segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Mar destruiu o bar mais bonito do mundo

O Cella Bar, no porto da Barca, Madalena, na ilha do Pico, foi destruído pela força do mar. O temporal deixou o premiado edifício irreconhecível.
As imagens que estão a ser divulgadas nas redes sociais não deixam grande margem para dúvidas. O Cella Bar ficou gravemente danificado no piso térreo após o mar ter galgado a estrutura de madeira cerca das 13.00. Um dos proprietários do bar, Fábio Matos, disse que teve "muitos prejuízos" e está neste momento a trabalhar "para fechar as janelas" porque há previsão de agravamento do estado do mar.
Fábio Matos adiantou ainda que o bar tem seguro mas ainda está a analisar se este cobre os prejuízos provocados pelo mar.
O Cella Bar, inaugurado em 2015, é um projeto do arquiteto Fernando Coelho/FCC Arquitetura. Localiza-se junto à orla marítima no lugar da Barca, Madalena, na parte Norte da zona classificada pela UNESCO Património Mundial. Tem sido considerado por várias publicações "o bar mais bonito do mundo". Do corpo de pedra basáltica sai um icónico volume de madeira, com forma ovalada de contornos irregulares. 
O Cella Bar foi premiado em 2016 pela ArchDaily na categoria Lazer.
O presidente da Câmara da Madalena, José António Soares disse à Lusa que a "ondulação fortíssima" destruiu o museu onde está a exposição de lulas de Malcolm Clarke e ainda o rés-do-chão do premiado Cella Bar. A ondulação atingiu os 13 metros, situação considerada "invulgar" pelos meteorologistas.
"De acordo com a informação das boias ondógrafo, do projeto CLIMAAT, as ondas atingiram cerca de 13 metros de altura. Não estava previsto. A altura significativa da onda prevista era de 5,5 metros, mas chegou quase aos oito metros", informou o responsável da delegação regional dos Açores do IPMA, Diamantino Henriques, justificando que, por essa razão, não foi emitido qualquer aviso meteorológico para agitação marítima.
Fonte: DN

Campanha global declara guerra aos plásticos nos oceanos

A ONU Meio Ambiente (UN Environment) lançou na passada quinta-feira (23) uma iniciativa global para eliminar uma grande fonte de lixo marinho até 2022: as embalagens de plástico e os plásticos em geral. A campanha #CleanSeas [#MaresLimpos], foi lançada durante a Cúpula Mundial dos Oceanos, que foi realizada em Bali; na Indonésia, e apela aos governos do mundo que aprovem políticas de redução do material plástico.


A acção também é voltada à indústria, para que minimize embalagens plásticas e redesenhe produtos no sentido de minimizar o uso do material. A campanha pede ainda a consumidores que mudem os seus hábitos de produção de lixo antes que eles causem "danos irreversíveis" aos mares.

Segundo a ONU Meio Ambiente, a cada ano, mais de 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, causando grande prejuízo a animais marinhos, à pesca e ao turismo e provocando pelo menos 8 mil milhões de dólares em danos aos ecossistemas marinhos.

Mais plástico do que peixe
A agência das Nações Unidas alerta que até 80% de todo o lixo nos oceanos é feito de plástico. De acordo com algumas estimativas, no ritmo em que itens como garrafas, sacolas e copos de plástico estão a ser jogados fora após terem sido usados apenas uma vez, até 2050, os oceanos terão mais plástico do que peixes.

A UN Environment calcula que neste prazo, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico. Ainda este ano, a campanha #MaresLimpos anunciará "medidas ambiciosas" por parte de países e empresas para eliminar microplásticos de produtos de cuidado pessoal, banir ou colocar impostos sobre sacolas descartáveis e reduzir "dramaticamente" outros produtos de plástico de uso único.

Dez países já se uniram à campanha para reverter o uso do produto, incluindo o Uruguai que irá taxar sacolas plásticas descartáveis este ano. O músico Jack Johnson e o actor Adrian Grenier apoiam a campanha.

Segundo a ONU Meio Ambiente, "grandes anúncios"sobre o assunto são esperados para a próxima Assembleia Ambiental da ONU, a ser realizada em Dezembro no Quénia, África, e na Conferência dos Oceanos, que terá lugar em Junho próximo, em Nova Iorque.

Um encontro preparatório para a Conferência dos Oceanos foi realizado nos dias 15 e 16 de Fevereiro, na sede das Nações Unidas. Na ocasião, o embaixador de Portugal junto à organização, Álvaro Mendonça e Moura, um dos organizadores do evento, fez um alerta sobre a situação da poluição com plásticos nos mares e oceanos.
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Armada reforça meios permanentes no Mar


A Marinha vai reforçar o dispositivo naval padrão, que está sempre no mar para missões de busca e salvamento e fiscalização de pescas e ilícitos, com mais duas embarcações, uma nos Açores e outra na Madeira. Serão assim onze os navios permanentemente em missão, a que se acrescentam outros três prontos a largar da Base Naval de Lisboa. "É uma decisão em função da directiva de planeamento do Chefe do Estado Maior da Armada [almirante Silva Ribeiro]. O reforço será realizado com navios hidrográficos", explica o comandante naval, vice-almirante Gouveia e Melo. Estes hidrográficos "além de busca e salvamento e eventuais acções de fiscalização, irão também estar comprometidos nas suas campanhas de oceanografia, hidrografia e cartografia náutica", assegura. O dispositivo naval padrão passará assim dos actuais 11 para 14 navios. "São 1500 homens e mulheres diariamente empenhados, 365 dias por ano", afirma. Onze navios estarão nas suas zonas definidas de missão. Os restantes três "são a reserva e serão pré-posicionados em função de circunstâncias especiais", como no início de Fevereiro com o mau tempo no mar. Reconhecer a formação para conseguir recrutar mais praças em contrato   A Armada quer ver a formação que dá aos seus praças "reconhecida no catálogo nacional de qualificações" por forma a que "terminado o contrato na Marinha esses consigam ver reconhecidas as qualificações", afirma o vice-almirante Jorge Novo Palma, superintendente do pessoal da Marinha. Em 2016 foram preenchidas apenas 401 das 880 vagas (45%) para praças. "A dificuldade em recrutar praças no regime de contrato é mais um desafio do que um problema. Estamos a melhorar as condições", diz. 

