sábado, 22 de outubro de 2016

Siemens Portugal apoia modernização dos portos nacionais



A subsidiária portuguesa da Siemens foi escolhida como hub internacional de engenharia de sistemas de movimentação de carga pela empresa mãe, na Alemanha.
O trabalho que a Siemens Portugal tem feito no desenvolvimento de tecnologia e modernização dos portos portugueses levou a que fosse chamada para participar em projetos mundiais. A empresa tem trabalhado em portos marítimo na Europa, nos Emirados Árabes Unidos, no Egipto e em Aruba. As soluções permitiram a estes portos poupanças de energia de cerca de 70%.
Em Portugal, a Siemens contribui para a poupança de 8.7 milhões de euros e a diminuição das emissões de CO2 em 74 mil toneladas desde 2001. De acordo com a empresa, a tecnologia permitiu o aumento da capacidade de movimentação de carga, assim como melhorar o desempenho energético das infraestruturas portuárias portuguesas.
Com maior potencial de crescimento em Portugal estão os portos de Leixões, Lisboa, Aveiro, Setúbal e Sines que têm sido transformados de forma a responder aos desafios internacionais e tornarem-se a vanguarda portuária. O porto de Sines que foi equipado com tecnologia Siemens no primeiro semestre de 2016 cresceu 10,5%.
As tecnologias mais recentes são na área do controlo de acionamentos regenerativos, que devolvem à rede energia da movimentação de contentores (quando descem ou desaceleram) e software de controlo. Estes permitem “controlar o balanço dos contentores, aumentando a segurança, o que permite encurtar os percursos feitos pelos contentores e, por consequência, o tempo que demora a completar um ciclo, aumentando a produtividade.” assegura a Siemens.
Fonte: Bit

Mundo vive uma explosão na população de águas-vivas?


Ao longo da última década, surgiu uma especulação de que as águas-vivas estariam prestes a tomar conta dos oceanos. Muitos cientistas chegaram a defender que as populações destes animais estariam aumentando em todo o mundo em certas épocas e regiões do planeta.

No entanto, segundo uma pesquisa recentemente publicada pela revista Global Ecology and Biogeology, esta ideia parece não ter fundamento, devido a problemas na metodologia de estudos anteriores.
A bióloga Marina Sanz-Martín e seus colegas do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados, na Espanha, resolveram analisar a literatura científica sobre os surtos desses animais desde antes de 2012. Eles acabaram por descobrir que muitos cientistas que discursavam sobre o assunto não estavam bem fundamentados.
“Há uma tendência de um artigo acabar validando e dando solidez a outro anterior apenas por citá-lo. Isso significa que algumas descobertas são exageradas ou até distorcidas de uma pesquisa para a outra”, disse Sanz-Martín.
Segundo ela, praticamente metade dos estudos analisados citavam outros artigos de maneira incorrecta, mas um deles se mostrou particularmente sujeito a falhas de interpretação. A cientista Claudia Mills publicou um artigo em 2011, questionando se o mundo estaria às vésperas de um surto global desses animais. Sem uma reposta definitiva, ela intitulou o trabalho de “As populações de águas-vivas estão aumentando globalmente em reposta às mudanças nas condições dos oceanos?”.
Apesar de Mills não ter chegado a uma resposta definitiva no seu artigo, muitos cientistas acabaram citando o trabalho, assumindo que ela defendia o “sim”. Anos depois num congresso sobre surto de águas-vivas na Califórnia, a cientista testemunhou o impacto de seu trabalho. “A maioria dos presentes acreditava que as populações estavam aumentando. Foi um choque perceber que nenhum deles se dignou a ler meu artigo, que na realidade era bem equilibrado”. Para a investigadora, a própria quantidade de estudos disponíveis pode ser uma das causas do problema. “É muito difícil lidar com tanta informação e conseguir um equilíbrio de argumentos”.
Segundo um estudo de 2010, 25% das citações que aparecem em artigos de biologia marinha são distorcidos ou mal interpretados. As descobertas de Sanz-Martín, entretanto, não significam necessariamente que as populações não estejam aumentando. O que elas dizem é que a maior parte das evidências que existem actualmente não é confiável.



