sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Gronelândia está derretendo


O sol da meia-noite ainda brilhava à 1h por toda a extensão brilhante do manto de gelo da Gronelândia. Brandon Overstreet, um candidato ao doutoramento em hidrologia pela Universidade do Wyoming, abriu caminho pela paisagem congelada, prendeu o seu arnês a uma âncora no gelo e arrastou-se até a beira de um rio, que corria até uma enorme abertura.
Se ele caísse ali, "a taxa de morte é de 100%", disse o amigo de Overstreet e também investigador, Lincoln Pitcher.
Mas a tarefa de Overstreet, que é recolher dados críticos do rio, é essencial para a compreensão de um dos impactos mais importantes do aquecimento global. Os dados científicos que ele e uma equipa de seis outros investigadores estão recolhendo aqui podem vir a produzir informação reveladora sobre a taxa com que o derretimento do manto de gelo da Groenlândia, um dos maiores pedaços de gelo e que mais rápido está derretendo na Terra, elevará o nível dos mares nas próximas décadas. O derretimento pleno do manto de gelo da Gronelândia poderia elevar o nível dos mares em cerca de 6 metros.
"Nós cientistas adoramos sentarmo-nos diante dos nossos computadores e usar modelos climáticos para fazer essas previsões", disse Laurence C. Smith, chefe do departamento de geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e líder da equipa que trabalhou recentemente na Gronelândia. "Mas para realmente saber o que está acontecendo, esse tipo de entendimento só é possível por meio de medições empíricas em campo."
Por anos, os cientistas estudaram o impacto do aquecimento do planeta nos mantos de gelo da Gronelândia e da Antárctida. Mas, apesar dos pesquisadores contarem com imagens por satélite para rastrear os icebergs que se desprendem, e criarem modelos para simular o degelo, eles contam com pouca informação em solo, de forma que têm dificuldades em prever precisamente quão rapidamente o nível dos mares se elevará.
A pesquisa deles poderá produzir informação valiosa para ajudar os cientistas a determinar quão rapidamente o nível dos mares se elevará no século 21, e como as populações de áreas costeiras, de Nova York a Bangladesh, poderão planear para a mudança.
Mas a pesquisa está sob crescente ataque de alguns líderes republicanos no Congresso, que negam ou questionam o consenso científico de que as actividades humanas contribuem para a mudança climática.
Liderando o ataque republicano no Capitólio está o deputado Lamar Smith, do Texas, o presidente do comité de Ciência da Câmara, que tenta cortar 300 milhões de dólares do orçamento da Nasa (sigla em inglês da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos) para ciências da Terra e iniciou um inquérito sobre cerca de 50 subvenções da Fundação Nacional de Ciências. Em 13 de Outubro, o comité intimou cientistas da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, exigindo a entrega de mais de seis anos de deliberações internas, incluindo "todos os documentos e comunicações" relacionados à medição pela agência da mudança climática.
Quaisquer cortes podem afectar directamente o trabalho de Smith e sua equipe, que são financiados por uma subvenção da Nasa de três anos, no valor de 778 mil dólares, que deve cobrir tudo, incluindo os salários dos pesquisadores, voos, alimentação, computadores, instrumentos científicos e de camping, equipamento de segurança e para clima frio extremo. Todo o cientista, disse Smith, está ciente de que a pesquisa custa "uma quantidade tremenda de dinheiro do contribuinte".

Preparação para o trabalho

Em Julho, a equipe de Smith chegou a Kangerlussuaq, Gronelândia, um posto avançado empoeirado de 512 habitantes na costa sudoeste da ilha, que serve como base para os pesquisadores se prepararem para o trabalho de campo no manto de gelo.
Os cientistas estavam empolgados, mas ansiosos, enquanto preparavam-se para viajar de helicóptero ao interior para realização do trabalho de campo no centro de sua pesquisa: por 72 horas, de hora em hora, eles monitorizavam uma linha divisória de águas sub-glaciais, realizando medições – velocidade, volume, temperatura e profundidade – na margem congelada do rio.
"Ninguém nunca recolheu um conjunto de dados como este", disse Asa Rennermalm, uma professora de geografia do Instituto do Clima da Universidade Rutgers, que está comandando o projecto juntamente com Smith, para a equipe durante um almoço de hambúrgueres no café do aeroporto de Kangerlussuaq.
A realização de cada medição é tão difícil e perigosa que exige dois cientistas de cada vez, ela disse. Eles teriam que planear um horário de dormir para assegurar que um grupo sempre estivesse desperto para realizar o trabalho. Todos sabiam que a equipe trabalharia rio acima do "moulin" – a abertura,  que arrastaria qualquer um que caísse nele até as profundezas do manto de gelo.
Na manhã antes da partida, a equipa reuniu-se num hangar para empacotar equipamento e provisões: tendas, camas de metal desmontáveis, geradores, picaretas, ponteiras, refeições desidratadas, uma variedade de instrumentos científicos, frascos para amostras de neve, gelo e água e uma geladeira para transporte das amostras aos laboratórios nos Estados Unidos.
O helicóptero descolou com o equipamento da equipe pendurado numa rede. Os cientistas olhavam para a superfície aparentemente sem fim de gelo, sob o helicóptero, se espalhando em todas as direcções, riscada por rios e lagos verde azulados. Após um voo de 40 minutos, o piloto tocou o helicóptero cautelosamente no gelo, para assegurar que era duro o suficiente para pouso.
Ao desembarcarem, os cientistas foram atingidos pelo frio do verão da Groenlândia – de -32ºC a -4ºC enquanto estiveram lá – um vento constante e o brilho do sol.
Enquanto os investigadores montavam o acampamento, Overstreet, o estudante de doutoramento da Universidade de Wyoming, seguiu para o rio, em silêncio enquanto atravessava o gelo. Mais do que qualquer outro membro da equipa, o sucesso da missão dependia dele.
Overstreet, 31 anos, que cresceu praticando caiaque e rafting no Oregon, projectou o complexo sistema de corda e polias – baseado nos sistemas de resgate para botes – que seria crucial para a recolha de dados nas águas traiçoeiras. Antes de vir para a Gronelândia, ele passou meses aperfeiçoando e testando seu sistema de cordas nos rios no Wyoming.