Fonte: CM


Subida do mar pode custar milhões à economia


A subida do nível do mar pode ser mais rápida do que o previsto e custará dezenas de milhões de euros por ano se nada for feito. Alerta para Portugal. A Agência Oceânica norte-americana considera possível um aumento entre 2 a 2,7 metros do nível do mar até 2100, em casos extremos de emissões de gases com efeitos de estufa. No entanto, estudos da paleoclimatologia (estudo das condições e alterações climatéricas de períodos geológicos antigos) apontam para uma subida de 6 a 9 metros. Portugal é um país costeiro e actividades ligadas ao turismo ou imobiliário seriam as primeiras a sofrer as consequências. Os custos para a economia podem chegar a dezenas de milhões de euros por ano. 

Conhecimento do futuro com base no passado 

“Os estudos mais recentes descobriram que a Gronelândia e o Oeste da Antárctida são mais instáveis do que se pensava, isto é, parece agora mais provável que derretam até 2100. Há 125 mil anos, houve um período quente (Eemiano). Desde há 10 mil anos, temos tido temperaturas mais baixas. No Eemiano a temperatura média global não foi muito superior à actual, que se situa nos 16.º C, tendo subido 1.º C durante o período pré-industrial (até 1750)”, explica Filipe Duarte Santos, professor e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa “O acordo de Paris selou, em 2015 (entrou em vigor em 2016), o compromisso de não subirmos a temperatura média global mais de 2.º C. Temos 1.º C de folga. No Eemiano, a temperatura era muito próxima da actual, mas o nível do mar estava 6 metros acima do valor actual. O compromisso de não aumentar mais de 2.º C foi feito quando se pensava que o nível do mar não aumentaria mais do que os tais 2 a 2,7 metros até 2100. Mas o Eemiano diz-nos que pode aumentar muito mais”, acrescenta Duarte Santos. Essa realidade é bem visível na imagem abaixo apresentada. 


Riscos e custos em Portugal “Sendo Portugal um país costeiro, situado numa península e constituído por mais dois arquipélagos, está sujeito aos riscos inerentes à subida do nível médio da água do mar. Embora algumas actividades marítimas possam vir a ser atingidas, o imobiliário afecto a diversos usos, como habitação, estacionamento, hotelaria, cultura, transportes, distribuição… localizado em cotas negativas, muito em cima da costa, será o que estará mais exposto”, afirma Miguel Marques, partner da PwC, consultora que elabora anualmente o LEME – Barómetro da Economia do Mar. A fileira do mar, que tem crescido de forma significativa em Portugal, conforme o comprovam os dados mais recentes publicados pelo INE e PwC, não ignora a ameaça. “No âmbito da última edição do LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar, efectuámos um inquérito a 50 líderes da economia do mar, em Portugal, sobre risco e impacto da subida do nível médio da água do mar. 51% considerou que o risco é elevado, 27% considera o risco razoável e 22% considera o risco baixo. No que respeita ao impacto, 61% considera o possível impacto elevado, 28% considera o possível impacto de médio e 11% considera o possível impacto de baixo”, revela Miguel Marques. 

A única forma de contabilizar os eventuais prejuízos para a economia resultantes de uma subida acentuada do nível do mar é olhar para os custos de contenção da linha costeira portuguesa. O Relatório do Grupo de Trabalho do Litoral, apresentado em Dezembro de 2014, dá uma ideia muito aproximada do impacto económico. Nas duas últimas décadas, Portugal teve um investimento médio anual de 8,3 milhões de euros. Segundo Filipe Duarte Santos, o custo de não intervenção seria multiplicado por seis, isto é, 50 milhões de euros anuais. O projeto ClimateCost avaliou em 11 mil milhões de euros o valor médio anual dos estragos provocados pela erosão e inundação nas zonas costeiras da União Europeia no período de 2040-2070 num cenário de não adaptação conjugado com um cenário intermédio de emissões de gases com efeito de estufa. O mesmo estudo projecta para os custos médios anuais do investimento em adaptação no mesmo intervalo de tempo valores compreendidos entre 1 e 1,5 milhares de milhões de euros (a preços de 2005). Com essa adaptação os custos dos prejuízos provocados pelos impactos seriam reduzidos, relativamente aos custos da não adaptação, por um factor de 6. “O agravamento do nível do mar é certo. Mas há fenómenos muito locais que podem diferenciar o impacto. As actividades económicas têm tempo para se adaptarem e os desportos radicais até podem ganhar com isso. Há, de facto, areais que podem desaparecer. Essa realidade já existe. A Norte de Espanha ou a Sul de Viana do Castelo há calhau rolado e não areal. Esmoriz é um bom exemplo. A verdade é que muitas actividades balneares não precisam de areal. A Sul de Barcelona, não há areal, mas os cidadãos também não querem a sua reposição”, explica Veloso Gomes, professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e especialista nas áreas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente.

“Espinho é bom exemplo de como é possível conter o avanço do mar. A sua linha de costa é igual a 1911”, acrescenta Veloso Gomes. No entanto, este feito não foi isento de custos. Segundo o Grupo de Trabalho do Litoral, entre 1995 e 1998, as obras naquela cidade chegaram aos 10,2 milhões de euros e entre 2008 e 2011 a 7,9 milhões de euros, o que significa a necessidade de reinvestimentos em defesa costeira de cerca de 80% relativamente aos efectuados na década anterior. Um fenómeno global Embora seja um fenómeno lento, o problema é que o fenómeno é cumulativo. Conforme recorda Miguel Marques, o problema agrava-se quando se juntam outros factores, como por exemplo a acidificação dos oceanos, os episódios climáticos extremos e a concentração urbana junto ao mar e aos planos de água. 

