sábado, 27 de maio de 2017

Correntes de Retorno: O "truque" mais mortal dos Oceanos


Já deve ter ouvido falar nas perigosas correntes de retorno. Se não ouviu, preste muita atenção. Elas são um dos maiores perigos para banhistas em todo o mundo. Estas correntes são fluxos de água que saem das praias em direcção ao mar, e aumentam de velocidade subitamente. Pior: elas geralmente localizam-se entre ondas violentas e parecem uma parte calma do mar, o que pode seduzir banhistas inexperientes. Quem estiver dentro de uma e não souber o que fazer pode correr sério risco de vida. A cada ano, mais de 100 banhistas afogam-se nos EUA devido às chamadas correntes de retorno, canais de água fortes que puxam os nadadores para longe da costa, de acordo com a associação de salva-vidas dos EUA (USLA). Não há uma estatística que mostre quantas mortes no Brasil estão relacionadas a este fenómeno, mas casos também já foram registados.
Quase metade de todos os resgates feitos por salva-vidas em praias oceânicas no mundo estão relacionados com correntes de retorno, de acordo com a USLA. Para se ter uma ideia, os tubarões tipicamente matam apenas cerca de seis pessoas por ano em todo o mundo.

Como elas funcionam

Uma percepção comum é que estas correntes puxam nadadores para debaixo de água; na realidade, elas são correntes fortes e estreitas que fluem para longe da praia. “Essencialmente, elas são rios dentro do mar”, diz Wendy Carey, especialista em perigos costeiros do Delaware Sea Grant Advisory Service, da Universidade de Delaware, nos EUA. “As pessoas começam a afundar por causa do pânico, e sentem que a corrente está puxando-as para baixo”,explica Carey. 
“Não há nenhuma corrente que o puxará para baixo no oceano”, garante. 
Existem muitos tipos diferentes de correntes de retorno, e elas formam-se de várias maneiras. Alterações rápidas na alturas das ondas, que ocorrem quando um grande conjunto de ondulações acontece, pode desencadear uma corrente de retorno. Elas também podem ocorrer em pontos onde há uma ruptura num banco de areia. Lá, a água é praticamente jogada numa espécie de funil para fora ao mar. Estes canais em bancos de areia ficam perto da praia. Quando a água retorna ao oceano, segue o caminho de menor resistência, que é tipicamente através desses canais. Fortes correntes de retorno também muitas vezes aparecem ao lado de estruturas como cais e molhes (longas e estreitas estruturas que se estende em direcção ao mar),explica Carey. Ondas quebrando são os ingredientes chave para todas as correntes de retorno. “Se não houver ondas quebrando, não haverá correntes de retorno”, diz Carey. O risco de se deparar com correntes de retorno é determinado por muitos factores, incluindo o tempo , as marés, as variações locais na forma da praia e como ondas quebram na costa. Algumas praias podem ter correntes assim quase todo o tempo, enquanto outras praias quase nunca vêem estes fluxos perigosos.
Estas correntes fortes e frequentemente muito localizadas podem levar nadadores distraídos ao mar. As correntes geralmente se movem de 0,3 a 0,6 metros por segundo, mas as mais fortes podem puxar 1,6 metros por segundo. Esse é o mesmo ritmo de um nadador recordista olímpico, aponta Carey. “Mesmo um nadador olímpico iria ser arrastado numa corrente de retorno”, afirma ela.
Correntes de retorno podem acelerar dramaticamente num curto espaço de tempo. O fluxo instável de uma corrente dessas é semelhante a ficar de pé em um rio. O fluxo forte pode varrê-lo para fora do chão, diz Carey. “Um adulto de pé na água até a cintura em uma corrente de retorno teria dificuldade em permanecer no mesmo lugar”, garante.

Ondas pesadas podem accionar uma corrente de retorno súbita, mas correntes de retorno são mais perigosas quando acontecem durante a maré baixa, quando a água já está puxando para longe da praia.

