sexta-feira, 31 de maio de 2013

Ocupação da marina do Parque das Nações ronda 80% da capacidade


Quatro anos depois de ter sido reaberta, a Marina do Parque das Nações, em Lisboa, está agora em pleno funcionamento e com uma ocupação de 80% da sua capacidade, disse à Lusa fonte da Parque Expo.
Construída por ocasião da Expo'98, a marina teve de fechar em 2002, depois de minúsculas partículas argilosas em suspensão, transportadas pelas correntes, a terem transformado num lamaçal do tamanho de 15 campos de futebol.
A sociedade Parque Expo, criada para gerir a zona do Parque das Nações e cuja extinção foi já anunciada, decidiu reabilitá-la e, numa primeira fase, foi recuperada toda a parte sul da marina, reaberta a 15 de Agosto de 2009.
"Foi um grande investimento que se fez. Tivemos de voltar a reconstruir outra vez a marina. Melhor fosse a actividade económica do país e arrancávamos para a segunda fase, que é a recuperação da parte norte", disse fonte da Parque Expo.
Segundo a mesma fonte, a parte sul está toda reabilitada, o edifício Nau (que estava inactivo) está a ser comercializado e há várias actividades na marina, como passeios de barco.
"O lago sul está a 80% da sua capacidade", indicou.
Contactada pela Lusa, o presidente da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações disse que aquele é um "local de excelência por várias razões: está em Lisboa, fica perto dos meios de transporte, tem boas infraestruturas à volta" e a taxa de ocupação está a exceder as expectativas.
Contudo, lamentou que esteja por resolver o problema do desassoreamento.
"Para o projecto continuar a ser um sucesso, há que não ter limitações em termos de acesso pelo rio. O desassoreamento tem de passar a existir de forma permanente", defendeu.
Afirmando que todas as marinas em estuários têm problemas de assoreamento, Paulo Andrade considerou que neste caso em particular é preciso uma dragagem permanente.
No entanto, o presidente frisou que "a culpa" desta situação "não é da marina, é da forma como se pensa o estuário", e defendeu que o rio "devia ser pensado de forma integrada" por todas as autoridades que nele intervêm.
Para mostrar que a marina está em ascensão, Paulo Andrade disse que em Setembro de 2009 existiam 62 embarcações com contratos de longa duração na marina e em Setembro de 2012 esse número subiu para 145.
"Tivemos cinco visitantes (embarcações que ficam por pouco tempo) nacionais em Setembro de 2009 e 109 no mesmo mês de 2012", acrescentou.
Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações, José Moreno, disse que a marina pode "ter sido um 'flop' durante algum tempo", mas assegurou que a "situação foi ultrapassada".
"É indiscutível hoje que tem funcionado como âncora de desenvolvimento e consolidação daquela zona. Está a crescer em termos de ocupação dos postos de amarração", afirmou.
A marina foi a principal razão do investimento imobiliário e comercial na zona sul da Expo'98, área que, antes da exposição mundial, foi um terminal de combustíveis.

Fonte: DN

Alforreca pode integrar dieta alimentar e inverte o envelhecimento



O consumo alimentar de medusas, comummente designadas como alforrecas, é a nova sugestão da agência das Nações Unidas para a Alimentação para enriquecer a dieta humana, até porque algumas variedades deste ser marinho têm propriedades que invertem o processo de envelhecimento.

De acordo com um documento da FAO (Food and Agriculture Organization) divulgado nesta quinta-feira, em Roma, a melhor forma de combater a proliferação destes seres marinhos, cujo aumento populacional está a ser determinado pela pesca excessiva de peixes predadores – sobretudo no Mediterrâneo e no Mar Negro -, é comê-los, como já se faz na China.

A recomendação de inclusão das medusas na dieta alimentar surge poucos dias depois da sugestão, pela mesma entidade, da inclusão de insectos na dieta para ajudar a combater a fome no mundo.
Um «oceano de medusas» está a caminho de suplantar um «oceano de peixes», adverte o relatório da FAO analisando o impacto [negativo] das cada vez mais frequentes marés de alforrecas nos ecossistemas marinhos. É que, o aumento destes seres gelatinosos que se alimentam de larvas e ovas de peixes também constitui uma ameaça para outras espécies piscícolas que vão rareando no mar.