No gelo

A equipa logo iniciou o trabalho. Um piloto de helicóptero transportou dois dos colegas de Overstreet, Pitcher e Matthew Cooper, para o outro lado do rio de 18 metros de largura. Na margem oposta, eles perfuraram o gelo, prenderam uma âncora e prenderam-se a ela por segurança. Eles prenderam uma corda de nylon à âncora, com o restante da corda enrolada numa sacola pesada.
Agora vinha a parte crucial: os homens se revezavam atirando a sacola para o outro lado do rio, mas ela caia repetidas vezes na água. Após ansiosa meia hora, Cooper finalmente conseguiu que a corda chegasse ao outro lado. Overstreet pegou-a e começou a montar o sistema de corda e polia que testou por tanto tempo.
À beira do acampamento, Johnny Ryan, um candidato ao doutoramento em geografia pela Universidade de Aberystwyth, no País de Gales, lançou um drone em formato de avião com um dispositivo, e então o guiou por uma área de quase 195km². Mas então o drone deixou de transmitir. "Ele parou de se comunicar comigo e agora deve ter caído no gelo", disse Ryan.
Ryan, que usava um gorro cor de rosa e óculos púrpuras que destacavam sua barba ruiva, lançou o drone substituto. Sentindo-se stressado, ele monitorizou o voo nervosamente enquanto as horas passavam, bebendo canecas de chá para se aquecer.
À margem do rio, Overstreet e Pitcher iniciaram a recolha de dados prendendo um dispositivo computorizado que parecia uma prancha de bodyboard à corda que atravessava o rio. De hora em hora eles o enviavam de um lado a outro para medição da profundidade, velocidade e temperatura da água.
Mas enquanto a luz do dia avançava noite adentro, a bateria do dispositivo, alterada pelo frio, começou a falhar. Àquela altura o sol estava mais baixo, preenchendo o céu com um brilho cor de laranja espectacular. Os cientistas estavam preocupados – o esgotamento da bateria significaria o fracasso de sua missão.
Uma ideia ocorreu a Overstreet. Ele encontrou um rolo de manta prateada isolante no campo e a enrolou em volta da bateria da prancha. Na passagem seguinte por sobre o rio, ela permaneceu funcionando.
Mas a carga da bateria continuava caindo, de modo que Pitcher retirou os aquecedores de mão de suas luvas e os inseriu na bolsa da bateria. Sucesso. A bateria permaneceu aquecida e funcionando.
Por três dias e três noites, os cientistas continuaram realizando as medições no rio, enquanto até 1,6 milhão de litros de água por minuto saía do gelo e era despejado na abertura. Na manhã final, a equipa, cansada, mas exultante, reuniu-se à beira do rio enquanto a prancha realizava a sua travessia final. Àquela altura, o drone reserva de Ryan concluiu em segurança a sua missão de mapeamento. Overstreet abriu a sacola comemorativa de mangas desidratadas – um deleite luxuoso para os campistas no gelo.
"É difícil fazer a escolha de participar de projectos como este, mas tudo na minha vida me preparou para vir aqui", disse Overstreet. "Nós passamos de lutar contra o rio a trabalhar com ele, e então aprendemos muito com ele".
Fonte: UOL.

Porto de Sines: Arrefecimento da economia chinesa abranda crescimento no Terminal XXI


João Franco, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, esteve presente, enquanto orador, numa mesa sobre Logística Portuária, no âmbito do 18.º Congresso da APLOG. Na sua intervenção, o máximo responsável do Porto alentejano admitiu que o abrandamento da economia chinesa vai ter efeitos nos resultados do terminal de contentores concessionado à PSA Sines.

Recorde-se que o Terminal XXI viu recentemente a sua capacidade aumentada de forma importante e a APS previa crescimentos significativos. Ora, o arrefecimento da economia chinesa estará agora a fazer-se sentir na movimentação no Terminal XXI, que até meados deste ano vinha acumulando crescimentos dentro do expectável. Agora, João Franco admite que o crescimento na movimentação de contentores este ano rondará "os 12%", valor abaixo do que eram as previsões da entidade.

Saliente-se que o mercado do Extremo Oriente é um dos mercados mais significativos para o Terminal XXI, apesar de continuarem a ser os tráfegos com a América do Norte aqueles que são mais representativos na movimentação total de contentores em Sines.

Fonte: Cargo

Academia MSC: ENIDH e MSC querem traçar caminho de sucesso


Foi com um misto de entusiasmo e de expectativa que a nova Academia MSC, fruto de uma parceria entre a MSC Portugal e a Escola Náutica Infante D. Henrique (ENIDH), realizou a sua sessão de abertura, ontem.

Numa cerimónia que contou com a presença da Direcção da ENIDH - o presidente Luís Baptista e o vice-presidente Dores Costa surgiram acompanhados do impulsionador do Curso, Cruz Gonçalves -, com Carlos Vasconcelos (máximo responsável da MSC Portugal) e com Lídia Sequeira, especialista no sector marítimo-portuário que desempenhou, até há pouco tempo, o cargo de presidente da Administração do Porto de Sines, foi realizada uma primeira visita às instalações, localizadas no pólo da ENIDH, em Paço de Arcos.

A Academia MSC avança assim com a primeira edição do curso 'Shipping and Logistics Management', numa aproximação clara entre a actividade do shipping e o ensino superior. "Este curso complementará o ensino nesta escola", referiu Carlos Vasconcelos, salientando a importância da "especialização no shipping e na logística".

Tanto a MSC como a ENIDH manifestaram desejo de tornar este curso e a Academia MSC "uma referência", desejando que esta seja apenas a primeira de várias edições. E Carlos Vasconcelos, em jeito de motivação aos alunos que marcaram presença, salientou que "quase metade da equipa da MSC passou pela ENIDH". As saídas profissionais são, portanto, também elas aliciantes.  


Primeira edição do curso começa esta sexta-feira


O primeiro curso dirigido a quem queira ingressar numa carreira de navegação comercial e logística tem início já esta sexta-feira, numa aposta da MSC Portugal e da ENIDH em responder às necessidades do mercado de trabalho. 

O curso terá 320 horas, integrará o know-how de professores convidados por ambas as entidades, e terá como objectivo a promoção de uma formação adicional direccionada para o transporte contentorizado e para a logística, com uma forte componente prática (“on job training”), centrada na actividade do agente de navegação.

A primeira turma será constituída por 29 alunos que, no final do curso, ficarão capacitados com os conhecimentos teóricos essenciais ao exercício da maioria das funções existentes neste domínio de actividade. A atribuição de certificado de formação profissional também está contemplada.

Com o lançamento desta Academia, a MSC pretende criar uma bolsa de profissionais recrutáveis, não só para a MSC, como também para as restantes empresas do sector. 

Fonte: Cargo

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Triple-E da Maersk engrossa frota de porta-contentores inactiva

A capacidade combinada da frota inactiva de porta-contentores aproxima-se rapidamente do milhão de TEU, o valor mais elevado desde a crise financeira mundial de 2008, sublinha a Alphaliner.