Conhecendo o inimigo

No passado, as correntes de retorno foram às vezes chamadas de marés de retorno, o que era um erro, diz Carey. “As marés são mudanças muito lentas no nível da água e por si mesmas não induzem uma corrente de retorno”, disse ela. “Uma corrente de retorno não é uma maré”.
Os cientistas vêm estudando estas correntes por mais de 100 anos. Na década passada, os avanços nas técnicas de medição deram muitas ideias novas sobre como essas correntes complicadas funcionam. Os investigadores agora conseguem colocar GPS na rebentação para controlar com precisão os movimentos e velocidades actuais. Aparelhos semelhantes aos sonares revelaram o funcionamento interno das correntes de retorno. Estes perfiladores acústicos enviam pulsos de alta frequência de som que atingem e reflectem nas partículas da água. O instrumento mede a frequência deste sinal de retorno – se a partícula (e a água circundante) estiverem afastando-se do instrumento, o sinal terá uma frequência mais baixa, e se estiverem movendo-se em direcção ao instrumento, o sinal de retorno terá uma frequência mais elevada.
Medições de laser altamente detalhadas do ambiente da praia também mostram como água e a topografia se combinam para desencadear correntes. “Há uma nova compreensão do fluxo e do comportamento das correntes de retorno”, afirma Carey.

Como detectar uma corrente de retorno

Sobreviver a uma corrente de retorno começa antes mesmo de entrar na água, alerta Carey. “Evitar é a coisa mais importante: nade numa praia protegida por salva-vidas e converse com o salva-vidas de plantão sobre as condições do oceano para o dia”, recomenda ela. “Também é muito importante saber nadar e flutuar antes de se aventurar até o fundo do oceano”.
Aprender a detectar uma corrente de retorno pode ajudar a evitar ser apanhado pela mesma, acrescenta a especialista. Por exemplo, as correntes de retorno acima dos canais profundos de bancos de areia parecem remendos calmos da água. Estas águas mais calmas estão muitas vezes entre turbulentas ondas que se quebram, apresentando um caminho convidativo para banhistas inexperientes, e é aí que mora o perigo “Às vezes as pessoas inadvertidamente entram na água num dos locais mais perigosos apenas porque a área parece calma”, conta Carey.
Os seguintes recursos também poderiam sinalizar que há uma corrente de retorno na água, de acordo com a USLA:
  • Um canal de água agitada
  • Uma área com uma cor diferente do resto da água
  • Uma linha de espuma, algas ou detritos que está se movendo para o mar
  • Uma pausa nas ondas
Mesmo senão detectar qualquer um desses sinais, uma corrente de retorno poderia ainda estar em andamento. A USLA recomenda usar óculos polarizados para ver essas características do oceano com mais clareza.

Como sobreviver a uma corrente de retorno

É fácil ser apanhado numa corrente de retorno. Na maioria das vezes, isso acontece na água até a cintura, dizem os especialistas. Uma pessoa mergulha sob uma onda, mas quando ressurge da água descobre que está muito mais distante da praia e ainda está sendo puxada para longe.
O que a pessoa que está nesta situação faz em seguida pode decidir o seu destino.
Aqueles que entendem a dinâmica das correntes de retorno aconselham, acima de tudo, calma. O segredo é conservar energia. A corrente de retorno é como uma gigante esteira de água que não pode desligar, por isso não faz nenhum bem tentar nadar contra ela. Isso só vai fazer cansar, o que pode ser fatal quando se está longe da costa.
“Mesmo pequenas correntes podem fluir mais rápido do que uma pessoa pode nadar. Não deve tentar nadar contra a corrente”, aconselha Carey.
Correntes de retorno são frequentemente estreitas, e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a USLA sugerem tentar nadar na horizontal, paralelamente à costa e para fora da corrente. Uma vez que tenha saído da corrente, pode começar a nadar de volta à costa.
“Pode querer nadar em direcção aonde as ondas estão quebrando”, diz Carey. “Isso pode ajudar a guiá-lo para fora da corrente”.
No entanto, se é muito difícil nadar lateralmente para fora da corrente, tente flutuar ou pisar no fundo e deixe a natureza fazer o que deve fazer. Vai sair fora da corrente em algum ponto e pode então fazer o seu caminho de volta para a costa. As últimas pesquisas indicam que muitas correntes de retorno voltam para a costa, e poderiam transportar nadadores encalhados juntamente com o retorno da corrente. Mas nem todas as correntes de retorno agem desta forma, alerta Carey, portanto nadar paralelamente à costa ainda é a primeira recomendação dos especialistas.
Se nadar não parece estar funcionando para si, conserve a sua energia flutuando ou pisando no fundo. Quando conseguir fazer isso, tente chamar a atenção de alguém em terra, de preferência um salva-vidas.
Caso veja alguém ser apanhado numa corrente de retorno, não se torne também uma vítima ao tentar entrar lá para salvar o banhista desprevenido. Isso provavelmente só vai causar dois afogamentos, e não um. A USLA sugere que:
  • Obtenha ajuda de um salva-vidas.
  • Se um salva-vidas não estiver disponível, ligue para o número de emergência.
  • Não tente resgatar a pessoa, a menos que seja o último recurso e tenha uma jangada, prancha de Bodyboard ou colete salva-vidas consigo. Se chegar suficientemente perto da vítima, jogue para a pessoa um dispositivo flutuante como um colete salva-vidas ou tubo insuflável.
  • Também pode gritar instruções sobre como escapar de uma corrente de retorno para a pessoa encalhada.
“Há muitas histórias trágicas em que alguém entrou numa corrente para tentar salvar alguém e ambos se tornaram vítimas de afogamento”, alerta Carey.
Fonte: Hypescience