Ora, entre as soluções e argumentos apontados para travar o «ciclo vicioso» que ameaça diversos ecossistemas, a FAO refere a inclusão das alforrecas na dieta alimentar, lembrando ainda que, além das substâncias químicas que podem contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e produtos tecnológicos baseados nas suas moléculas activas, as medusas estão entre os seres vivos mais  antigos do planeta e contêm em si, os princípios das «inovações  evolutivas».

A espécie Turritopsisi nutricula, conhecida como a "medusa imortal", é capaz de inverter o processo de envelhecimento e pode ser objecto de estudos para a elaboração de produtos rejuvenescimento de uso humano.
Fonte: Diário Digital

Porto de Leixões alarga o seu campo de acção até Salamanca


As obras até já arrancaram mas só esta sexta-feira foi oficialmente lançada a primeira pedra da Plataforma Logística de Leixões, uma infraestrutura de apoio às cadeias logísticas que usam o porto. O equipamento terá dois pólos em 70 hectares e deverá entrar em funcionamento em 2014.
O pretexto para a cerimónia foi a assinatura de um contrato-promessa entre a Administração dos Portos de Douro e Leixões (APDL) e a Zaldesa - Plataforma Logística de Salamanca. O acordo prevê a instalação dos espanhóis em 4500 m2 do pólo 2 da Plataforma e a entrada da APDL no capital accionista da Zaldesa, alargando a sua área de acção e tornando-se no primeiro porto estrangeiro a ser accionista de uma plataforma logística do interior espanhol. "Ambas as partes saem fortemente beneficiadas", considerou Fernando Rodriguez, presidente da Zaldesa.

Fonte: JN


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Há um campeonato de surf para cães na Ericeira


Valor angariado com as inscrições no 1.º Campeonato Nacional de Surf para Cães, na Ericeira, reverte a favor de uma associação de protecção de animais.

Que ninguém se iluda: os cães não sabem surfar, pelo menos não como os humanos. Não há nenhum Garrett McNamara no mundo canino, mas há cães que gostam mais de água e pranchas de surf do que outros. Para esses, decorre no sábado o 1.º Campeonato Nacional de Surf para Cães, na praia do Matadouro, na Ericeira.

A iniciativa é inédita em Portugal mas nos Estados Unidos, por exemplo, atrai milhares de pessoas. Tudo por uma boa causa, explica Ana Valente, proprietária da Trendypaws, uma empresa de coleiras com localizador que organiza a iniciativa. “O valor das inscrições reverte totalmente a favor de uma associação de protecção de animais, escolhida pelo júri e sorteada no final da prova”, afirma.

O objectivo solidário do evento é mais um pretexto para um dia bem passado à beira-mar. O “cãopeonato” começa ao início da tarde, às 14h, mas antes há uma selecção dos concorrentes, porque nem todos podem surfar. As inscrições estão abertas a cães entre os dez meses e os dez anos e estão vedadas a cães de raça potencialmente perigosa, por um motivo: “a lei exige que usem açaime, o que é incompatível com esta actividade”, ressalva Ana Valente.

Avaliação prévia 
O programa começa por volta das 9h30. A ideia é que cães e donos se apresentem até às 12h30 para avaliação, que será feita por um especialista em educação canina. Só os animais que passarem nesse primeiro teste podem concorrer (e portanto só esses pagam a inscrição no campeonato, no valor de 10 euros).

“O objectivo é perceber se o cão tem medo ou se brinca na água sem problemas e se consegue subir para a prancha”, refere, sublinhando que a ideia não é ter “animais assustados nem em stress”.

Aos donos, aconselha-se que treinem o animal previamente. Não falta informação online sobre como treinar cães surfistas, mas a organizadora dá algumas dicas. Primeiro, o cão tem de ser treinado em casa a ir para cima da prancha. “Podem experimentar alimentá-lo em cima da prancha para ele associar aquele local a uma coisa boa”, sugere. Depois é preciso ver se consegue fazer o mesmo à beira-mar, na zona da rebentação.