Oceanos da Melanésia 'valem' 548 biliões de dólares


Os oceanos da Melanésia, na Oceania, "valem" 548 biliões de dólares, e os líderes da região devem se mobilizar para fazer uma gestão sustentável deste recurso, afirma um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), divulgado na passada terça-feira.
Este estudo é uma versão local para esta área do Pacífico, do estudo global que a organização com sede na Suíça publicou em Abril de 2015, no qual calculava, em uma "estimativa conservadora", o "valor económico" dos oceanos do mundo em 24 triliões de dólares.
A Melanésia é uma vasta região de 8,7 milhões de habitantes que compreende os territórios da Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Nova Caledônia, Vanuatu e Fiji.
Produzido conjuntamente com o Global Change Institute da Universidade de Queensland e o Boston Consulting Group (BCG), este relatório calcula o "valor" dos oceanos através das estimativas correspondentes aos ecossistemas oceânicos, aos recursos marinhos, ao turismo e ao seu potencial de absorção de carbono (o que reduz as consequências das mudanças climáticas).
No entanto, afirma que esta avaliação se encontra abaixo da realidade, porque ignora deliberadamente actividades cujos benefícios não podem ser quantificados.
Recursos ameaçados
Aplicando sempre esta leitura económica, o WWF determina a riqueza anual criada pelos oceanos da Melanésia. Calculado da mesma forma que um PIB nacional, este "produto marinho bruto" (PMB) anual da região é estimado em 5,4 biliões de dólares.
"No entanto, a pressão humana, cada vez maior, em particular a sobrepesca, o desenvolvimento costeiro não planeado, a poluição gerada pela agricultura e pela indústria mineira, assim como as mudanças climáticas, degradam rapidamente importantes activos das águas melanésias, o que põe em perigo os benefícios que geram", afirma o relatório.
O estudo observa que a pesca representa actualmente mais de 50% do "PMB" da Melanésia. Porém, levando em conta o crescimento demográfico actual, a Melanésia deveria pescar 60% mais para conseguir alimentar a sua população em 2030.
"Não existe dúvida de que o oceano é o principal recurso da Melanésia há muito tempo", indica em um comunicado Ove Hoegh-Guldberg, da Universidade de Queensland.
"A pergunta que se formula então é: quanto tempo este durará?", acrescenta.
O WWF insta os líderes da Melanésia a "se orientarem para um desenvolvimento sustentável", com uma "liderança visionária".
"Os países da região deverão tomar iniciativas audazes e decisivas", continua a ONG, que faz várias sugestões para alcançar os objectivos, em particular a criação de "zonas marítimas geridas localmente".


Um musical infantil para aprender tudo sobre os Oceanos


Vasco, a Pat Sardinha e o Pinguim Joaquim são os protagonistas de uma grande aventura: “A Incrível Fábrica dos Oceanos”.
Até 4 de Fevereiro, assista, no Auditório dos Oceanos, no Parque das Nações, em Lisboa, a um musical infantil onde as suas crianças vão aprender mais sobre a conservação e protecção dos nossos mares e do planeta. 

A história:
Nesta aventura o Vasco parte para uma missão muito especial e conta com a ajuda da bióloga Pat Sardinha que, a partir do Centro de Controlo da casa do Vasco, dará todo o apoio à operação.
O Vasco e a Pat, dois apaixonados pelas belezas dos oceanos, vão guiar-nos numa viagem cheia de surpresas. A Incrivel Fábrica dos Oceanos é o mote. O vasto território marítimo de Portugal, o cenário.

Mas algo de muito estranho começa a acontecer… os sinais vitais dos Oceanos parecem estar em desequilíbrio. Será da acumulação de lixo plástico? Será do aumento da temperatura global do Planeta?
O pior é que os seus efeitos já se fazem sentir. Devido às alterações das correntes, o Pinguim Joaquim e a sua jovem filha perderam-se e estão muito longe de casa. Longe das temperaturas
geladas da Antártida os pinguins podem não sobreviver.

O Vasco e a Pat têm agora uma missão muito importante. Talvez a mais importante de todas – ajudar os pinguins e restabelecer o equilíbrio dos oceanos e do planeta. E a ajuda de todos os
trabalhadores da Fábrica dos Oceanos – o mais incrível e maravilhoso engenho que existe no nosso planeta – pode ser fundamental.

Esta é uma aventura para todas as idades, cheia de cores e de amizades que vão durar para sempre. Através desta história vamos todos aprender a respeitar e a amar um bocadinho mais os nossos oceanos. E vamos sobretudo mergulhar num mar de emoções impossíveis de esquecer!

O Ministério da Educação apoia e considera o projecto “A Incrível Fábrica dos Oceanos” de interesse educativo.