Entre os 263 navios (com um total de 934 700 TEU) parados por falta de trabalho, 23 são de 7 500 TEU ou mais e há mesmo entre eles um Triple-E de 18 000 TEU da Maersk Line.
Este mega-navio da companhia dinamarquesa estará inactivo nas próximas seis semanas devido aos cancelamentos de saídas no Ásia-Europa por parte da Aliança 2M (Maersk-MSC).
Ainda na semana passada, o grupo Maersk reviu em baixa o seu “outlook” para este ano (de 2,2 mil milhões para 1,6 mil milhões de dólares de lucros), pelo efeito combinado da quebra da procura e do nível dos fretes.
A imobilização de um porta-contentores de 18 000 TEU é sintomática da difícil situação da difícil situação que se vive no Ásia-Europa, com um excesso de capacidade e as tarifas em mínimos, segundo a Alphaliner.
Esta posição é corroborada pela consultora SeaIntel. “É um indicador da severidade dos desafios que a indústria tem em termos de sobrecapacidade, especialmente na rota Ásia-Europa, onde o crescimento negativo da procura foi sublinhado com a chegada da nova geração dos mega-navios porta-contentores. Caso a situação não mude, não será surpresa se houver mais períodos curtos de inactividade antes do pico do pré-Ano Novo Chinês”, afirmou, citado pelo “Splash 24/7”, o CEO da SeaIntel, Lars Jensen.
Fonte: T e N

CMA CGM reduz oferta entre Portugal e o West Africa



O EURAF5, da CMA CGM, que ligava semanalmente Portugal ao West Africa, é doravante quinzenal.
A alteração é referida pela consultora Dynamar na sua newsletter diária e a nova oferta já surge no site da CMA CGM. A rotação mantém-se, isto é: Lisboa, Leixões, Algeciras, Pointe Noire, Luanda, Lobito, Namibe, San Pedro, Algeciras e de novo Lisboa.Em resultado da redução da frequência, os navios alocados ao EURAF5 passam de cinco para três, com uma capacidade de transporte de cerca de 2 100 TEU. Curiosamente, um dos navios alinhados no serviço, o Jona, ostenta  pavilhão português, estando registado no MAR da Madeira.

Leixões torna-se líder nacional na carga Ro-Ro


O Porto de Leixões anunciou que tornou-se no líder nacional no tráfego roll-on/roll-off tendo registado até setembro um crescimento de 85 por cento, comparativamente com igual período do ano passado. Apesar de não divulgar os números que levaram a este crescimento, o Porto de Leixões, através do seu presidente, Emílio Brogueira Dias, revela que “o forte desenvolvimento no segmento ro-ro está associado à aposta da Cobelfret neste porto que, no início de outubro, arrancou com a terceira escala semanal para o Norte da Europa.”
Em termos globais, nos primeiros nove meses do ano, o Porto de Leixões obteve um crescimento de 4,1 por cento, tendo movimentado um total de 13,7 milhões de toneladas de mercadorias. 
Entre os meses de janeiro e setembro, a evolução foi positiva nos granéis líquidos (+7,1%), na carga fracionada (+11,9%), no ro-ro (+85%) e nos granéis sólidos (+14,8%). Por outro lado, e devido à redução significativa das exportações para Angola, verificou-se uma quebra na carga contentorizada (-8,7%). Também o movimento de contentores em dimensão (TEU) e em número registaram quebras de 6,2 por cento e 7,1 por cento, respetivamente.
Até ao momento, o Porto de Setúbal era líder no tráfego Ro-Ro, tendo movimentado nos primeiros nove meses do ano, comparativamente com o ano passado, um total de 114 mil veículos, o que significou um crescimento de 15 por cento. 

Fonte: Transportes em Revista

Sebastian Steudtner consegue 'onda perfeita' na Nazaré



A Nazaré é por estes dias palco para um grande evento de surf. Na região reúnem-se alguns dos melhores surfistas de ondas grandes do mundo, para tentar explorar as qualidades únicas do mar do nosso país.
Esta quarta-feira, Sebastian Steudtner conseguiu apanhar uma das ondas do dia e entrou na disputa pelo prémio “Ride of the year”.

Pedro do Ó Ramos é o Novo Secretário de Estado do Mar.


Confirmada novamente a Assunção Cristas como Ministra com a tutela do Mar, faltava saber quem iria acompanhar na mesma tutela, mas enquanto Secretário de Estado. Pedro do Ó Ramos, Deputado pelo PSD, foi a escolha para esta área sensível. Natural de Santiago do Cacém, 41 anos e Deputado eleito pelo Distrito de Setúbal, um Distrito rico na Economia do Mar. Neste momento, falta saber até quando Pedro do Ó ocupará o cargo, visto a instabilidade política não definir ainda se será a Coligação PSD/CDS-PP a manter-se ou entrar em funções a Coligação PS/BE/PCP.



Este fato de banho limpa o oceano enquanto nada

Cientistas da Califórnia criaram uma "nanoesponja" que absorve a poluição da água.



Deixar um engenheiro projectar um fato de banho pode parecer estranho. Mas quando os cientistas e os designers se juntaram para criar o "Spongesuit", em prol do ambiente, o assunto tornou-se mais importante. Surgiu assim o calção de banho que consegue limpar a água enquanto se nada. 

O calção é preenchido com um material à base de sacarose que repele a água, mas atrai os contaminantes nocivos. Os inventores deste material são marido e mulher e ganharam um concurso internacional de tecnologia para vestuário e foram reconhecidos na última semana em Roma, na “Maker Faire”, um evento dedicado ao desenvolvimento do território e das empresas, com vista a aumentar o bem-estar dos cidadãos.
“O material também pode ser cozido em roupas de mergulho, de modo a que os surfistas também possam ajudar a limpar o oceano, enquanto apanham ondas”, disse Mihri Ozkan, professor de engenharia eléctrica na Universidade da Califórnia, em Riverside.

Ozkan disse que tanto ela e o seu marido, o engenheiro de materiais Cengiz Ozkan, estão a trabalhar há quatro anos no desenvolvimento deste material. Revelaram ainda que originalmente a inspiração foi conceber uma nova forma de limpar petróleo dos oceanos. 
  
A superfície do fato de banho é feita de um plástico flexível impresso em 3-D. Contém um material à base de açúcar, que é chamado de esponja, que é poroso e pode absorver contaminantes até 25 vezes o seu peso. 
  
Quando a esponja está cheia, pode ser removida a partir do fato e aquecida até aos 1000 graus centígrados para liquefazer o material. Depois, os contaminantes são removidos, e o resto é reciclado para uma nova esponja. 
 