Futuro dos oceanos está nas nossas mãos

O branqueamento e a morte dos corais têm ocorrido um pouco por todo o mundo, inclusive em Portugal. A culpa é maioritariamente da acção humana. Um fenómeno que só é revertível se forem feitas mudanças nos comportamentos das pessoas. Urgentemente.


Não é um fenómeno que se fica pela Grande Barreira de Coral, na Austrália. Os corais estão a morrer em várias zonas do planeta. A notícia é péssima. A réstia de esperança assenta no facto de ainda poderem ser salvos e, em grande medida, depende de nós. Saiba o que pode fazer para proteger o oceano.

Desde o início do ano, já demos conta de duas notícias desastrosas sobre a questão do branqueamento dos corais. Dois terços da Grande Barreira de Coral australiana desapareceram. Mais de 70% do maior recife de coral do Japão morreu em 2016. A morte dos corais corre mundo. Desde a costa do Panamá, passando pela China, até chegar inclusivamente a Portugal. Os números são depressivos. Nos últimos 30 anos, a Terra perdeu 27% dos recifes de coral. A tendência aponta para que desapareçam muitos mais.

O que são os recifes de coral? Pode parecer que os corais são um único e gigante organismo, mas na verdade trata-se de um ecossistema no qual milhares de pequenas criaturas vivem conectadas. Formam colónias que funcionam como hospedeiras de microalgas – de nome naturalmente estranho: zooxanthellae – com quem vivem em simbiose. São estas algas que lhes fornecem comida e conferem às colónias as cores vivas características dos recifes.

Da poluição à doença, são vários os factores que provocam irritação nos corais, levando-os a expulsar a alga, sem a qual não sobrevivem. Dá-se o fenómeno de branqueamento, restando apenas o esqueleto do coral. A morte não é certa. Restabelecer a temperatura fria da água ou remover os poluentes pode ajudar os corais a recuperar.

O branqueamento tem sido mais frequente e visto com maior intensidade. Em 2016, verificou-se o pior registo de que há memória, válido ainda este ano. Se não forem tomadas medidas urgentes, se não houver melhoria das condições, os corais têm sentença marcada.

Porque é importante salvá-los? Cerca de 25% da vida marinha depende do habitat criado pelos recifes de coral. Pode parecer exagero, mas também nós dependemos do oceano para a nossa própria existência. Milhões de pessoas em todo o mundo dependem dos recifes para alimentação, turismo, emprego e até protecção contra eventos climáticos extremos. Além disso, os oceanos funcionam como o principal regulador térmico do planeta. Absorvem mais de um quarto do dióxido de carbono libertado pelas actividades humanas. Desempenham um papel importante nas condições climáticas. Além de comida, fornecem-nos energia, oxigénio e múltiplos recursos.

Com a chegada do Dia Mundial dos Oceanos – festejado a 8 de Junho – este é o melhor momento para nos focarmos numa das maiores ameaças à saúde aquática. O lema é simples: oceano saudável, planeta saudável.

Qual o perigo que enfrentamos actualmente? Acima mencionámos que o desencadear deste fenómeno se dá pela influência de vários factores. Pesca excessiva, invasão de espécies, acidez, fazem parte da combinação fatal. No entanto, o principal responsável pela morte dos corais é o aquecimento global. Há várias décadas que a comunidade científica chama a atenção para os perigos da queima de combustíveis fósseis a um ritmo acelerado.