Bilhetes:
Auditório dos Oceanos, Parque das Nações, Lisboa - 8 de Outubro a 4 de Fevereiro 2016
Sessões exclusivas para escolas:
Segunda a sexta 11:00 e 14:30
Idades: A partir dos 2 anos

Sessões aos sábados, às 16h30 para público em geral.
Compre já o seu bilhete: aqui

Preço: 8€ por aluno
Entrada gratuita para educadores e auxiliares (Nº Limitado)

Preço especial: 7€ por aluno, para sessões realizadas até ao dia 28 de Outubro.
Faça já a sua marcação: carolina.venancio@plano6.pt / 213 304 152
Uma coprodução Plano 6 e Oceanário de Lisboa

“Mar de Sines” no Leste Europeu


Depois de vencer o prémio de “Melhor Filme Etnográfico” no Festival Internacional do Filme Etnográfico do Recife, Brasil, o documentário que mostra a herança piscatória de Sines continua a viajar pelos festivais internacionais dedicados à tradição e ao património imaterial. A escala mais recente do filme “Mar de Sines” foi o festival Ekofilm, que decorreu de 13 a 15 de outubro, em Brno, na República Checa.
Já na sua 42.ª edição, o Ekofilm é um dos festivais de cinema mais antigos baseados no ambiente. Ao festival de 2016 concorreram 1500 filmes, tendo ficado selecionados apenas 20, 10 na categoria “Ambiente” e 10 na categoria “Património”, sendo nesta segunda categoria que “Mar de Sines” esteve representado.
O filme dedicado aos pescadores de Sines foi apresentado à audiência do festival, a membros do Instituto Camões em Praga e a estudantes universitários checos que estão a aprender português em Brno.
A comitiva de Sines na República Checa foi composta pelo realizador, Diogo Vilhena, pelo produtor, António Campos, e pelo responsável pelo Museu de Sines, Ricardo Pereira. Os custos da deslocação foram suportados pela organização do festival e pela Câmara Municipal de Sines, com o apoio da Mútua dos Pescadores e da empresa EmViagem.
O próximo festival em que “Mar de Sines” vai aportar chama-se Zero Plus, a realizar em Tyumen (Sibéria, Federação Russa), de 27 de novembro a 3 de dezembro, tendo como destinatário o público juvenil.
Paralelamente, está a iniciar-se a exibição do filme para turmas de todos os níveis de ensino das escolas de Sines.
Produzido pela Câmara Municipal de Sines, o documentário “Mar de Sines” representou um investimento de €41 413,32, cofinanciado em 75% pelo PROMAR – Programa Operacional Pesca 2007-2013 / Governo de Portugal – Ministério da Agricultura e do Mar / Fundo Europeu das Pescas / União Europeia. A ADL – Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejo foi o parceiro gestor do GAC Além Tejo.

Governo quer reabrir negociações com a PSA Sines


O Governo PS, através da sua Ministra Ana Paula Vitorino manifestou o desejo na expansão do Terminal XXI quanto antes e do interesse em avançar para as negociações com a PSA Sines, que detem a concessão do Terminal XXI. Falando nas Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, Ana Paula Vitorino, afirmou que o Governo decidiu já a “ampliação imediata, tão rápido quanto possível, do Terminal XXI”, concessionado à PSA, pelo que a “renegociação [com a multinacional de Singapura] terá de começar já”. A Ministra mencionou ainda a intenção de avançar “também a criação do Terminal Vasco da Gama”, uma ideia que não é nova, que prevê um novo terminal de contentores perto do já existente. Com a futura expansão do Terminal XXI e a aposta no novo Terminal Vasco da Gama, a capacidade anual actual de movimentação de 2,1 milhões de TEU, irá passar para 4,5 milhões de TEU por ano, se o projecto se concretizar. Outra parte da estratégia para Sines passa igualmente pelo investimento no GNL para que Sines seja uma “referência para portos de transbordo”, e para valorizar o Terminal GNL existente para o acolhimento preferencial dos navios do Canal do Panamá que precisam de fazer transbordo, o que irá fazer com que haja a necessidade de um novo pipeline. A governante acredita que todos os projectos são essenciais para Sines e Portugal aproveitar ao máximo o alargamento do Canal do Panamá.

Falta de ferro deixa um terço dos oceanos com anemia

O ferro, presente no pó atmosférico, actua como um fertilizante natural dos oceanos e é importante para o crescimento do fitoplâncton.