 "O material da esponja é feito de açúcar, e é  ambientalmente seguro. Qualquer contaminante recolhido pela esponja vai ser preso dentro da arquitectura da esponja nanoporous, e nada vai tocar na pele do utilizador"
 
  
O produto pesa cerca de 50 gramas e é tão fino quanto um fio de cabelo. Os Ozkans esperam que o fato seja produzido em larga escala porque os materiais custam apenas 13 cêntimos por grama.
"Temos como objectivo um futuro onde todos, com qualquer roupa de natação, possam contribuir para a limpeza dos mares através de uma actividade desportiva ou simplesmente com um passeio de férias de verão"

O material foi testado em laboratório e os criadores estão à procura de parceiros para comercializar a tecnologia.
"Fizemos repetidos testes ao material esponjoso, e temos vídeos que mostram a nossa esponja a limpar da água contaminantes como óleo, disse Cengiz Ozkan.

Os Ozkans sonham com o dia em que as pessoas possam deixar os seus fatos de banho numa loja de limpeza a seco. É sinal de que já estarão a fazer algo mais pelo planeta.

Fonte: TVI24

Comer e dançar no fundo do Oceano

O Subsix era um restaurante apenas aberto ao almoço. Agora também é discoteca. Mas isso talvez seja o menos importante. Porque aqui a localização é que conta: fica no fundo do Oceano Índico.


Gostava de jantar, de beber um copo e dançar a ver o fundo do mar? Então o Subsix no resort Niyama Per Aquum nas Maldivas é o local ideal para si.
É que este restaurante, recentemente remodelado para se tornar numa discoteca durante a noite, situa-se a 20 pés de profundidade no Oceano Índico. O espaço em semi-círculo, é composto por um vidro que possibilita ver as mais 90 espécies marinhas que habitam no coral aí presente. E toda a sua decoração remete para a vida submarina na região.

Como conta o Daily Mail, para se chegar ao local é preciso apanhar um barco. Isto porque o restaurante/discoteca é uma pequena ilha no meio do oceano.
Anteriormente apenas aberto para almoços, o restaurante foi cuidadosamente remodelado, estando agora disponível para casamentos, passeios guiados por biólogos marinhos, provas de vinhos e para dar dançar a seguir ao jantar.
Fonte: Observador


China planeia transportar mercadorias via Oceano Árctico

Segunda maior economia do mundo quer aproveitar aquecimento global para explorar novas rotas comerciais.


O gigante estatal, que em 2010 ganhou a concessão de dois terminais de contentores do porto grego de Pireu, já enviou embarcações antes, por duas vezes, segundo revelou a imprensa oficial.

A União Europeia é o principal destino das exportações chinesas e navegar via Árctico, em substituição do Oceano Indico, poderia reduzir o tempo de transporte em nove dias, assinalou a mesma fonte.

Na segunda-feira, a agência noticiosa chinesa Xinhua citou especialistas e funcionários chineses que referem a potencial rota como uma "hidrovia de ouro", para o comércio.

A COSCO emitiu esta terça-feira um comunicado assinalando que irá "continuar a promover a normalização das operações na Passagem Nordeste no Árctico".

No início deste mês, um navio da empresa completou uma viagem de 55 dias entre a China e Europa, através daquela via, assinalou a Xinhua.

Fonte: Público

Como o aumento da temperatura do oceano afecta os Pinguins

As alterações climáticas vão ter impacto nos predadores marinhos por afectarem a distribuição de peixe - diminui o número de indivíduos e o sucesso reprodutivo.


A variação da temperatura do oceano obriga os pinguins a viajar mais para encontrar comida e isso tem impacto na população. A investigação que relaciona fenómenos climáticos que introduzem anomalias globais, como o El Niño, com a dificuldade de os animais no topo da cadeia alimentar (os predadores) encontrarem alimento no oceano foi publicadaesta terça-feira na revista científica Nature Communications.
Os casais de pinguins revezam-se no cuidado com a prole: enquanto um progenitor vai pescar, o outro fica no choco ou a cuidar da cria. Agora, o que a equipa de Charles Bost, investigador no Centro de Estudos Biológicos de Chizé (França), descobriu é que, quando havia fenómenos climáticos que provocavam alterações, por exemplo na temperatura da água, os pinguins eram obrigados a viajar mais quilómetros para se alimentarem e isto pode comprometer o sucesso reprodutor.
Os investigadores estudaram a colónia de pinguins-rei (Aptenodytes patagonicus) que nidificam nas ilhas Crozet – no sul do oceano Índico, entre a África do Sul e a Austrália – entre os anos 1992 e 2010. E no mesmo período registaram as principais anomalias no clima climáticas no sul do oceano Índico e Atlântico. Ao Observador, José Xavier, que também faz investigação na Antártida, elogia o trabalho que uma base de dados de longa duração, uma situação rara na investigação marinha.
Quando a temperatura do oceano aumentava um grau Celsius, a frente polar antártica – o limite entre as águas frias com influência da Antártida e as águas menos frias dos restantes oceanos – aproxima-se 130 quilómetros da Antártida. Isso faz com que os pinguins também tenham de aumentar essa distância para pescar. Com temperaturas do oceano mais altas, os pinguins também são obrigados a mergulhar mais fundo até à procura de peixe.
Em 1997, ano em que se iniciou um dos fenómenos El Niño mais fortes de sempre, os investigadores verificaram que os pinguins tiveram de se deslocar o dobro em relação a anos normais – entre 437 e 755 quilómetros para pinguins com crias. Neste período também tiveram de mergulhar cerca de 30 metros mais fundo que os habituais 170 metros.Neste período, a população reprodutora caiu 34%, o sucesso reprodutivo foi o mais baixo de todo o período estudado e a probabilidade de sobrevivência dos adultos também diminuiu.
Estes resultados contribuem significativamente para a nossa compreensão de como as mudanças no clima afetam o comportamento (e as populações) de predadores de topo, neste caso os pinguins-rei”, reforçou José Xavier, investigador na Universidade de Coimbra e no British Antartic Survey (Cambridge, Reino Unido).
Os investigadores concluem assim que o aumento do esforço de procura de comida tem consequências negativas nos parâmetros demográficos da espécie e no tamanho da população. Este padrão também já tinha sido verificado em predadores marinhos no hemisfério norte. Estes estudos mostram-se assim essenciais para avaliar que impacto poderão ter as alterações climáticas na sobrevivência das populações e ecossistemas.
Numa investigação publicada na revista Marine Biology em 2013, a equipa de José Xavier demonstrou que os albatrozes também sofrem os impactos das alterações climáticas no que diz respeito à procura de alimento. “Em anos ‘maus’ em termos climáticos [fora do normal], os albatrozes demoram cinco vezes mais tempo na procura de alimento do que em anos ‘bons'”, conta José Xavier ao Observador. “Isto também tem consequências a nível populacional porque nos anos ‘maus’ o sucesso reprodutor é muito baixo.” Os investigadores verificaram ainda que os albatrozes, quando não conseguem encontrar o alimento preferido (lulas) vão gradualmente alterando a dieta para outro tipo de alimentos.
Fonte: Observador/José Xavier