As consequências notam-se no crescente aquecimento da superfície terrestre e oceânica – aproximadamente 1 grau Celsius desde 1880. Parece pouco? O limite está nos 2°C, acima do qual se temem consequências catastróficas, com as quais será muito mais difícil e oneroso lidar. Estudos recentes apontam para que as temperaturas globais subam 1,5 graus em menos de uma década. O calor até agora acumulado devido às emissões humanas é aproximadamente igual ao calor que seria libertado por 400.000 bombas atómicas de Hiroshima a explodir em todo o planeta diariamente.

É assustador. Mas de nada valeu o aviso. As emissões de gás continuam a aumentar e, neste momento, a temperatura no fundo do oceano é alta o suficiente para que qualquer alteração significativa represente um enorme risco para os recifes – como foi o caso do mais recente El Niño, cujos efeitos se verificaram no decorrer de 2016 e são ainda hoje visíveis. As alterações climáticas vistas como uma ameaça do futuro têm afinal representatividade no presente. Isto no que toca aos oceanos, ou mais especificamente, aos recifes de coral.

O que podemos fazer para proteger o oceano? Temos duas opções: ajudar na protecção dos oceanos ou não fazer nada e deixar que a devastação continue. Se optarmos pela primeira hipótese, então podemos começar por reduzir as pegadas de carbono que vamos deixando ao longo dos tempos. Utilizar sacos reutilizáveis, fazer a instalação de termóstatos inteligentes, colocar lâmpadas eficientes, desligar as luzes das divisões que não estamos a utilizar, conduzir menos ou usar mais os transportes públicos, evitar o desperdício alimentar e comer menos carne. São pequenas alterações que fazem uma enorme diferença se milhões de pessoas cumprirem com a sua parte.
Fonte: Sabado


Autorizada a pesca de "jaquinzinhos"



A pesca de carapau com tamanho inferior ao mínimo de referência para os pescadores de arte-xávega foi autorizada pelo Governo, com a publicação em Diário da República de uma portaria do Ministério do Mar.
O Governo reconhece o "valor cultural e considerável importância" para os pescadores da costa ocidental portuguesa da arte-xávega e cria também uma comissão de acompanhamento e o controlo científico da espécie, que está "em bom estado".
É a primeira vez que esta excepção é autorizada na pesca deste tipo de carapau, conhecido vulgarmente por "jaquinzinhos", pescado artesanalmente por 50 traineiras em Portugal, número máximo de embarcações autorizadas.
O primeiro lance de captura pode ser vendido mesmo que o peixe seja abaixo do tamanho mínimo, mas a pesca pode ser interrompida se numa jornada se apanhe mais de 20 por cento de espécies cujo número é reduzido.
Os barcos passam a ter que instalar dispositivos acústicos para afastar baleias, por causa de "alguns episódios de captura de cetáceos".
Fonte: JN

Imagens inéditas desvendam os os “unicórnios do mar” [ Com Vídeo ]



Graças a dois drones, foi possível filmar os chamados “unicórnios do mar”, os narvais, uma espécie de baleia dentada caracterizada por uma presa na cabeça cuja função era um verdadeiro mistério, até agora.
Filmagens efectuadas por dois drones em Tremblay Sound, na costa do nordeste do Canadá, revelam que o unicórnio dos narvais é usado para empurrar e atordoar os peixes, o que os torna presas fáceis.
Os animais desta espécie de baleia dentada, que vive nas águas frias do Árctico, entre a Gronelândia, o Canadá e a Rússia, são conhecidos como “unicórnios do mar”, precisamente por essa característica fisiológica única entre estes grandes mamíferos.
Até agora, contudo, a função desta presa, que pode chegar a ter mais de 3 metros de comprimento, era um mistério.
No vídeo captado nas águas do Canadá, onde vivem 90% dos narvais existentes, estes “unicórnios marinhos” são vistos a imobilizar bacalhau com as presas que se assemelham a um chifre.
Além desta vertente, os narvais poderão ainda usar os unicórnios para outros fins, nomeadamente como armas e picaretas de gelo, como forma de selecção sexual ou como ferramenta de ecolocalização, consideram os especialistas desta área.
Marianne Marcoux, investigadora do Fisheries and Oceans Canada, o departamento do Governo canadiano que gere as pescas, os oceanos e os recursos aquáticos do país, explica na National Geographic que as presas dos narvais funcionam, basicamente, como um dente canino que contém milhares de terminações nervosas que lhes permitem sentir movimentos na água em torno deles.
“Eles podem sentir os seus arredores de forma similar ao que o dente partido de um ser humano teria sensações”, destaca Marcoux. São, assim, sobretudo órgãos sensoriais.
Os narvais não têm dentes no interior da boca e usam a sucção para engolir as suas presas inteiras.
O vídeo, considerado particularmente extraordinário porque está em causa uma espécie muito “tímida”, mostra também os narvais a alimentarem-se em águas de Verão, o que é muito relevante em termos de estratégia de conservação destes animais, uma vez que se acreditava que eles se alimentavam exclusivamente em águas de Inverno.
Aqui em Vídeo:

