campo aquático, com vista para a cosmética, a área alimentar ou os biocombustíveis, consuma 2000 toneladas de dióxido de carbono por ano.
A escolha geográfica não foi aleatória. “Era preciso sol e água”, concretiza Nuno Coelho, da A4F, a entidade gestora do parque. Mas também são precisas pessoas. Pela dimensão do projecto, a empresa antevê a contratação de 100 profissionais nos próximos 18 meses — 10 para a equipa laboratorial, 40 para áreas operacionais e de manutenção e 50 mestrados e doutorados em diferentes engenharias, como a biológica, a química ou a mecânica. “Já trabalhámos numa das maiores unidades do mundo de produção de microalgas, e as pessoas conhecem-nos e querem trabalhar connosco”, diz Nuno Coelho. Ao mesmo tempo, “a oferta de trabalho nesta área não é muita”, pelo que o responsável não prevê dificuldades no recrutamento, suportado tanto pela empresas como, espera-se, pelos apoios advindos do Portugal2020 e do Mar2020.

START ME UP

Voltando à zona oeste, se Peniche ficou famosa pelas ondas do surf, também quem lá estuda tem os olhos voltados para o mar. É pelo menos esta a versão de Sérgio Leandro, da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (integrado no IPL), que explica que, “por causa do espírito empreendedor dos estudantes”, começaram a surgir empresas ligadas à ‘economia azul’. Foi por isso que o Biocant, a Docapesca, o IPL e a Câmara Municipal de Peniche concertaram a intenção de investir cinco milhões de euros para a criação de um parque tecnológico em instalações devolutas junto ao porto da cidade.
As actividades piscatórias começam, assim, a conviver com empresas de inovação tecnológica, como a Pen Wave, que em pouco mais de dois meses angariou 20 a 30 clientes interessados nas suas microalgas e pequenos crustáceos; ou a I&D Food, consultora em projectos de investigação ligados ao mar que, em menos de um ano, faz consultoria para uma centena de clientes e análises laboratoriais para 500. As duas startups empregam mais de 10 trabalhadores qualificados, e o crescimento é uma forte probabilidade.

Fonte: Expresso

Índia: Portos abastecidos a 100% com Energia Verde.


Ainda que a sustentabilidade e as mudanças climáticas sejam assuntos importantes e em pauta há décadas, nem todos os países concordam sobre as medidas a serem tomadas para suavizar o impacto da humanidade no planeta. Enquanto os EUA saem de um dos maiores acordos do ramo, depois da decisão tomada por Donald Trump, a Índia vai pelo caminho contrário e mostra o que é possível fazer quando há um foco nas soluções de energia verde.
Num anúncio feito na semana passada, o governo local explicou que todos os 12 grandes portos do país serão alimentados 100% por fontes de energia renováveis – mais especificamente instalações eólicas e solares. A ideia é que, até 2019, o sistema consiga gerar cerca de 200 megawatts de energia para as docas, com esse número podendo saltar para até 500 megawatts nos anos seguintes.
Desse montante a expectativa é que 75% de toda a alimentação seja feita por painéis solares, enquanto o restante deve originar-se num parque eólico instalado na costa do país. “Esses projectos de energia renovável vai ajudar na redução da emissão de carbono e levar a melhorias ambientais em torno dos portos”, analisou o governo indiano ao comentar o assunto.
O facto de os portos da região serem financeiramente autos-sustentáveis ajuda bastante na implementação dessa empreitada. Isso porque, como já era de se imaginar, o custo das mudanças na infraestrutura não é nada baixo. Estimativas iniciais sugerem que a brincadeira não deve sair por menos de 77,6 milhões de dólares aos cofres públicos. A vantagem é que, uma vez que o novo sistema estiver funcional, será possível economizar uma soma considerável nos gastos feitos junto à rede eléctrica convencional.