Um terço dos oceanos está anémico, especialmente ao redor da Antárctida, devido à falta de nutrientes como o ferro, o que gera a presença de grandes porções de “desertos” marítimos.
O ferro, presente no pó atmosférico, actua como um fertilizante natural dos oceanos e é importante para o crescimento do fitoplâncton, que produz grande parte do oxigénio que se respira no planeta.
Além disso, estes organismos microscópicos que se encontram na superfície marinha absorvem o dióxido do carbono, um dos gases que provocam o efeito estufa.
“Os oceanos não estão em condições óptimas no que se refere ao crescimento do fitoplâncton e algumas partes estão desérticas. Isto não significa que não estejam sãos, mas o ecossistema poderia ser mais produtivo e ter mais vida”, disse à Agência Efe Andrew Bowie, oceanógrafo químico da Universidade da Tasmânia.
Bowie fez parte de uma equipe que este ano estudou o papel das partículas da atmosfera que são arrastadas da Austrália continental rumo ao mar, a bordo do navio “Investigator” da Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (CSIRO).
O trabalho se centrou na análise da presença de micronutrientes como o ferro, além de outros minerais e metais como o cobre, cobalto, níquel, manganês, que vão parar em mares próximos em consequência de incêndios florestais ou outros tipos de emissões.
“Algumas águas do norte da Austrália parecem ter ferro suficiente para o crescimento do fitoplâncton, mas a falta de nutrientes necessários para o crescimento destes microrganismos e a baixa actividade de ferro se reflecte na anemia das águas antárcticas”, declarou Bowie.
“O oceano Antárctico está muito longe da Austrália e da América do Sul, é realmente remoto e a principal fonte de ferro tem que ser atmosférica e de partículas de pó. Mas está tão longe que não recebe a quantidade suficiente de ferro e por isso está anémico”, ressaltou.
Uma excepção são as águas que rodeiam a ilha Heard, situada em uma zona sub-antártica cerca de 4 mil quilómetros ao sudoeste de Perth, onde há abundância de ferro que, segundo os cientistas, poderia proceder de vulcões submarinos.
Bowie e sua equipe tentam elaborar um mapa que indique como estes elementos entram no oceano desde o território continental australiano e medir, com instrumentos sofisticados, a presença dos nutrientes no mar, o que o cientista descreve como buscar uma cabeça de alfinete em 200 mil piscinas olímpicas.
A outra face da moeda é que uma pequena variação na quantidade de ferro pode mudar a situação dos oceanos para melhorar rendimento no crescimento do fitoplâncton.
As causas da anemia dos oceanos ainda são desconhecidas para os cientistas, assim como a correlação entre uma alta presença de ferro e a pesca.
Também não se vislumbra com clareza o que poderia ocorrer no longo prazo com a mudança climática, embora uma das hipótese é que poderia mudar a forma como o ferro se arrasta até essa área.
Os especialistas cogitam a possibilidade de que em um cenário de mudança climática, com continentes mais secos e uma maior desertificação, possa ocorrer um aumento de ventos que consigam arrastar ferro até a Antártida e promover o crescimento do fitoplâncton.
“É muito difícil saber como será este processo em longo prazo. Estamos estudando como é transportado desde a Austrália continental e talvez possamos prever como mudaria no futuro”, disse Bowie, que espera que os dados de sua pesquisa lhe deem algumas pistas no final do ano. 
Fonte: Exame

Ministra do Mar promove exploração marítima na Noruega


A Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirmou estar confiante de que Portugal tem condições para captar investimento estrangeiro para a exploração sustentável e duradoura dos recursos do mar.
À margem da Convenção Biomarine, a decorrer na Noruega, Ana Paula Vitorino aproveitou para anunciar um programa de incentivos ao investimento com um conjunto de medidas destinadas a simplificar e potenciar o investimento privado.
A ministra sublinha que estas medidas de simplificação e apoio financeiro “tratam-se de um incentivo e não de um substituto do papel do sector privado que necessita de ter condições para investir mas precisa também de assumir os riscos de investimentos que devem ter um grande potencial de rentabilidade”.
Durante a convenção Biomarine, a ministra teve várias reuniões bilaterais com Ministros da Noruega, do Canadá e da Argentina onde foram discutidas áreas prioritárias de actuação para cada um dos países, que deverão ser em breve formalizadas.
Ana Paula Vitorino esteve também reunida com várias empresas norueguesas dos sectores da agricultura e bioeconomia marinha para apresentar as novas oportunidades de investimento nos domínios da produção e das novas soluções tecnológicas em Portugal.


O fundo do Mar esconde os diamantes mais valiosos do mundo

O fundo do mar esconde muitos tesouros mas talvez o maior de todos tenha sido descoberto pelo grupo De Beers, ao longo da costa da Namíbia, em África. Os diamantes mais valiosos do mundo.


A maior empresa de diamantes do mundo, a De Beers, está a investir milhões de dólares na Debmarine Namibia, uma operação de mineração marinha de diamantes, ao longo da costa de África. É caso para dizer “diamonds are the De Beers best friends“.
A uma dúzia de milhas ao largo da extremidade sudoeste da costa atlântica de África, uma máquina de vácuo de 285 toneladas opera a 120 metros pés abaixo do nível do mar, para encontrar e extrair os diamantes mais valiosos do mundo do fundo do oceano.