Saldanha Salva os Oceanos: Projeto lançou votação online para escolher herói

O projecto “Saldanha Salva os Oceanos”, que pretende promover a literacia dos oceanos nos mais novos, lançou uma votação para escolher o herói da história que será criada e editada sob a forma de e-book. Os candidatos a salvadores dos oceanos são quatro animais marinhos animados (cavalo-marinho, sardinha, tartaruga-verde e púrpura) que são apresentados no sítio web do projecto onde também decorre a votação, que termina no dia 10 de Novembro.
Uma iniciativa da Cocinfar em parceria com a AmBioDiv o projecto, que tem como objectivo principal “aumentar o conhecimento sobre a Biodiversidade Marinhas junto de crianças e jovens dos 2º e 3º ciclos de escolaridade”, está alinhado com a Estratégia Nacional para o Mar e o Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011-2020, é explicado no texto de apresentação na já referida plataforma.
Com efeito, assiste-se actualmente a um crescente distanciamento dos portugueses do mar, apesar da nossa ligação histórica ao meio marinho, sendo necessário agir para reverter o processo, o que passa pelo investimento na educação e sensibilização para a conservação dos oceanos das camadas jovens, que serão os adultos “de amanhã”.
Assim nasceu o projecto “Saldanha Salva os Oceanos”, financiado através do programa EEA Grants na categoria “PT02 - Gestão Integrada das Águas Marinhas e Costeiras”, que envolve a concepção de um livro electrónico em que uma personagem de nome “Saldanha”, em homenagem ao Professor Luíz Saldanha, o grande impulsionador da Biologia Marinha em Portugal, intervém de forma decisiva para salvaguardar o futuro do meio marinho.
O projecto foi lançado em Setembro tendo a votação para a escolha do herói “Saldanha”, tido início já em Outubro. O resultado da votação vai ser dado a conhecer no Dia Nacional do Mar, que se celebra a 16 de Novembro.
Os três meses seguintes serão dedicados à dinamização, nas escolas que demonstrarem interesse, de actividades sobre as problemáticas de conservação do oceanos que serão tema de trabalhos a desenvolver pelos alunos.
O lançamento o e-book “Saldanha Salva os Oceanos” terá lugar no dia 20 de maio de 2016, no âmbito das comemorações do Dia Europeu do Mar e o livro electrónico será disponibilizado sob a forma de aplicação para sistemas Android e iOS com carácter interactivo, e num sítio web criado para o efeito, onde poderá ser descarregada uma versão estática em formato PDF.
O projecto terminará em Junho, quando se celebra o Dia Mundial dos Oceanos, com a realização de sessões de apresentação do e-book e dos trabalhos escolares desenvolvidos nas escolas visitadas pela equipa do projecto.
Mais informações estão disponíveis no sítio web do projecto ou podem ser solicitadas por e-mail para info@saldanhasalvaosoceanos.com.
Fonte: Naturlink

Força do mar invade Praia de Odeceixe


O mar invadiu esta terça-feira o areal da praia de Odeceixe (Aljezur), eleita em 2012 como uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de Praia de Arribas. Há quem culpe as obras do programa Polis, no início do verão, mas a Câmara de Aljezur nega a acusação. "Tiraram areia da praia apesar do alerta para os riscos", critica David Rosa, dono de uma escola de surf naquela praia. José Amarelinho, edil de Aljezur, nega e garante que até ao final do ano serão colocados "estacaria e passadiços que contribuirão para reter a areia". As marés vivas dos últimos dias atingiram outras praias algarvias, como Armação de Pera (Silves) e D. Ana (Lagos), que perderam areia.

Fonte: CM

Consumo de peixe em Portugal é dos mais prejudiciais ao planeta


Um novo relatório avisa que elevado consumo de peixe em Portugal pode ser um problema ambiental.
Portugal é o país mediterrânico cuja alimentação mais faz mal ao planeta. E, por irónico que pareça, a maior culpa é do elevado consumo de peixe – um alimento saudável.
Esta conclusão surpreendente resulta de um estudo publicado esta quinta-feira pela Global Footprint Network, a organização responsável pelos cálculos da "pegada ecológica". Este indicador representa a área da Terra necessária para produzir o que cada pessoa consome ou necessita, dos alimentos a roupa, dos combustiveis a edifícios.
Para Portugal, este valor é de 4,5 hectares por habitante. É o quarto país mediterrânico com a maior pegada ecológica, depois de França, Eslovénia e Itália.
Mas na alimentação, o país lidera o ranking. Cerca de 1,5 hectares de terra ou mar são necessários para garantir o almoço, o lanche e o jantar dos portugueses. Ninguém necessita de tanto espaço produtivo para matar a fome entre os países do Mediterrâneo, região sobre a qual incide o estudo. A seguir vêm Malta (1,25 hectares por pessoa), Grécia (1,22) e Espanha (1,15).
Dois factores contribuem para este resultado. O primeiro é simples: em Portugal, come-se muito. A FAO – a agência das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura – recomenda como saudável uma dieta diária de 2500 quilocalorias por pessoa. Em Portugal, consomem-se 3500 – 40% a mais. "Isto não é exclusivo de Portugal. Encontramos valores similares noutros países, como Espanha, Grécia e Itália", afirma Alessandro Galli, director da Global Footprint Network para a área do Mediterrâneo.
O segundo factor encerra uma grande ironia. Portugal é um dos países com maior consumo per capita de peixe no mundo – um dado positivo pelo lado da saúde. Mas o apetite nacional dirige-se muito para espécies de topo, como o bacalhau e o atum, que requerem mais recursos para se desenvolver.
O atum, explica Alessandro Galli, alimenta-se de sardinhas, que por sua vez se alimentam de plâncton, os minúsculos organismos em suspensão na água. Na prática, é preciso uma área muito maior da plataforma continental para produzir o plâncton necessário para um peixe num elo superior da cadeia alimentar. "O impacto do consumo de um quilo de atum equivale ao de dez quilos de sardinhas", explica Alessandro Galli.
A importação também pesa. Em 2014, 481 mil toneladas de pescado vieram de fora, contra 283 mil toneladas da exportação, segundo dados oficiais.
Dizer que comer peixe faz mal à Terra é mais uma má notícia para a mesa nacional. Na segunda-feira, a Agência Internacional de Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde anunciou ter classificado as carnes processadas – como chouriços, presuntos e bacon – como produtos cancerígenos. As autoridades nacionais de saúde apressaram-se a esclarecer que o importante é garantir o uma dieta equilibrada.
No caso do pescado, Alessandro Galli diz que não está em causa deixar de os comer, mas sim escolher melhor. "A minha recomendação é comer peixe mas diversificar, preferir peixes em posição mais baixa na cadeia alimentar, como as sardinhas", diz.
Porém, neste momento, a maré também não está para as sardinhas. O stock ibérico desta espécie nunca esteve tão baixo e os cientistas dizem que no próximo ano não se deve capturar mais do que 1600 toneladas nos mares de Portugal e Espanha – apenas 10% da quota de 2015. Mas outras espécies, como o carapau e a cavala, são hoje mais abundantes.
Os dados agora divulgados são uma nódoa na imagem positiva dos hábitos alimentares do Mediterrâneo. Alessandro Galli argumenta, porém, que a verdadeira dieta mediterrânica é composta sobretudo de produtos como legumes, verduras, cereais e azeite, com consumo moderado de carne ou peixe.
"O meu argumento é o de que a dieta mediterrânica é boa para o ambiente, mas acabámos por nos afastar um pouco dela", afirma.
Com o peso da alimentação, Portugal vai muito além da sua capacidade biológica de satisfazer o consumo dos seus habitantes. A pegada ecológica é de 4,5 hectares por pessoa, mas o país só tem 1,3 hectares produtivos per capita.
A meta não é ser auto-suficiente, algo que seria impossível para a generalidade dos países. Mas, para a Global Footprint Network, cada nação deveria ter como guia a biocapacidade global para sustentar o consumo dos seus habitantes, que é de 1,8 hectares por pessoa.
Fonte: Sapo