Durante a prova, dentro de água estarão monitores de surf da escola do surfista Tiago Pires, um dos melhores do mundo. O cão só entra na água de colete salva-vidas vestido e acompanhado pelo dono, que deverá estar sempre por perto. Outro monitor vai estar a indicar as ondas para cada cão surfar.

O evento já tem duas dezenas de inscritos mas a organização espera que apareçam muitos mais no dia da prova. Para o dono do cão mais à vontade na água em cima da prancha está reservado o primeiro prémio: uma máquina fotográfica GoPro, uma coleira Trendypaws e ração. O segundo classificado recebe, em vez da máquina, uma prancha de surf, e o terceiro terá uma aula de surf na escola de Tiago Pires, na Ericeira.

Se a moda pegar, Ana Valente quer organizar o evento anualmente e até fazer uma edição no Norte do país.

Fonte: Público.

Tiago Pitta e Cunha: “O mar tem que ser sinónimo de futuro”


Portugal esteve 40 anos sem ver o valor do mar, "e é necessário desmistificar o mar como sinónimo de passado e sim do futuro”, explicou Tiago Pitta Cunha, ao apresentar os resultados de um estudo elaborado com a Cotec, “Blue Growth for Portugla”, hoje no Fórum do Mar, que tem lugar na Exponor até amanhã.
Para o consultor do Presidente da República para os assuntos da Ciência, Ambiente e do Mar, é fundamental olhar “para a economia real, para hoje e não para o futuro”, para isso o país “tem que apostar no transporte marítimo, na construção e manufactura do transporte marítimo e em mais matéria prima, pescado, onde a aquacultura tem um papel fundamental” e também “perceber onde devem ser aplicados os apoios”.
Para além disso, apostar na “clusterização ao longo das cadeias de valor, é preciso que as empresas se unam, porque o segredo já não é a alma do negócio”.
No que diz respeito ao transporte marítimo, Tiago Pitta e Cunha refere que "na nossa economia real é um setor estigmatizado, que equivale a 350 milhões de euros por ano, o que não é nada, devia significar milhares de milhões, como acontece na Bélgica, por exemplo".
E o transporte marítimo "é fundamental para a construção e renovação naval, ou seja, toda a indústria naval, porque o resultado de ter acabado com o transporte marítimo foi o fim da industria naval".

Para além disso, acrescenta, "temos que desenvolver a fileira do pescado, incluindo a aquacultura", sem esquecer a indústria transformadora "que foi capaz de fazer um trabalho fantástico na divulgação dos benefícios dos produtos do mar para a saúde, e que se organizou, basta pensar que em 2004 as exportações desta fileira eram de 200 milhões de euros e agora rondam os 900 milhões de euros".
Fonte: Dinheiro Vivo.

Países europeus chegam a acordo para limitar excesso de pesca


França e Espanha lideraram decisão para reduzir 'descartes'. Nome designa a prática de jogar ao mar o pescado de menor valor comercial.


Os países da União Europeia (UE) e o Parlamento Europeu (PE) alcançaram um acordo na madrugada desta quinta-feira (30) sobre os principais pontos da reforma da Política Pesqueira Comum (PPC) e para evitar a sobrepesca a partir de 2014.
Após meses de difíceis negociações, a Comissão Europeia (CE), o Conselho Europeu (CE) e a Eurocâmara alcançaram um compromisso para limitar de maneira progressiva de 7% a 5% os descartes, como se denomina a prática de devolver ao mar a pesca de escasso valor comercial.
O Parlamento, que buscava uma proibição total desta prática, finalmente aceitou a proposta dos países membros da UE. Vários países europeus, liderados por França e Espanha, aceitaram reduzir de 7% para 5% os descartes, para, desta maneira, garantir um acordo na Eurocâmara.
"Estou muito satisfeito por termos acordado uma política que é realista, prática e que se baseia na sustentabilidade. É uma política que assegurará uma indústria vital, saudável e vibrante no futuro", considerou o ministro irlandês da Pesca, Simon Coveney, cujo país assume a presidência rotativa da UE.
Grupos ecologistas saudaram o acordo. O grupo Oceana comemorou o compromisso, que "restabelecerá a saúde" de nossos mares.
Fonte: G1