A máquina de 9 milhões de euros faz parte de uma operação única de mineração marinha de diamantes, designada Debmarine Namibia. Trata-se de uma aventura conjunta entre a De Beers, uma unidade da Anglo American e o governo da Namíbia. A mina marinha emergiu como um veículo raro de receitas nos mercados de matérias-primas, que estão a definhar nos dias de hoje.
A remota e ‘secreta’ operação, descoberta pelo The Wall Street Journal, só é acessível a partir de uma viagem, de 30 minutos, de helicóptero desde Oranjemund, uma cidade construída para os trabalhadores da indústria de mineração de diamantes e para as suas famílias, na zona de Sperrgebiet — “Forbidden Area” — onde uma vez se extraiu uma pá cheia de diamantes das dunas.
Anglo American, outra empresa de mineração, está a cortar custos, descarregando a maioria dos seus activos e despedindo mais de metade dos seus funcionários. Mas a De Beers está a investir na cada vez mais lucrativa operação marítima de mineração, que está a render alguns diamantes da melhor qualidade do mundo. Operações como a Debmarine destacam como o iminente encerramento das minas mais antigas e a iminente escassez de diamantes estão a forçar os mineiros a explorar novas tecnologias e reservas.
Não metemos o pé no acelerador de qualquer investimento”, afirma BruceCleaver, o chefe-executivo da De Beers.
Para a expansão submarina, o grupo conta ainda o navio SS Nujoma, no valor de 166 milhões de dólares, mandado fazer para a operação, que chegou à Cidade do Cabo, a partir da Noruega, em Agosto. De Beers diz que o barco irá praticamente duplicar o número de pedras preciosas descobertas por dia, no fundo do mar.
Como há pouca perturbação, a De Beers diz que o impacto ambiental é pequeno comparado com a mineração em terra.
Não transformamos quilómetros e quilómetros de área no mar. Os nossos fundos marinhos recuperam — não é uma destruição total” disse Jan Nel, gerente de operações da Debmarine. “Nós não usamos químicos e devolvemos todos os materiais, excepto os diamantes”.
Mas muitos questionam a prática e os seus efeitos sobre um ecossistema relativamente inexplorado. “Não há muito conhecimento sobre o impacto destas técnicas” argumenta Emily Jeffers, advogada do Center for Biological Diversity.
Sabemos mais sobre a superfície da lua do que sobre o fundo do oceano”, diz Jeffers.
Os navios da Debmarine empregam tecnologia de muitas indústrias diferentes — desde a perfuração de petróleo até à conservação de fruta — para criar um sistema único de exploração mineira marinha de diamantes. A bordo dos navios seguem máquinas de recuperação de diamantes, que moem as rochas, do fundo do mar, com esferas de aço. Para cada 180 toneladas moídas, é quase recuperada uma mão-cheia de diamantes.
Na sala de recuperação de alta segurança — onde os diamantes e outras pedras passam por máquinas de raios X — os funcionários têm de passar um cartão e a sua impressão digital pelo leitor, para conseguirem entrar e são rigorosamente revistados à saída.
Os diamantes são finalmente colocados num recipiente selado, semelhante a uma lata de sopa, e guardados num cofre. Um helicóptero, algumas vezes por semana, leva os diamantes para Windhoek, a capital da Namíbia, para analisar a sua pureza e classificá-los.
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Até agora, as operações da De Beers na Namíbia minaram cerca de 16 milhões de quilates no mar e cerca de 6 milhões na terra. A Debmarina acredita que no mar, existe pelo menos a mesma quantidade de diamantes já extraída da terra.
Debmarine tem uma licença de mineração exclusiva para perto de 2.300 milhas quadradas de área offshore e tem explorado menos de 3% dessa área. O grupo acredita que pelo menos um quarto da área tem diamantes, o que deve levar cerca de 50 anos a extrair, disse Jan Nel.
Fonte: Observador

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Pepinos-do-Mar da Ria Formosa quase na extinção.