4 Arguidos por derrama de combustível no Terminal XXI


O derrame de combustível ( derrame de várias toneladas de fuel oil ), no Terminal XXI, no dia 6 de Setembro do ano passado, fez com que o Ministério Público formalmente desse a acusação de quatro arguidos, uma pessoa colectiva e três singulares, com a prática dos crimes de poluição com perigo comum e de falsificação de documento e da contraordenação de poluição do meio marinho. A acusação refere que o derrame teve origem no navio “MSC Patrícia”, indicando que “os arguidos tinham conhecimento de que os tanques do navio apresentavam deficiências e careciam de reparação há já mais de um ano”.  Esta conduta, assinala, culminou com a deslastragem (esvaziamento) do tanque deficiente no dia do aportamento em Sines, causando o derrame de produto poluente, cuja remoção custou ao Estado português quase 180 mil euros. O Ministério Público adianta que deduziu um pedido de indemnização civil no valor das despesas efectuadas, acrescido de juros de mora. A investigação, que durou sete meses, esteve a cargo da Polícia Marítima, sob a direcção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Setúbal.

Estaleiros Navais do Mondego lançam ao mar primeiro navio


Navio construído na Figueira da Foz foi lançado à água. O ferryboat "Haksolok" vai melhorar a mobilidade em Timor Leste. O ferryboat “Haksolk”, de bandeira timorense, foi lançado à água a partir da principal doca seca dos estaleiros da Figueira da Foz. Este navio é o primeiro a ser construído cinco anos depois de os antigos Estaleiros Navais do Mondego terem sido concessionados à empresa portuguesa Atlanticeagle Shipbuilding (AES). E em breve estará a operar no mar de Timor-Leste, inaugurando as operações de cabotagem na costa norte daquele país de língua oficial portuguesa com uma embarcação de bandeira timorense. O ferry tem capacidade para transportar 377 pessoas e 25 automóveis, Vai ligar Díli, a ilha de Ataúro e as principais localidades da costa norte do país, nomeadamente Pante Macassar, a mais povoada cidade daquela região, em cujas redondezas desembarcaram pela primeira vez os navegadores portugueses, em agosto de 1515. 

Tirar os plásticos do mar, começando logo no piquenique


Comissão Europeia, Ciência Viva e Embaixada dos Estados Unidos juntaram-se para chamar a atenção para o impacto dos microplásticos nos oceanos e na sociedade
Por entre os banhistas que aproveitam um dia de verão em maio, surge um grupo equipado com t-shirts azuis, camaroeiro e um saco na mão. Vão passando a areia pelos camaroeiros e retirando as minúsculas partículas de plásticos que vão ficando na rede. Perante o espanto e o elogio dos banhistas, o grupo vai limpando a praia da Mata, na Costa da Caparica. Uma iniciativa da Comissão Europeia, da Ciência Viva e do Departamento de Estado dos Estados Unidos que visa alertar para o aumento dos plásticos nos oceanos.
"Mais de 80% do lixo marinho é plástico", aponta a investigadora Filipa Bessa, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), da Universidade de Coimbra. Estes plásticos acabam por se degradar e ficar com menos de 5 milímetros - são os microplásticos -, que depois são ingeridos pelos peixes, absorvidos pelo sal marinho e acabam por entrar na própria cadeia alimentar dos seres humanos.
Apesar dos impactos na saúde humana ainda não serem conhecidos, os especialistas concordam que estes não podem ser positivos. Pelo menos já não estão a ser para a saúde dos oceanos, como ontem foi sublinhado em diversas ocasiões durante um evento que começou com a inauguração da exposição "Um oceano sem plástico", no Pavilhão do Conhecimento, passou pela recolha de microplásticos e acabou num piquenique sustentável, na praia da Mata, na Caparica.