Por exemplo, o Kiribati é um país insular, com uma zona económica exclusiva de cerca de 3,5 milhões de Km2 (12.ª maior Zona Económica Exclusiva do mundo), cujo ponto mais elevado mede cerca de 2 metros. “Neste país, o seu presidente procura incessantemente, tomar medidas de protecção em relação a cheias e ao mesmo tempo procura, num país vizinho (Ilhas Fiji), adquirir uma área capaz de receber toda a população do seu país (mais de 100 mil habitantes) em caso de necessidade de evacuação total. Tendo em conta que já algumas aldeias desapareceram, que os cientistas prevêem que, a manter-se o ritmo de degelo nos pólos e os efeitos da erosão costeira durante este século (acelerados pela acidificação dos oceanos que retarda a formação de novos corais), a maior parte do país afundará”, refere Miguel Marques. 

Na Europa, o caso mais falado é o da Holanda, que através de um sistema de diques e de barreiras ganhou território em cotas abaixo do nível médio do mar. Sempre que o nível médio do mar sobe, o país estuda formas de mitigar o problema através do reforço do sistema de diques e de barreiras de protecção. A população mundial está a crescer e continua a deslocar-se de zonas rurais para zonas urbanas, criando mega cidades. “Muitas destas megacidades estão localizadas em zonas costeiras (Xangai, Istambul, Nova Iorque), com índices de construção imobiliária elevados””, alerta Miguel Marques, um dos responsáveis pelo Barómetro da Economia do Mar. 

Governo quer apostar na economia circular do Mar

Uma das ideias do Governo, por exemplo, passa por transformar resíduos numa matéria-prima "geradora de lucro" . A ideia foi defendida pela ministra na World Ocean Summit 2017, em Bali.


A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, defendeu, na World Ocean Summit 2017, que a chave do desenvolvimento sustentável do oceano reside na adopção da economia circular do mar, informou  o Ministério do Mar em comunicado.
A governante, que participou no painel sobre a Economia do Mar, no World Ocean Summit, em Bali, na Indonésia, explicou que “os novos modelos de negócio devem conseguir compatibilizar a rentabilidade atractiva com um desempenho ambiental positivo”.
Como exemplo, falou da recolha do lixo plástico marinho para aplicação no fabrico de novos produtos, transformando assim “os resíduos numa matéria-prima geradora de lucro e eliminando este problema ambiental dos oceanos”.
Em declarações à agência Lusa, na segunda-feira, 20 de Fevereiro, antes de partir para a cimeira de Bali, Ana Paula Vitorino realçou o facto de Portugal ter como objectivo para os próximos dez anos aumentar a economia marítima, que representa 3,1% do Produto Interno Bruto português, aproveitando até 2020 para contar com o quadro comunitário de apoio actual.
“É muito pouco, porque o território marítimo representa mais de 90% do território nacional”, disse a ministra, embora tenha referido que iria explicar em Bali “a bondade da candidatura” portuguesa para a extensão da plataforma continental, pedida em 2009 e que vai ser discutida este ano nas Nações Unidas.
A ministra do Mar disse ainda na World Ocean Summit, que decorreu entre quarta e sexta-feira (22 a 24 de Fevereiro) que Portugal está a promover “Port Tech Clusters” nos portos do país, estimulando a criação de ‘startups’ de base tecnológica que permitam às empresas beneficiar do acesso facilitado ao mar que os portos oferecem e de condições favoráveis para testar tecnologias marítimas que estão ainda em fases iniciais de desenvolvimento.
O evento, que foi organizado pela revista The Economist e decorreu desde a passada quarta-feira na capital indonésia, reuniu decisores políticos, empresas, Organizações Não-Governamentais (ONG) e cientistas de todo o mundo que discutiram temas relacionados com o financiamento de uma economia sustentável nos oceanos.
Durante o debate, em que foram abordadas questões de governação dos oceanos, Ana Paula Vitorino destacou a importância de Portugal ter criado um Ministério do Mar dotado de competências para assegurar coordenação transversal dos assuntos do mar, e do transporte marítimo e dos portos em particular, assegurando ainda a integração de políticas e a gestão dos fundos nacionais e europeus relativos ao mar, nomeadamente a criação do Fundo Azul.
Na intervenção, a ministra do Mar falou também do Roteiro para as Energias Renováveis Oceânicas, que visa criar um cluster industrial voltado para a exportação destas tecnologias.
Ana Paula Vitorino referiu também que “as energias renováveis do oceano têm potencial para suprir 25% das necessidades de geração eléctrica de Portugal”.
À margem da conferência, a governante reuniu-se com empreendedores e investidores, além de divulgar as oportunidades de investimento em Portugal e o potencial de estabelecer parcerias “win-win” [em que ambos ganham] com centros de investigação e empresas nacionais.
A ministra do Mar realizou ainda encontros bilaterais com várias entidades internacionais, nomeadamente o secretário-geral da IMO (Organização Marítima Internacional), Kitack Lim, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Peter Thomson, bem como o comissário europeu do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas, Karmenu Vella, tendo estabelecido as linhas para “uma possível colaboração” com Portugal.
Fonte: Observador

Bomba recolhida na Nazaré foi detonada no Mar


A bomba encontrada, esta segunda-feira, ao largo da Nazaré por um arrastão foi já detonada a cerca de mil metros da costa.
A operação foi preparada em terra e contou com a colaboração do arrastão "Mar Salgado", que hoje de manhã 'pescou' o engenho.