A Investigadora Mercedes Gonzalez-Wanguemert do Centro do Ciências do Mar da Universidade do Algarve ainda tem dificuldade em acreditar nos últimos dados: em menos de dois anos, desapareceram três quartos da população de pepinos-do–mar em vários pontos da Ria Formosa, sobretudo a espécieHolothuria arguinensis. Na Armona, onde a densidade era 120 indivíduos por hectare, restam agora menos de 30.
Na Barrinha de Faro, não só diminuiu a população, como o que resta são animais pequenos, pois todos os reprodutores de maior porte foram alvos de uma razia.
«Há quem diga que, se calhar, estão a mudar as condições naturais e, por isso, não há tanta densidade. Não é verdade. Estamos constantemente a monitorizar a Ria Formosa e não vimos grandes alterações a nível ambiental que justifiquem o desaparecimento rápido dos pepinos- -do-mar. O que estamos a ver é cada vez mais gente a apanhá-los. Isso sim, está a mudar», aponta a cientista ao «barlavento». Desde 2014 que Mercedes Gonzalez-Wanguemert, alerta para um vazio legal.
«Há um regulamento de 2010 que inclui três espécies de holotúrias, mas nenhuma é a que está na Ria Formosa. Duas estão a grande profundidade, só são capturadas no arrasto. E a terceira tem baixo valor comercial». Sendo que para esta zona húmida, «não temos legislação específica.
O regulamento do Parque Natural permite que sejam apanhados até dois quilos por pessoa por dia», exceto nas zonas da Armona e Tavira, onde, por ironia, «se verifica a maior perda de biomassa».
Mercedes lembra que destes animais «depende a qualidade da água e dos sedimentos, pois estão sempre a limpar os fundos. Os juvenis estão na cadeia alimentar de muitas espécies de peixes. E servem também de alimento às estrelas do mar».
Redes ilegais pagam bem Mercedes Gonzalez-Wanguemert não tem dúvidas que existe uma rede de recetadores. «A maior parte do processamento ilegal que conhecemos é em Olhão. Há uma pequena máfia oriental que paga entre 1 a 1,50 euros por cada pepino-do-mar. Numa maré, é fácil apanhar até 80 indivíduos», diz.
«Falo com os mariscadores e eles perguntam-me: sabes quanto tempo tenho de trabalhar nas ostras, ou apanhar lingueirão, para ganhar 80 euros em menos de uma hora?». «Só em 2016, a Polícia Marítima apreendeu mais de 600 quilos. Ora estima-se que as autoridades só conseguem apanhar entre cinco a 10 por cento do total das pescas ilegais.
Neste momento está a haver uma razia e já não é apenas na Ria Formosa. Estamos a ver isto acontecer em Albufeira, Sagres, Olhos de Água», avisa a cientista. O lucro é fácil e rápido, sobretudo para os receptores.
«Hoje na China, vendem-se pepinos-do-mar secos a 300/400 euros por quilo. Os de maior qualidade chegam aos 5000 dólares por quilo, em seco», estima. «Um indivíduo adulto pesa, em fresco, no mínimo, 500 gramas. Mesmo com uma perda de 80 a 90 por cento do peso em água no processo de secagem, ainda dá uma margem de lucro confortável».
Contudo, Mercedes desconfia que não é apenas a apanha manual que está a fazer os estragos. «As mudanças de densidade são tão brutais ao longo da Ria Formosa que têm de ser consequência de uma pesca mais industrial» com recurso a mergulhadores.
Herança genética em risco 

«Não quero ser pessimista, mas se continuamos assim e se nada for feito, caminhamos para a extinção na Ria Formosa. Estas espécies são denso dependentes para a reprodução. Precisam de altas densidades de reprodutores para terem êxito reprodutivo e gerar juvenis», explica esta investigadora contratada pelo programa IFCT da Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
«Fizemos estudos e a diversidade genética da Holothuria arguinensis na Ria Formosa é brutal» diz, quando comparada com outras populações. «Isto significa que têm uma capacidade muito grande nos genes para serem melhores, pesarem mais e crescerem mais rápido», com grande potencial para a aquacultura. O Centro do Ramalhete, neste momento, é um refúgio e uma salvaguarda deste património genético autóctone. Ali vivem em cativeiro vários reprodutores nativos da Ria Formosa para investigação científica.
«O ICNF cedeu-nos algumas parcelas no exterior, pois a partir de certa fase do desenvolvimento, os pepinos–do-mar precisam de espaço para crescerem. O problema é que não podemos pôr indivíduos fora do Centro, porque serão roubados», lamenta.
Repovoar é possível Mercedes garante que vai levar o problema a Lisboa à Secretaria de Estado das Pescas. «Vamos apresentar todos os dados actuais e explicar que a situação é muito grave. Achamos que de tem ser feita uma avaliação oficial do stocks da Holothuria arguinensis» ao longo de toda a Ria, e de todo o Algarve», defende.
Com a biotecnologia ao nível da reprodução que tem vindo a ser desenvolvida no Centro do Ramalhete desde 2014, pela professora Mercedes Wangüemert e o seu estudante de doutoramento Jorge Domínguez, seria possível fazer um restocking na natureza. «A capacidade de criar indivíduos é infinita. Há fêmeas que têm até 9 milhões de ovos. E todos são fecundados», explica.
Seria uma acção a longo prazo, dadas as taxas actuais de crescimento em cativeiro. «A aquacultura não é uma solução para a sobrepesca. Mas pode ser uma medida para reverter a situação e repor as populações naturais da Ria Formosa», considera. Para esta cientista, «é preciso legislar. A Ria tem recursos incríveis e devia estar mais protegida».
Potencial económico Em 2014 a equipa de Mercedes Gonzalez-Wanguemert conseguiu com sucesso a reprodução induzida de holotúrias no CCMAR da Universidade do Algarve. Neste momento, conta com financiamento da FCT para o projeto CUMARSUR. E também é apoiada por fundos privados da empresa espanhola «Sayanes Mar», com interesses no mercado chinês e japonês (para onde exporta polvo e peixe) e aquaculturas de camarão, no Panamá.
«Estamos a optimizar todo o processo de produção de Holothuria arguinensis numa perspectiva comercial, para a produção empresarial», a instalar numa zona de marisma parecida à Ria Formosa. O progresso é tal que os juvenis nascidos em Setembro de 2015 no Centro do Ramalhete já estão maiores que os pioneiros nascidos em 2014. Está também em estudo a reprodução induzida e manutenção de juvenis de outra espécie de interesse comercial e presente na Ria, Holothuria mammata.
«Temos dietas para melhorar o seu crescimento, mas são naturais, com algas e ervas marinhas. E estudamos tratamentos naturais das suas doenças de forma a não introduzir antibióticos no meio ambiente» frequente nas aquaculturas de peixe. «Estamos ainda a colaborar com um consórcio que quer fazer a cultura de holotúrias em Angola. Hoje, quase todo o investimento está a ser canalizado para a água doce, mas há fundos internacionais disponíveis para projectos com espécies do mar», explica. A cientista refere ainda a «colaboração com várias empresas portuguesas para a avaliação do uso de holotúrias em co-cultura com ostras e algas». Em termos financeiros «não tem nada a ver os custos de produção da aquacultura de peixe, é muito mais barato, e consegue-se ter uma maior rentabilidade maior».