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Faleceu trabalhador ferido no Terminal XXI.



Miguel Naia, o trabalhador do Terminal XXI que teve um acidente no turno da noite, na madrugada de segunda-feira, no resultado do embate de dois prime movers ( Camiões de Transportes de Contentores), faleceu em virtude dos inúmeros ferimentos que possuía. A vitima de 38 anos, que era oriunda do Cercal, mas que vivia na aldeia de Porto Covo, estaria internado no Hospital de São José. Ainda não se sabe a data e hora do funeral, sabendo-se que a vitima deixou um filho menor.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Há mar e mar. E onde estão as oportunidades?


Até 2020, Portugal dispõe de mil milhões de euros para investir na economia azul. A aquacultura, a biotecnologia marinha ou a exploração de energias fósseis e renováveis são as novas áreas de aposta, ao mesmo tempo em que sectores mais tradicionais, como o transporte marítimo, a actividade portuária ou até mesmo a indústria de transformação do pescado, têm crescido em contraciclo

Há mar e mar, há ir e voltar", dizia o slogan que o poeta Alexandre O'Neill, também publicitário, criou para uma campanha de prevenção contra o afogamento nas praias portuguesas e que foi para o ar nos anos 80, acabando por assumir o estatuto de dizer popular. É tempo agora de reinventar a frase, olhar para o mar de forma estratégica e como activo valioso que é para a economia portuguesa. "Há mar e mar, há oportunidades e procura-se investimento", diz quem nos governa e quem no oceano já investe ou quer investir. E, de repente, três eventos coincidiram no tempo. Os velejadores Volvo Ocean Race, a maior regata à volta do mundo, chegaram a Lisboa nos últimos dias de maio. Dias depois, a 3 de Junho, decorreu a Semana Azul, evento que juntou mais de duas centenas de líderes políticos e empresários mundiais do sector do mar, a que se somou a conferência World Ocean Summit, promovida pela The Economist. Acontecimentos que colocam Portugal novamente no mapa dos grandes acontecimentos marítimos.
Nos últimos anos, insuflado pelo discurso político, o oceano voltou a entrar no imaginário dos portugueses: há uma Lei de Bases do Ordenamento do Espaço Marítimo prestes a entrar em vigor e que dá indicações precisas sobre como se podem explorar o território e os recursos marinhos; há uma nova estratégia para o mar; há um programa de fundos comunitários, o Mar 2020, a estrear-se para os que quiserem investir em actividades ligadas ao mar, e há a percepção cada vez mais nítida de que o oceano é muito mais do que pesca: os portos lusos batem recordes na movimentação de mercadorias, a indústria de transformação de pescado já está a exportar mais do que o sector do vinho e outras áreas de negócio, praticamente inexistentes há meia dúzia de anos, começam a ganhar massa crítica. Desde quando passámos a falar de biotecnologia marinha? E de economia azul? E do valor do nosso mar?
E se há mar... Portugal entregou em 2009, nas Nações Unidas, uma proposta para a extensão da sua plataforma continental para além das 200 milhas marítimas que delimitam as fronteiras da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE). Se for aceite, o país tornar-se-á num dos maiores países do mundo, com um território de quatro milhões de quilómetros quadrados o equivalente a mais de 90% da área (em terra) da União Europeia. O que se esconde nas profundezas deste mar ainda está por descobrir. Nem mesmo o Governo põe as mãos no fogo sobre quanto será o seu valor. Mas as perspectivas são auspiciosas: recorrendo a um estudo de um investigador norte-americano, Bramley J. Murton, que fez uma inventariação das várias plataformas continentais do planeta, e fazendo a extrapolação, Manuel Pinto de Abreu, actual secretário de Estado do Mar, acredita que ao nosso país cabe uma fatia de 10% numa riqueza global que se pode cifrar em oito biliões de euros. Contas feitas, são 880 mil milhões de euros para Portugal. E isto apenas no que diz respeito aos recursos marinhos que se escondem neste solo.
A nível global, o valor actualmente gerado pelos oceanos é de 21,2 biliões, segundo o WWF World Wide Fund, entre actividades directas, como a pesca e o transporte marítimo, e indirectas, como o turismo náutico. Números gigantes, impensáveis até, se compararmos com os valores bem mais modestos que as actividades ligadas ao mar representam, nos dias de hoje, no produto interno bruto (PIB) nacional: apenas 3% do PIB, perto de cinco mil milhões de euros (a que se acrescenta outros três mil milhões com as actividades indirectas). Até 2020, o objectivo é chegar a 4%.