"A bomba foi detonada às 16.30 horas, em segurança, e meia hora depois foram feitos dois mergulhos de verificação, tendo sido confirmada a sua completa destruição", disse à Lusa o comandante do Porto da Nazaré, Paulo Agostinho.
De acordo com o responsável, às 17.30 já não havia "embarcações nem homens no mar". Prevê-se que até às 18 horas "esteja recolhido todo o material usado na operação e os mergulhadores possam regressar a Lisboa".
"Operação correu com sucesso. A embarcação "Mar Salgado" colaborou connosco porque era mais seguro não movimentar muito mais a bomba. Saíram para o mar para uma posição pré-definida e a embarcação retirou-se, ficando só elementos das autoridades", revelou o comandante do Porto da Nazaré, Paulo Agostinho. De seguida, realizou-se a detonação do engenho explosivo.
O engenho, que tinha entre 1,50 e 1,60 metros de comprimento, foi identificado como sendo uma bomba de aeronave do tipo MK82 que teria no seu interior mais de 200 quilos de H6, um tipo de explosivo equivalente a 600 quilos de TNT [trinitrotolueno].
A bomba foi afundada a 20 metros de profundidade e foi realizada a contradetonação por uma equipa de mergulhadores do Destacamento de Mergulhadores Sapadores, que tem entre as suas áreas de atuação reconhecer e inativar engenhos explosivos convencionais ou improvisados, na área de responsabilidade da Marinha e em áreas de conflito.
Questionado sobre a possibilidade de se tratar de uma bomba da Segunda Guerra Mundial, o comandante do porto sublinhou não ter sido encontrada qualquer inscrição que o confirme, dado o estado de corrosão do engenho.
"Não sabemos há quanto tempo se encontraria submerso", declarou.
A operação de desmantelamento foi preparada em terra e contou com a colaboração do arrastão "Mar Salgado", que hoje de manhã 'pescou' o engenho e à tarde o transportou de volta ao largo da Nazaré, auxiliando com gruas a colocação da bomba no mar.
A deslocação do arrastão foi acompanhada por lanchas da Polícia Marítima e da Estação Salva-Vidas da Nazaré e a detonação foi efetuada numa área com um perímetro de segurança de mil metros.

Fonte: JN

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Aitor Francesena: "É um desafio fazer surf sendo cego"


No horizonte deste pioneiro espanhol do surf esteve desde muito novo a perda total de visão devido a um glaucoma congénito. Tratou, então, de viver a vida ao máximo. Como faz agora, quatro anos depois de, como diz, "o ecrã ter ficado todo preto"...
Há quatro anos, Aitor Francesena, natural de Zarautz, no País Basco espanhol, deparou-se com o abismo que temera toda a vida: um acidente de surf levou-lhe a visão do olho esquerdo, o que restava desde que aos 14 um glaucoma levara o direito. Duas horas depois do acidente, porém, ao chegar ao hospital, já tinha desenhado uma nova vida na sua mente. E, como até então... não pára!
Recorda como perdeu a visão?
Tenho um glaucoma congénito. Fiz várias operações, mas não correram bem. Sabia que poderia ficar cego. Aos 14 anos, perdi o olho direito, fiquei só com o esquerdo. Fui aguentando, fiz várias operações com as técnicas mais avançadas; aos 26, tive muitos problemas no olho esquerdo e fiz mais operações, até que aos 35 ou 36 o glaucoma ficou resolvido mas, como ao tratar uma coisa se prejudica outra, perdi a córnea. Fiz um primeiro transplante que correu mal, esperei dois anos por outro, mas também não ficou bem. Há quatro anos, mesmo sabendo que deveria ter cuidado e não surfar, apanhei com uma onda que me fez perder definitivamente a visão.
Como consegue surfar?
Fiz surf toda a minha vida e o mar dá muitas pistas, sei em que direção estou, se para norte, sul, este ou oeste. Mas tive de começar a surfar quase desde o princípio.
E como escolhe a onda que vai apanhar?
Quando estou sozinho, pelo som sei onde está o princípio e o fim de uma onda. Deixo passar uma e então remo com toda a força para apanhar a que virá a seguir; depois, ponho-me de pé na prancha e conforme a sensação que me dá a onda, quanto ao tamanho, por exemplo, faço manobras.
Passa por baixo das ondas para atravessar a rebentação?
Pelo som, sei a distância a que está a espuma e faço um "patinho". Nunca falho! A princípio os meus amigos diziam-me "3... 2... 1...", mas agora faço sozinho.
Passou a apoiar-se na audição...
Sim. Se cair uma moeda no chão, sei a distância e o sítio exato em que caiu. A audição tornou-se tão nítida, tão apurada... Nesta vida, quando um sentido falha, os outros trabalham muito mais. Quando passeio pela praia, por exemplo, o som diz-me o tamanho das ondas. Sempre ouvi dizer que os cegos usavam muito os ouvidos, mas custava-me acreditar que fosse assim. Além disso, desenvolve-se outro sentido de orientação, passei a estar sempre superatento.
Não recorre ao cão-guia?
Em abril vai fazer um ano que o tenho, mas não ando sempre com ele. Sou um pouco teimoso: aprendi a usar a bengala, como qualquer cego, mas não a uso. No máximo, uso o cão dez minutos por dia. Prefiro ir agarrado a alguém ou até de skate agarrado a uma bicicleta... Sei que o cão não sofre quando o levo, porque é esse o seu trabalho - e nunca falha -, mas prefiro deixá-lo solto. E na minha terra sei sempre onde estou. Sou cego, mas tento não levar uma vida de cego!
Como era a sua vida antes de perder a visão?Era muito ativo, como agora. Atualmente, se não estiver a surfar, estou a caminhar no monte. Estou a dar a volta à Península Ibérica a pé, por etapas. Tenho dez anos para o fazer [risos]... Antes, tinha uma oficina de surf, fazia pranchas e reparava-as; depois abri a primeira escola em Espanha, em Zarautz. Treinei muitos miúdos, os melhores espanhóis, Kepa Acero, Aritz Aranburu - que me tornou o primeiro treinador espanhol a pôr um atleta no WCT -, Axi Muniain...E fui muitas vezes a Portugal em competições, lembro-me de praias como Supertubos, Ericeira, Guincho, Espinho... Já depois de ficar cego, escrevi dois livros sobre surf que foram um sucesso em Espanha.
Vê-se como um exemplo também para pessoas sem qualquer incapacidade?
Vou responder mesmo correndo o risco de soar arrogante: tento ser um exemplo! Sempre gostei de ajudar os outros, de transmitir o que sei. Faço surf porque gosto, porque sou fanático por surf e porque é um desafio fazer surf sendo cego. Mas também para mostrar que qualquer um pode fazê-lo. Quando se quer algo com muita vontade e se lhe dedica muitas horas, consegue-se tudo.
É um lutador...
Sim, muito. Fiquei cego aos 43 anos e penso que se tivesse sido aos 20 ter-me-ia suicidado. Teria sido muito duro. Aos 43, já tinha vivido muito, viajado muito, plantei árvores, tenho uma casa no monte e uma filha maravilhosa... Vivi cada momento ao máximo, tirando fotografias com a mente para as ter na cabeça e poder voltar a desfrutar de tudo.
"Frederico Morais tem feito um trabalho incrível e fico contente pelo que conseguiu"
Aitor Francesena conhece a atual coqueluche portuguesa do surf, Frederico Morais, que este ano integrará o principal circuito profissional mundial da modalidade. "Conheci-o em miúdo, porque participava nas mesmas competições que os meus atletas", lembrou o espanhol, que treinou muitos jovens e aproveitou para deixar algumas opiniões e elogios: "Quando se chega lá acima, por vezes o mais difícil é manter a cabeça no sítio. Mas parece-me que ele tem feito um trabalho incrível para chegar onde chegou e fico contente pelo que conseguiu. Temos de ver o que faz daqui para a frente."
Fonte: OJogo