Repovoar hoje cavalos marinhos na Ria seria 

«libertar animais para serem mortos»

Jorge Palma investiga os cavalos marinhos da Ria Formosa, as espécies Hippocampus hippocampus (focinho curto) e o H. guttulatus (focinho longo), desde 2007, no âmbito de um pós-doutoramento financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
«Na altura, começámos a tentar reproduzi-los em cativeiro. Havia algumas informações, mas nada de relevante em termos científicos». Uma tarefa que se mostrou complicada no início, pois foram necessários mais de dois anos para conseguir o primeiro caso de sobrevivência.

«Ultrapassadas as barreiras, temos tido gerações consecutivas», explicou o investigador ao «barlavento», no Centro do Ramalhete, uma infraestrutura da Universidade do Algarve gerida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve. Seguiu-se um trabalho de campo «em ambiente natural, para perceber o acentuado decréscimo das populações que se verificou, desde 2000. Identificámos algumas causas, que passam sempre pelo impacte humano, quer através da destruição de habitats, quer da pesca ilegal que agora ainda mais se verifica», apontou ao «barlavento».
«Os cavalos marinhos têm cauda preênsil e agarram-se a qualquer coisa. Apenas se movimentam para alimentação ou reprodução. Por isso, se o coberto vegetal for destruído, eles ficam sem abrigo».
«Temos tido relatos de pesca ilegal na Ria Formosa. Chegou ao nosso conhecimento a captura de milhares de indivíduos e isso tem um impacto brutal. Não temos dados concretos, mas em mergulhos recentes, temos dificuldade em encontrar cavalos marinhos, em locais onde ainda havia algumas populações estáveis», apontou.
«As pessoas matam, secam e envernizam os cavalos marinhos, porque acham que dá um bibelot muito engraçado. São peixes ósseos que secam com facilidade e não apodrecem. Hoje, tal como os pepinos-do-mar, os receptores não são nacionais e exportam-nos ilegalmente para outros mercados, sobretudo os asiáticos».
À semelhança do que acontece com as holotúrias, sendo já possível reproduzir os cavalos marinhos em laboratório, a solução para a Ria Formosa poderia ser o repovoamento? «Haveria ferramentas. Apesar de serem criados em cativeiro, os nossos animais são tratados com alimento natural e têm a capacidade de sobreviver lá fora. Mas isso só deve ser feito em condições controladas. Ou seja, quando os impactes negativos forem anulados. Neste momento, em que existe captura ilegal e destruição de habitats, repovoar seria apenas libertar animais para serem mortos», concluiu Jorge Palma.
Fonte: Barlavento

Exportação de algas cresce 326% e faz parte do “Mar de Oportunidades”