Ainda há poucas semanas foi notícia que estávamos a temperar a comida com microplásticos do sal. E se olharmos para os areais nacionais percebemos que muito do plástico aqui abandonado acaba por chegar ao mar. "As praias têm muito lixo mesmo e no mar nota-se ainda mais. Faço surf e vejo que o mar está cada vez mais poluído", reconhece Teresa Castro, que ontem aproveitou o bom tempo para ir até à praia. Ficou surpreendida com a acção de limpeza, embora admita que "não resolve o problema, mas pelo menos chama a atenção".
Na opinião da instrutora de fitness, "as pessoas não têm a noção do impacto de deixar lixo na areia ou então estão apenas despreocupadas". Já antes, durante o debate que se seguiu à exposição, Tiago Pitta e Cunha, presidente da Comissão Executiva da Fundação Oceano Azul, tinha sublinhado a demora da sociedade em perceber a poluição dos oceanos. "Falta a humanização do problema, as pessoas não percebem que o oceano tem impacto no nosso habitat e pensam que se trata apenas do habitat dos peixes."

Para o Director-geral de Política do Mar, Fausto Brito e Abreu, a prioridade "é tirar plástico do mar, a prevenção é fundamental, mas ao mesmo tempo temos que tirar o plástico que já está nos mares." Por isso, o responsável admite que as soluções que venham da biotecnologia e da investigação "são importantes".
No entanto, também ainda há muita investigação para fazer e conhecer o impacto dos microplásticos. A própria União Europeia lançou há duas semanas, "dois estudos que têm como objectivo um conhecer os microplásticos intencionalmente utilizados em produtos e, o outro, sobre a libertação dos microplásticos para o ambiente", aponta João Aguiar Machado, Director-geral dos Assuntos do Mar e da Pesca da Comissão Europeia.

A nível europeu, a comissão refere também que há objectivos como "em 2025 queremos que 55% dos plásticos reutilizados sejam reciclados, também temos a meta da redução do lixo marinho no oceano em 2030, não apenas para os plásticos, mas para todo o lixo", acrescenta o responsável europeu.

Uma das formas de conseguir reduzir as 10 milhões de toneladas de lixo que todos os anos são despejados nos oceanos é fazer, por exemplo, um piquenique sustentável, como o que foi promovido ontem. Na cesta de vime, Rosália Vargas, presidente da Ciência Viva, trouxe feijão cozido e ovo cozido, tortilha de algas, alface lavada sem tempero, morangos e água numa garrafa de vidro. Tudo chegou também em recipientes de vidro ou papel, os guardanapos são de pano e o pão e a fruta vieram em taleigos. "Dá trabalho, mas de facto é tudo muito melhor", admite. "Devemos claro reciclar os plásticos que usamos, mas se pudermos evitar logo à partida usá-los é o ideal e temos obrigação de transmitir essa mensagem aos mais novos", acrescenta a responsável da Ciência Viva. Local onde está a exposição "Um oceano sem plástico", da ONG Plastic Change e do Aquário Nacional da Dinamarca, sobre o impacto dos plásticos na vida marinha e que recebeu o apoio do departamento de Estado dos EUA para se tornar itinerante.

Fonte: DN

sábado, 6 de maio de 2017

Vídeo mostra como é um sismo no fundo do mar


Um grupo de mergulhadores das Filipinas que explorava o fundo do mar foi surpreendido por um sismo de 5,7 de magnitude na escala de Richter. O momento foi gravado debaixo de água e partilhado nas redes sociais.
Nos países banhados pelo Oceano Pacífico, como é o caso das Filipinas, a atividade sísmica é bastante frequente. São vários os registos em vídeo disponíveis na internet deste tipo de fenómeno.
No entanto, as imagens divulgadas no passado mês de abril pelo mergulhador Jaun Paul Rodriguez têm a particularidade de serem registadas no fundo do mar.
Nas filmagens, um grupo de mergulhadores que se encontra a cerca de 18 metros de profundidade depara-se com um sismo de magnitude 5,7. No vídeo é possível ver a agitação do mar e da areia que levanta na água.

Em declarações ao Newsflare, o autor do vídeo descreveu o fenómeno: "Parecia que havia uma hélice gigante de um barco a girar mesmo em cima de nós, ouvimos o tremor de pedras sobre a terra e sentimos a onda de choque. Sentimos dor nos ouvidos, a respiração pesada e mudanças bruscas de pressão", explicou.
Após o sucedido, a equipa conseguiu chegar à superfície sem ocorrer qualquer tipo de incidente.
O vídeo partilhado no Facebook, onde é possível assistir ao momento do sismo registado na província de Batangas (Filipinas), já conta com mais de 745 mil visualizações.
Fonte: JN