Aguçadoura quer ser o epicentro do surf na Póvoa


A Aguçadoura vai ter um novo pólo de desenvolvimento dedicado ao surf. Um dos projectos será a criação de um hostel no centro da vila. A ideia foi concebida por Rui Camaz, do ‘Aguçadoura Surf Spirit’:
“Decidiu investir-se na Aguçadoura pelas ondas que pode oferecer”, elaborou. “Em termos de variedade e quantidade, há ali muito por explorar. No spot da Póvoa estamos mais limitados. Eu costumo dizer que a Aguçadoura tem um pouco de Peniche por causa dos fundos de areia e um pouco de Ericeira pelos fundos de pedra”.
Nas modalidades de surf e bodyboard, o concelho da Póvoa tem aproxidamente 500 praticantes.

Pesca de arrasto vai ter diário de pesca electrónico em 2018


As embarcações de arrasto de fundo vão ter um diário de pesca electrónico a partir de Janeiro do próximo ano e os pescadores vão participar em comissões de acompanhamento da pesca por zona, segundo um diploma ontem publicado.
No preâmbulo da portaria publicada em Diário da República, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, lembra a importância do equipamento de monitorização contínua e do preenchimento dos diários de pesca para o controlo da actividade da pesca com a arte de ganchorra, um saco de rede com a abertura ligada a uma estrutura rígida que revolve o fundo do mar por arrasto, capturando, por exemplo, conquilhas ou ameijoas.
“Considerando a necessidade de assegurar o acompanhamento de todas as embarcações licenciadas para arrasto de portas, já realizada através da utilização de equipamento de monitorização contínua e utilização de diário de pesca, justifica-se que o mesmo se processe por via electrónica, prevendo-se um período de adaptação até final de 2017”, lê-se no diploma.
A ministra, tendo em conta a actual situação dos recursos explorados pelas embarcações licenciadas para a arte de arrasto de portas com malhagem 55 a 59 milímetros, nomeadamente a gamba-branca, defende no diploma a necessidade de assegurar “as condições adequadas” à operação daquelas embarcações, permitindo a realização de capturas acessórias de determinadas espécies, sem que essa prática desvirtue o tipo de pescaria exercida, a qual se destina, tradicionalmente, à captura de crustáceos.
“Entende -se, ainda, adequado promover uma maior participação dos profissionais da pesca na gestão dos recursos existentes desenvolvendo modelos de gestão participativa envolvendo a comunidade científica e a administração, razão que determina a criação de comissões de acompanhamento da pesca com ganchorra por zona.
Ainda quanto à pesca com ganchorra, a governante adaptou algumas das medidas de gestão e de controlo específicas para diferentes zonas e, paralelamente, tendo em conta as particularidades de operação na zona ocidental norte, nomeadamente a distância aos pesqueiros e as especificidades dos mercados, estabeleceu um novo horário para a pesca nesta zona e alterou as regras para a pesca na zona sul.
O diploma altera ainda a malhagem do saco de rede da ganchorra para a pesca da amêijoa-branca, pé-de-burrinho e conquilha.
Fonte: DNoticias

Aquecimento dos oceanos pode provocar extinção de espécies

O aquecimento da água dos oceanos pode provocar alterações ambientais profundas e, até 2100, a extinção de muitas espécies no mais vasto habitat do planeta Terra, o oceano profundo, indica um estudo divulgado.


Temperaturas mais elevadas, acidificação da água e o alargamento de zonas com pouco oxigénio são factores que irão "alterar drasticamente a biodiversidade do fundo oceânico entre os 200 metros e os 6.000 metros de profundidade", refere o estudo, publicado na revista especializada Elementa, que reúne informação recolhida por 20 dos principais centros mundiais de investigação oceanográfica.