NOVOS FUNDOS COMUNITÁRIOS

O crescimento deverá ser feito a reboque do novo Programa Operacional do Mar, o Mar 2020, que a partir do próximo ano e durante outros cinco vai injectar a liquidez no sector: serão 392 milhões de euros em fundos comunitários. A estes juntam-se mais 115 milhões do Orçamento do Estado nacional. Se, em média, os investimentos são comparticipados a 50%, a iniciativa privada terá de somar a estes incentivos mais outros 500 milhões. "Estamos a falar de mais de mil milhões de euros de investimento até 2020", regozija-se Manuel Pinto de Abreu, sobretudo agora que "estamos a chegar ao momento em que o novo enquadramento legislativo vai permitir começar a concretizar muitas das manifestações de investimento", continua.
Aprovada no ano passado pelos partidos do Governo, PSD e CDS, mas também pelo PS, a nova lei pretende impulsionar o investimento não apenas de cariz empresarial, mas também científico e de promoção da inovação em consonância com preocupações ambientais e de ordenamento: "Falta apenas concluir um conjunto de portarias que fixam uma série de matérias", indica o governante. Entre outras aplicações, estabelece a forma como podem ser concessionados espaços marítimos, bens públicos por excelência, a agentes privados (as concessões podem ir até um máximo de 50 anos) e estipula planos de acção para actividades como a aquacultura.
Desde o ano passado que Pinto de Abreu e a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, têm visitado vários países e levam o mar português na bagagem. Noruega, Japão, Coreia do Sul, Estados Unidos e Chile foram alguns onde procuraram investimento estrangeiro. "Temos tido, todas as semanas, demonstrações de interesse", atira. "Ainda agora cá tivemos um grande empresário colombiano que veio a Peniche estudar a possibilidade de lhe fornecermos peixe e marisco fresco. Como este há outros", avança. Sem esquecer ainda os acordos de cooperação entre países, como o que foi firmado entre a Universidade de Kinki, pioneira na implementação da aquacultura, e a Universidade do Algarve. "Kinki está ligada a um grande grupo empresarial japonês. O nosso foco não está apenas na cooperação universitária. Queremos, a partir dela, concretizar investimentos produtivos. Sabemos que os japoneses não estão só interessados em vir cá trazer o atum, querem investir na aquacultura de outras espécies de pescado europeu", diz o secretário de Estado.
De acordo com as prioridades definidas pela União Europeia (UE), o programa Mar 2020 estabelece como grandes linhas de ação a melhoria da eficiência e da sustentabilidade das pescas e da frota (103 milhões de euros), também com incentivos à diversificação da atividade dos pescadores e apoios à recolha de dados sobre o estado efetivo não só dos stocks das diversas espécies de peixe, mas também do sistema marinho (cerca de 31 milhões).
A aquacultura, em inshore (locais junto à costa) ou em offshore (alto-mar), apoiada em 59 milhões de euros, assim como o aproveitamento dos recursos ligados à pesca através da biotecnologia são outras das grandes áreas de investimento previstas no novo pacote financeiro comunitário, que vigorará entre 2016 e 2020 e que é o quinto mais elevado entre os países da UE. Até ao final deste ano, terá de ficar fechado o Promar, o programa referente ao quadro comunitário 2007-2013. A taxa de execução do pacote de 232 milhões de euros fixa-se agora em 70%. "Mas temos contratados investimentos na ordem de 500 milhões de euros, o que significa que temos investimentos contratualizados em 112,6% do Promar. Temos contratos em carteira. Estamos numa fase de avaliação muito criteriosa dos Projectos, para vermos os que são viáveis de acontecerem nos próximos meses e aqueles que devem transitar para o próximo programa", explica. Se o Promar apenas podia apoiar pequenas e médias empresas, o novo Mar 2020 vai mais longe e abarca também as grandes empresas.
O sucesso da execução dos pacotes financeiros, lembra Pinto de Abreu, só depende dos investidores. Por vezes, a falta de arcaboiço financeiro das empresas nacionais, que têm primeiro de realizar despesa e só depois, mediante a apresentação da despesa, recebem as ajudas comunitárias, é um travão. Mas há também situações em que os empresários já efetuaram os investimentos mas não reclamam o capital que lhes foi previamente aprovado.
Existe ainda uma agravante "extraordinária" relativamente a outros sectores: são investimentos normalmente intensivos em termos de capital e muito morosos. "Acontece em qualquer parte do mundo, não é uma característica portuguesa", assevera. Primeiro, há que vencer a barreira burocrática e conseguir aprovação para o financiamento comunitário. "Os resultados não irão aparecer no dia seguinte. Basta pensar na aquacultura: se decidir hoje lançar um projecto nessa área, mesmo tendo garantido o licenciamento e as ajudas ao financiamento, vou levar mais de um ano a ter o equipamento pronto para ser instalado no mar; depois, a instalação levará mais um ano; só depois é que posso começar a pensar na produção." É necessário mudar o paradigma de investimento que Portugal tem conhecido nas últimas décadas, em que se procuram actividades que permitam rápidos encaixes, mesmo que não sejam estratégicas para o país. É a crença de Tiago Pitta e Cunha, especialista em assuntos do mar e consultor da Presidência da República. "Temos de mudar de investidores. Não podemos ter investidores que não querem arriscar. Assim, não iremos ter indústrias novas, vamos continuar a apostar nas velhas e grandes empresas deste país, como fizemos nas últimas décadas. E deu no resultado que vimos", lamenta.
Os capitais portugueses são bem-vindos. Como o são os provenientes do estrangeiro, até porque empresas lusas padecem de uma crónica descapitalização. "Afinal, o que fizemos nos últimos 40 anos? Se o capital estrangeiro vier e for capaz de construir um sector dinâmico, uma economia azul global, qual o problema? É altura de começarmos a fazer alguma coisa", atira o especialista. Já Pinto de Abreu conta que "a maior parte dos investimentos neste sector ainda é feita por empresários nacionais". Os estrangeiros "podem acrescentar valor a esse investimento se trouxerem tecnologia, capital e mercado que ajudem a dar escala ao sector".

MAR TEM SIDO PROFUNDAMENTE DISFUNCIONAL

A aposta deve ser feita nas vantagens comparativas de Portugal relativamente a outras economias. E que estão longe de serem entendidas pelos investidores portugueses. Ou não fosse este sector nacional "profundamente disfuncional", afirma Pitta e Cunha. "Nos países com um sector marítimo interessante, o sector de transportemarítimo e atividade portuária é o que tem maior peso. Apenas nas economias que também têm petróleo e gás natural é que a energia ganha ao shipping. A fórmula mais frequente nesses países é: energias fósseis, transportes marítimos e turismo", explica. Em Portugal, destaca-se uma actividade indirecta do mar (turismo) e, depois, a pesca, a transformação e o comércio por grosso.
"Não somos um país assim tão rico que se possa dar ao luxo de desperdiçar o seu principal recurso natural", diz o especialista. Aponta para o exemplo de Singapura, economia que, apesar das suas fragilidades, a começar pela dimensão territorial diminuta desta cidade-Estado, fez da localização geográfica o ponto de encontro entre os oceanos Índico e Pacífico o seu maior ativo, transformando--se numa plataforma de transportes por excelência. E por causa dela outras indústrias se desenvolveram, como os serviços financeiros, incluindo seguros, e de apoio a esta atividade (qualificação de navios ou peritagens).
Por que razão Portugal ainda não entendeu como rentabilizar o seu mar? A Revolução de 1974 e a sua matriz marcadamente anti-imperialista impôs um corte profundo com o mar, um elemento central da propaganda do Estado Novo e que era nessa altura um verdadeiro cluster, já que as frotas pesqueira e da Marinha portuguesa eram das maiores do mundo, havia portos e estaleiros navais lusos no golfo Pérsico e tínhamos a maior indústria conserveira. "O 25 de Abril trouxe uma rutura nos padrões de produção e um corte com um estilo de vida que era, apesar de tudo, mal remunerado. Depois, haveria de chegar a Europa. Virámos as costas ao mar, metemo-lo numa gaveta e convencemo-nos de que ele não era necessário. O caminho era a Europa. Isso entrou na psique colectiva e é muito difícil de deitar abaixo ideias feitas", diz Pitta e Cunha.