Um “Mar de Oportunidades” e a economia do mar vão ser discutidos, no dia 13 de Outubro, no Terminal de Cruzeiros de Matosinhos. Um dos temas de destaque da conferência vai ser a exportação das algas que em Portugal que cresceu 326% no ano transacto. Serão ainda abordadas as potencialidades e os cuidados a ter nesta indústria.
A exportação de algas registou um aumento 326% em Portugal em 2015. Segundo os dados divulgados ao Jornal de Notícias pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano de 2014 foram vendidas aos países estrangeiros 235 toneladas e no ano anterior registaram-se mil toneladas de algas comercializadas.
Em 2014, a exportação de algas provenientes de Portugal permitiu uma facturação de 908 mil euros e, em 2015, os valores cresceram exponencialmente para 2,35 milhões de euros.
As importações de algas em Portugal diminuíram 70%, descendo as vendas das 222 toneladas, em 2014, para 69 toneladas, no ano passado.
A conferência “Mar de Oportunidades”, que no dia 13 de Outubro decorre no Terminal de Cruzeiros, vai discutir este crescimento e inseri-lo na temática da economia do mar.
O “Mar de Oportunidades” levado a cabo pela Câmara Municipal de Matosinhos vai reflectir sobre a necessidade do sector das algas atingir todo o potencial, sem, no entanto, prejudicar o ecossistema.

Fonte: Porto Canal

Festival Mar Adentro regressa.



O festival Mar Adentro regressa este ano com novo fôlego, agora com dois dias, a 14 e 15 de Outubro, reunindo um conjunto de chefs de luxo no Vista Restaurante, situado no Bela Vista Hotel & Spa (Praia da Rocha), para criar a partir do que o mar lhes der.
Cozinhar ao sabor da maré e dos caprichos do mar: é este o desafio aos chefs participantes do Mar Adentro, que são convidados a criar pratos novos, de raiz.
E é o mar quem decide o que eles vão cozinhar. “Só saberemos um dia antes o que o mar nos trouxe para trabalhar e, a partir daí, iremos desenvolver os nossos pratos, podendo ter que usar peixes mais ou menos nobres, mas sempre com o  intuito de nos ‘obrigar’ a criar algo do zero”, explica João Oliveira, anfitrião do evento e chef executivo do Vista.
A ideia de João Oliveira é quebrar as rotinas e os processos criativos dos colegas assim como convidá-los a abandonarem os ingredientes e sabores que lhes são mais familiares: “propus-lhes o desafio de cozinharem de forma espontânea, mais criativa e de improviso, pois esse é também o prazer puro e duro de cozinhar, de que nem sempre podemos desfrutar devido à pressão inerente ao nosso trabalho”.  Mas a regra é válida também para ele, o anfitrião.
Mais uma vez, o grande cúmplice do festival é Pedro Bastos, da Nutrifresco, que habitualmente traz à mesa o melhor dos oceanos, já que este é um evento em que se mergulha na sustentabilidade e em que é o mar que decide o Menu.
Na primeira noite, o jantar será acompanhado de champanhe Henri Giraud, e, na segunda noite, com vinhos biológicos nacionais e internacionais. Os sommeliers de serviço são Miguel Martins, residente do Vista, e António Lopes, do Hotel Conrad Algarve.
E quem são os corajosos capazes de aceitar este desafio sem temer as marés, nesta edição do Mar Adentro?

Na primeira noite, a 14 de Outubro, os chefs responsáveis pelos jantares serão Alexandre Silva (do LOCO, em Lisboa), Rui Silvestre (do Bon Bon no Carvoeiro, com 1* Michelin), João Rodrigues (do Feitoria, em Lisboa, 1* Michelin), e Arnaldo Azevedo (do Palco, no Porto).
Na noite de sábado, dia 15, passam pelo Vista os chefs Miguel Rocha Vieira (da Fortaleza do Guincho, em Cascais, 1* Michelin), Leonel Pereira (do São Gabriel, em Almancil, 1* Michelin), e Carlos Fernandes (chefe de pastelaria do Loco). Nas duas noites, a jogar em casa, estarão o chef João Oliveira e a equipa do Vista, que também porão a mão na massa… e em outros ingredientes.
Cada jantar custa 150 euros por pessoa, com água, vinhos e café incluídos, e é exclusivo para 30 pessoas por noite, com início previsto para as 19h30.
Esta é mais uma oportunidade única para provar a que sabe a nova gastronomia nacional: estarão reunidos alguns dos mais jovens, criativos e talentosos chefs portugueses, com o mar como pano de fundo, a dar uma nova vida aos sabores da nossa costa, sem ensaios e prontos para abraçarem o desfio.
Entretanto, e porque os nossos cozinheiros também merecem ser mimados, Manuel Maldonado, o chef do projeto Ostraria, é o convidado especial para um almoço igualmente especial, no sábado, exclusivo para as equipas e imprensa presente. E o que é que vamos comer? Tudo o que a Ria de Alvor nos der.
Para reservas e mais informações, por favor contactar: +351 282 460 280 ou restaurante@hotel-belavista.com