"A biodiversidade em muitas das áreas do oceano profundo é definida pela escassez de alimento que chega ao fundo e nos próximos 80 a 90 anos essa já escassa quantidade de alimento poderá ser reduzida a metade em algumas partes do mundo", alertou Andrew Thurber, especialista em ecologia marinha na universidade de Oregon, Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
"Vamos provavelmente assistir a uma mudança no sentido da predominância de organismos mais pequenos num processo em que algumas espécies vão prosperar, outras vão migrar e muitas vão desaparecer", adianta Andrew Thurber no artigo publicado na Elementa.
O estudo cruzou informação dos 31 modelos de projecção do funcionamento dos "sistemas vitais" da Terra, desenvolvidos para o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, para fazer previsões sobre as alterações, até 2100, da temperatura, quantidade de oxigénio, acidez (nível de Ph) e quantidade de alimentos no oceano profundo.
A análise das projecções levou os investigadores a concluírem que a temperatura da água nos fundos marinhos abissais (entre 3.000 e 6.000 metros de profundidade) irá aumentar entre 0,5º celsius e um grau celsius no Atlântico Norte, no chamado Oceano do Sul e no Oceano Antártico, em relação aos valores actuais.
Temperaturas em profundidades batiais (entre 200 e 3.000 metros de profundidade) poderão aumentar ainda mais, atingindo até mais quatro graus celsius nos oceanos Pacífico, Atlântico e Ártico.
"Quatro graus pode não parecer muito no nosso dia-a-dia, mas é uma alteração de temperatura radical neste tipo de ecossistemas. É o equivalente a haver um verão quente pela primeira vez em milhares de milhões de anos", afirma Andrew Thurber.
O investigador sublinha que "o aumento da temperatura da água terá como efeito a aceleração do metabolismo dos seres vivos dos fundos oceânicos, significando que passarão a necessitar de mais alimento numa altura em que menos alimento estará disponível (devido à perturbação da circulação vertical de massas de água)"
Andrew Sweetman, investigador na universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, Reino Unido, reforça que o oceano profundo que normalmente é uma zona de pouca quantidade de alimentos passará a ser uma zona de fome aguda.
"As zonas abissais, abaixo dos 3.000 metros, são das regiões do planeta onde os alimentos são mais escassos. A quantidade de carbono (matéria orgânica) disponível por metro quadrado nestas zonas é inferior ao que existe num cubo de açúcar. O problema é que grandes áreas abissais verão esta pequena quantidade de alimento reduzida a metade. Se se tiver em conta que está em causa um habitat que cobre cerca de metade da Terra, o impacto global será enorme", explica Sweetman.
Os investigadores sublinham que a perturbação da circulação vertical de massas de água, gerada pelas diferenças de temperatura, que distribui oxigénio e nutrientes, terá impacto significativo nas populações das zonas costeiras, incluindo na pesca comercial, que visa cada vez mais recursos das zonas profundas.
"Se olharmos para a história da Terra, pode concluir-se que pequenas alterações no oceano profundo provocam alterações importantes na biodiversidade. E pode concluir-se que essas alterações foram provocadas pelos mesmos factores e impacto que os modelos (usados no estudo) prevêem que venham a acontecer num futuro próximo", adverte Andrew Thurber.
"Tendemos a pensar no oceano profundo como uma zona muito estável e demasiado vasta para sofrer impactos significativos, mas é necessário reconhecer que desvios pequenos ao equilíbrio existente são suficientes para alterarem radicalmente esse ecossistema", conclui o investigador.

Investigadores Europeus querem satélites para vigiar Oceanos

Vários investigadores do Porto, Vigo, e Noruega estão a participar num projecto que visa criar micro e nano satélites para monitorização dos oceanos de forma a recolher vário tipo de informações.


Investigadores do Porto, de Vigo e da Noruega estão a participar num projecto que visa criar micro e nano satélites para monitorização dos oceanos, transporte de informação entre diferentes locais e leitura de sinais de rádio emitidos por navios.
“A questão da oceanografia é hoje em dia muito importante porque Portugal pode ter cerca de quatro milhões de quilómetros quadrados no oceano Atlântico, espaço no qual vai passar 65% do tráfego que entra e sai da Europa”, disse à Lusa o Director do departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), Orfeu Bertolami.
De forma a controlar essa área, “Portugal precisa de ter meios, associando, no futuro, aos métodos tradicionais (navios e lanchas, entre outros), instrumentos automáticos não tripulados”, como os que são desenvolvidos na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), instituição envolvida neste projecto
Numa primeira fase, o trabalho dos investigadores passou por harmonizar os protocolos de comunicação desses mesmos veículos criados na FEUP com os pequenos satélites, desenvolvidos em Vigo, de modo a poderem trocar informação.
A equipa pretende também estudar, “entre muitas outras hipóteses”, a adaptação a esses pequenos satélites de um instrumento que permite colectar imagens em muitos comprimentos de onda, considerando-se este “um salto bastante importante” nesta área, indicou o Director.
Outro dos objectivos do projecto, que deu origem ao artigo “Pequenos satélites para a oceanografia: uma pesquisa” (“On small satellites for oceanography: a survey”, Ata Astronómica, 2016), é criar um grupo de pessoas capazes de desenvolver este tipo de tecnologia, de preferência em ambiente universitário, onde se pode encontrar estudiosos de várias áreas.
De acordo com Orfeu Bertolami, desde os anos 90 têm sido construídos satélites conhecidos como cubo (‘cube’), com cerca de dezenas de centímetros cúbicos, que têm uma estrutura modular e podem ser padronizados.
Existe também “um crescimento” de operações com pequenos satélites, impulsionadas, principalmente, “por uma necessidade académica e pedagógica, mas que tem demonstrado, mais recentemente, a sua viabilidade para operações mais ambiciosas”.
“Essas operações alavancaram e demonstraram a necessidade de desenvolver sensores destinados a observar a Terra, o que inclui monitorização, comunicação e testes de engenharia, não havendo, até à data, aplicações substanciais nas ciências do oceano”, acrescentou o Director.
Segundo os responsáveis pelo projecto, chegou o momento dos micro e nano satélites (com massa inferior a dez quilogramas e dois a três anos de desenvolvimento), projectados, construídos e testados para observação oceanográfica.
Um satélite é constituído, essencialmente, por um corpo e os instrumentos científicos. “Quando essas plataformas são muito pequenas, há pouca disponibilidade – especialmente energética – para conterem baterias, instrumentação ou rodas de estabilização pesadas, que permitem controlar os satélites”, explicou.
A energia solar, “única fonte de energia constante no espaço vizinho à Terra”, é convertida em electricidade para os instrumentos através de painéis solares, energia esta que é proporcional à área e ao tempo de exposição. “Pouca área significa pouca energia”, concluiu.
Para o investigador, estas limitações fazem com que as plataformas existentes actualmente sejam restringidas na sua capacidade de carregar instrumentação maior que o correspondente a uma máquina fotográfica.
O objectivo do Director do Departamento de Física, para além de poder construir este tipo de satélites na FCUP, no período de 18 meses, é operacionalizar alguns desses equipamentos. A longo prazo, pretende ainda produzir e operar uma constelação de pequenos satélites.
Neste projecto participam também os investigadores André Guerra e Frederico Francisco, ambos da FCUP, Jaime Villate, da FEUP, Fernando Aguado Agelet, da Escola de Engenharia de Telecomunicação da Universidade de Vigo (Espanha), e Kanna Rajan, da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega (Trondheim).
Fonte: Observador