COMO FUNCIONA O CÍRCULO VIRTUOSO DO MAR?

Em média, a economia azul vale 5% da riqueza gerada nas economias europeias. Há, claro, excepções, como a Noruega (20%), onde a pegada marinha é muito maior, mas se Portugal, em 2020, conseguir acompanhar os congéneres europeus, então poderemos ser "ambiciosos e esperar uma década entre 2020 e 2030 muito bem sucedida, desenvolvendo uma plataforma produtiva nacional com base na economia domar", acredita Tiago Pitta e Cunha. Mas será necessária uma abordagem industrial e inteligente perante os recursos do mar. No fundo, trata-se de gerar um ciclo virtuoso, gerido temporalmente.
Agora, é continuar a investir nos sectores tradicionais, que têm crescido contracorrente, como a indústria do pescado, que já exporta 900 milhões de euros. Ao mesmo tempo, é dar um grande impulso à aquacultura. Essa será uma das apostas para o futuro imediato da economia do mar, tendo sido definida como uma das grandes prioridades até 2020 da UE, que há 15 anos não aumenta as quotas de pescado aquícola. Em Portugal, o investimento permitirá contornar o grave problema de falta de matéria-prima: consumimos à volta de 600 mil toneladas de peixe e temos de importar cerca de 400 mil todos os anos.
Mas nem só de peixe vive a aquacultura. As algas também podem ser cultivadas no mar além de serem cada vez mais consumidas como alimentos (cada japonês consome, em média, 8 kg por ano), são o motor de um outro sector que também dará um salto futuro mais próximo: a biotecnologia azul. Através de tecnologia avançada (que contraria o padrão tecnológico de gama média-baixa próprio da economia portuguesa), é possível transformar os biorrecursos marinhos que Portugal tem em grande quantidade e variedade em produtos de valor acrescentado para indústrias como a farmacêutica, cosmética, nutriciência ou alimentação. A biodiversidade existe, assim como o conhecimento: desde 1998, Portugal sextuplicou o número de biólogos marinhos e doutorados neste campo de conhecimento. Há a matéria-prima e o capital humano necessários.
"Num futuro mais distante, digamos daqui a 10 anos", a área das energias renováveis, sobretudo a eólica, pode já estar a ser explorada industrialmente, nomeadamente em estruturas offshore flutuantes, acredita Tiago Pitta e Cunha, "já que a nossa plataforma continental é muito funda". Há projetos a decorrer, como o Wind Float, na Póvoa de Varzim, que apesar de recorrer a tecnologia estrangeira para construir uma turbina de 8 MW, em equilíbrio dinâmico, pode ser o princípio de um projecto que "pode até ter um impacto enorme na maior indústria portuguesa, a metalomecânica. Só isso deveria levar à criação de uma política de Estado para desenvolver e manter este protótipo em Portugal". E, já agora, porque não aproveitar estas estruturas para as adaptar também à aquacultura de bivalves?
A exploração das energias fósseis petróleo e gás natural também será um desígnio a mais longo prazo,"dentro de duas a três décadas", já que só agora se iniciarão as prospecções: o primeiro furo deverá ser feito pela Repsol-Partex ainda este ano. O mar não acaba aqui. A exploração das potencialidades do mar alto, começando nas turbinas eólicas flutuantes e acabando na mineração, será o estímulo necessário para fazer crescer um sector que, apesar de já existir, se mantém confinado ao ambiente académico: o das tecnologias subaquáticas, onde já existem algumas start-ups e onde instituições como a Faculdade de Engenharia, da Universidade do Porto, ou o Instituto de Sistemas e Robótica, do Instituto Superior Técnico, dão cartas neste tipo de robótica necessária, por exemplo, para as operações de prospecção e exploração do subsolo marinho.
Em rota de crescimento entrarão também as tecnologias de informação e comunicação marinhas. Também aqui já existem empresas nacionais de referência mundial, como Critical Software: em Abril, a tecnologia Oversee, concebida para ajudar nas operações de busca e salvamento, ganhou um prémio internacional.
Neste ciclo virtuoso do investimento no mar falta mencionar um sector que, afinal, é o essencial: o transporte marítimo. Não existirá um verdadeiro cluster do mar se não se estimular a actividade portuária, que tem vindo a bater recordes de mercadorias. Se não tivermos transportes marítimos, não teremos construção nem engenharia naval, não teremos tecnologia offshore, não teremos verdadeiro know-how. Se não tivermos isso, não conseguiremos desenvolver outras áreas da economia do mar.

MAR DE NÚMEROS

8
mil milhões de euros é quanto vale a economia do mar em Portugal, incluindo actividades directas e indirectas. Contabilizando apenas as primeiras, estamos a falar de cerca de cinco mil milhões de euros, à volta de 3% do PIB. São 120 mil os empregos associados ao sector e 11 mil as empresas com actividades ligadas ao mar.
70%
é a execução do Promar até agora, o programa operacional do anterior quadro comunitário (2007-2013) que chega ao fim no dia 31 de Dezembro deste ano. Uma dotação total de 232 milhões de euros, que, juntando-se ao investimento privado, permitiu desde 2007 investimento no mar na ordem de 500 milhões de euros.
1000
milhões de euros é o investimento disponível, entre capitais públicos e privados, para investir neste sector, ao abrigo do novo orçamento comunitário Mar 2020, que cresceu 60% relativamente ao Promar.
600
milhões de euros é quanto o sector da aquacultura poderá vir a valer, segundo a Associação Portuguesa de Aquacultores. Vale hoje 60 milhões de euros
5
mil milhões de euros poderá vir a ser o valor da biotecnologia azul em 2030, segundo dados da BlueBio Alliance.
82,7
milhões de toneladas foi o movimento geral de mercadorias nos portos do continente em 2014.
30
milhões de euros são as receitas directas para o país geradas com o stopover em Lisboa, entre 25 de maio e 7 de Junho, da Volvo Ocean Race, a maior regata oceânica à volta do mundo.
Fonte: Expresso/Exame