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Bactéria que come plástico pode ajudar a salvar o planeta


Um colónia desta bactéria faz em seis semanas o que demora, no mínimo, um século a fazer no meio ambiente.
Uma equipa de cientistas japoneses descobriu uma bactéria capaz de comer plástica, o que poderá constituir uma importante ajuda para salvar o planeta.
Estima-se que um terço das embalagens de plástico escapem ao sistema de recolha e reciclagem e acabem na natureza. O Fórum Económico Mundial, que se realizou em Janeiro em Davos, Suíça, fez um alerta assustador: em 2050, se nada mudar, haverá mais plásticos do que peixes no mar. "O sistema actual de produção, de utilização e de abandono de plásticos tem efeitos negativos significativos: entre 80 mil milhões a 120 mil milhões de dólares (entre 73 mil milhões de euros a 109 mil milhões de euros) em embalagens de plásticos são perdidas anualmente. A par do custo financeiro, se nada mudar, os oceanos terão mais plásticos do que peixes (em peso) até 2050", indicou um comunicado do fórum.

Fonte: DN

Em 2050, pode haver no mar mais plástico do que peixe


Se recolhêssemos todo o plástico nos oceanos e o pesássemos, o seu peso seria 25 vezes superior ao da Grande Pirâmide de Gizé.

Há actualmente cerca de 165 toneladas de plástico nos oceanos, número que tende a aumentar de ano para ano.
Em 2050, haverá no mar mais plástico do que peixe, prevê um novo estudo da fundação Ellen MacArthur em parceria com o Fórum Económico Mundial.
Enquanto todos os peixes somariam 895 toneladas, os detritos não degradáveis de plástico vão superar os 937 toneladas.
Apenas 14% do plástico pode ser reciclado. O que não o é vai parar a lixeiras e aterros a partir de onde pode ir parar ao oceano, recorda este relatório, citado pelo Internacional Business Times.

O Simplex do Mar

A Factura Única Portuária constitui o documento de cobrança que agrega a liquidação e facturação de todas as entidades públicas prestadoras de serviços aos navios.




Depois de vários anos de "costas voltadas" para o mar, Portugal parece querer voltar a assumir a sua (natural) vocação atlântica.

As novas medidas e políticas do mar vêm confirmar esta percepção. Destacam-se, entre outras, a revisão do enquadramento normativo do ordenamento marítimo, a criação de um cluster científico aplicado à engenharia naval offshore e submarina (entre outros domínios), o aumento da capacidade das infraestruturas portuárias e, ainda, a criação de um verdadeiro Simplex do Mar, visando uma simplificação de processos a vários níveis, com a consequente diminuição da burocracia associada.

Inserida no âmbito do Simplex do Mar, foi recentemente publicada a Portaria n.º 14/2017, que vem estabelecer o procedimento de emissão, disponibilização e cobrança voluntária da denominada Fatura Única Portuária por Escala de Navio ("FUP"), já prevista no Regulamento do Sistema Tarifário dos Portos do Continente.


Em termos simplistas, a FUP constitui o documento de cobrança que agrega a liquidação e faturação de todas as entidades públicas prestadoras de serviços aos navios, no ato de despacho de largada, para cada escala de navio.

A FUP é cobrada aos navios pelas administrações portuárias competentes, que asseguram depois os pagamentos respectivos a todas as outras entidades envolvidas no processo (designadamente, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a Autoridade Tributária e Aduaneira, a Direcção-Geral da Autoridade Marítima e Direcção-Geral de Saúde).

Por outro lado, também os armadores dos navios farão um único pagamento - que poderão conhecer antecipadamente através de uma "pré-factura" - por meio de uma aplicação informática própria, a Janela Única Portuária ("JUP").

De acordo com as notícias recentemente publicadas sobre esta matéria, todos os portos do Continente já terão assinado com as autoridades competentes os protocolos de que dependia a implementação da FUP, sinal de que a medida terá uma aplicação efectiva em todo o "território portuário" nacional, o que se sublinha com agrado.

Para além da evidente poupança em termos financeiros, quer para a Administração Pública, quer para as entidades privadas, esta medida trará consigo uma importante simplificação de procedimentos e, bem assim, uma enorme poupança de tempo, que aliás já se vinha sentindo desde a implementação da JUP (sobretudo, ao nível da imobilização dos navios ao largo dos nossos portos).

Esta é uma medida que, com uma capa de aparente simplicidade, contribuirá, estamos em crer, para o reforço da tão desejada e necessária competitividade dos portos nacionais, no contexto europeu e atlântico, e será certamente recebida com agrado pela generalidade dos armadores nacionais e internacionais.

Em todo o caso, o Simplex do Mar não se fica, nem se pode ficar, por esta medida. Espera-se assim para breve o anúncio de outras iniciativas que venham consolidar esta crescente aposta no mar português, iniciativas a que, naturalmente, estaremos atentos. 

O pequeno piolho marítimo que está a encarecer o salmão


Grelhado, assado ou cru num belo sushi, todos gostamos do peixe mais alaranjado dos mares e dos pratos, mas se, desde 2016, o tem notado mais caro, não estranhe. Anda nos mares uma ameaça nova que tem comprometido a sua produção.
O Lepeophtheirus salmonis é mais comumente chamado de piolho do salmão e, como se instala externamente no corpo do seu hospedeiro, é um exoparasita. Está a atacar sobretudo os peixes do atlântico e a fazer subir o seu preço para níveis sem precedentes.
A disseminação severa desta epidemia de piolhos do mar na Noruega e na Escócia juntou-se a uma outra disseminação, a de algas tóxicas no Chile (segundo maior produtor de salmão depois da Noruega) em 2016, e a produção tem sofrido bastante com isto - caiu em cerca de 9%.
De acordo com as análises feitas na indústria de peixe, esta descida deve continuar até ao fim da primeira metade de 2017, por causa do piolho. A infecção tem também afectado, não exactamente com a mesma expressão, outros peixes como a garoupa, a tainha e o robalo e pode gerar perdas económicas de mais de 280 milhões de euros.
Os países que têm sofrido com o aumento dos preços são, genericamente, todos os consumidores mas, segundo a imprensa britânica, no Reino Unido, por exemplo, o salmão é quase um luxo. Os preços do salmão da Noruega subiram 40% em 2016 (em relação 2015) e, segundo o Financial Times, os preços deverão manter-se este ano até que o peixe volte a ter o tamanho ideal.

DE ONDE VEM O PARASITA E PORQUE NOS AFECTA

Estes parasitas sempre fizeram parte dos ecossistemas marinhos mas nem sempre representaram um problema.
Estes piolhos instalam-se no peixe e alimentam-se do seu sangue, muco e pele, alterando o sistema imunitário dos peixes e tornando-os muito mais vulneráveis. Um salmão selvagem adulto consegue viver com 1 ou 2 parasitas hospedados mas quando depois vai até ao rio para pôr os ovos que garantem a sua reprodução e entra em contacto com a água doce, acaba por morrer, uma vez que, com o sistema imunitário enfraquecido, dependem da salinidade da água.
As defesas em baixo aumentam também a probabilidade de os peixes contraírem outras infecções que os tornem impróprios para consumo. E mesmo que nenhuma destas consequências se verifique e o peixe sobreviva, também há, naturalmente, um limite de parasitas estabelecido para aceitar (passar na inspecção alimentar) os salmões no circuito de venda para consumo humano.
"O problema aumenta quando temos populações de salmão confinadas em ecossistemas intensivos onde estão centenas de peixes", explica Fernando Mardones, epidemiologista e professor assistente na Universidade André Bello no Chile.
Desde os anos 70 que o sector tem procurado estratégias que resolvam estas epidemias mas até agora ainda nenhuma foi 100% eficiente, até porque os parasitas também têm as suas estratégias e estão cada vez mais resistentes.

O PESO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

A relação não é directa mas, de facto, o aquecimento global do planeta, e das águas, tem promovido a abundância destes parasitas.

Fonte: Visão

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Revelada foto de Surf no Havaí com 120 anos


É uma verdadeira relíquia e pode muito bem ser a fotografia de surf mais antiga do Mundo. A imagem tem 120 anos e pertence a um fotógrafo inglês que esteve no Havai no final do século XIX. Segundo noticiou o jornal britânico "Daily Mail", foi agora revelada e prepara-se para ir a leilão juntamente com outras preciosidades que demonstram o estilo de vida havaiano da época.

Herbert Smith deixou o porto de Liverpool em 1983 navegando até Honolulu, actual capital do Havai. Por lá encontrou uma realidade pura e bastante diferente. Dessa forma decidiu escrever cartas para documentar a experiência, às quais juntou várias fotografias dos nativos e das paisagens locais. O álbum de 62 imagens foi mantido pela família de Smith e só agora foi revelado.

O leilão do álbum das imagens vai iniciar-se no próximo dia 1 de março e especula-se que a família pretenda 2.500 libras, aproximadamente 3 mil euros, pelo mesmo. Herbert Smith viveu no Havai durante a parte final da última década do século XIX, uma altura dramática para o povo havaiano, com o território a acabar por ser anexado pelos Estados Unidos em 1898.

Entre as dezenas de fotos encontra-se inclusivamente uma imagem de camponesas a trabalhar arduamente, sendo que, segundo as cartas que a família detinha, algumas são de origem portuguesa e outras de origem japonesa. No que diz respeito à imagem de surf, é possível ver dois nativos sem roupa a carregarem as pranchas pelo areal de Hilo Bay, uma larga baía situada na costa este da Big Island e que seria um spot de surf concorrido na altura.

O Havai é o berço do surf, sendo que os primeiros relatos de nativos a deslizaram nas ondas em pedaços de madeira remontam ao século XVIII, altura em que se acredita ter sido inventado o desporto pelo povo polinésio. O tenente James King foi a primeira pessoa a escrever sobre a prática de surf no Havai, em 1779. Já Mark Twain descreveu em 1866 a prática como sendo "o passatempo nacional".

Na altura em que as fotos foram tiradas, é muito provável que o surf ainda não se tivesse expandido do Havai para o resto do Mundo. Esse é um fenómeno que acontece no início do século XX. As imagens impressionam também pelo paralelismo que estabelecem entre o modo de vida dos nativos havaianos e a actualidade, sendo muitas as diferenças evidenciadas.