Manuel Pinto de Abreu. "Exportamos mais peixe que vinho"




Vêm aí 4 mil milhões de euros da União Europeia só para investir no Atlântico. Portugal poderá ficar com uma boa fatia do total
Manuel Pinto de Abreu tem a seu cargo a maior zona económica exclusiva da Europa e, em breve, os direitos de exploração e gestão exclusiva de outro tanto, num total de quase 400 milhões de hectares, o equivalente à superfície da Índia. Oficial da Marinha na reserva, licenciado em Ciências Militares Navais e Oceanologia, acredita que tanto mar pode fazer muito por Portugal e só lamenta que as coisas não andem à velocidade que gostaria. Mas sabe que, para se mover nestas águas, é preciso ter muita calma. O sector das pescas vale agora cerca de 1,3 mil milhões, mas tudo o resto pode valer muito mais.

O primeiro-ministro pediu aos ministérios mais contenção para compensar as medidas chumbadas pelo Tribunal Constitucional. A Secretaria de Estado do Mar foi muito afectada pelos cortes?
Não tivemos de fazer grandes alterações naquilo que era a nossa lista de prioridades, apenas ao nível da execução de projectos a lista ficou um pouco mais curta. Se virmos os programas que estão na estratégia nacional para o mar, muitos são para lançar o futuro e, embora o futuro tenha de começar a ser preparado hoje, não há necessidades urgentes comprometidas.

Qual o orçamento da Secretaria de Estado do Mar para 2013?
No total, ronda os 100 milhões de euros, já a contar com o corte, que terá sido à volta de 15% da verba final. Mas importa diferenciar duas coisas: os cortes e a racionalização. O mar tem uma estrutura bastante seca, quer ao nível da administração directa, quer ao nível da administração indirecta.

Portugal tem a maior zona económica exclusiva e a extensão da plataforma continental vai alargá-la ainda mais. Fiz-lhe esta pergunta há um ano: para quê tanto mar?
Queremos tanto mar para sermos um país maior, em território e no que isso significa em termos de peso a nível mundial.

Para ter peso tem de ter interesse económico. Está a ser explorado?
Não podemos olhar para este mar como um peso, temos de olhá-lo como uma oportunidade. As Nações Unidas criaram esta possibilidade porque havia um conjunto de Estados costeiros, sobretudo os mais desenvolvidos, a fazer um aproveitamento do mar bastante profundo e longe das suas costas, exactamente porque isso lhes trazia vantagens. Decidiu-se estender isso a todos e assumir também aquilo que não era de ninguém. O que estamos a fazer é a aproveitar uma oportunidade que tanto podemos explorar hoje, como podemos explorar no futuro.

Como disse, o futuro começa hoje...
Não creio que esta seja uma oportunidade que possamos deitar fora, mesmo que hoje não tenhamos possibilidade de começar a explorar esse mar - e é natural que não comecemos a fazê-lo já.

Porquê?
O desenvolvimento tecnológico ainda vai levar mais algum tempo. A nossa área tem características especiais que complicam um pouco as coisas, por ser uma área muito profunda, e temos de atravessar um percurso que é o de reconhecer aquilo que lá está. Quando descobrirmos alguma coisa realmente interessante, então não tenho dúvidas de que vai levar pouco tempo até que alguém queira explorá-lo.

Tem havido manifestações de interesse por parte de empresas portuguesas ou estrangeiras nas diversas áreas, da aquacultura aos hidrocarbonetos, passando pela biotecnologia azul ou pelos metais?
Se formos ver o número de pedidos que estão na International Seabed Authority, que regula a gestão da área, verificamos que está bordejada deles.

Por exemplo?
A sul da nossa área dos Açores, por exemplo, há pelo menos um pedido russo, um pedido francês e um terceiro, cuja nacionalidade não recordo. Mas há quem já tenha dito que quer apresentar pedidos. E estamos a falar de uma zona que é conhecida por todos como sendo de menor interesse do que a nossa área de extensão.

O que mudou no espaço de um ano? Lembro-me de que a Nautilus era uma das empresas interessadas em explorar o nosso mar...
A Nautilus, que de facto manifestou interesse, está a fazer prospecção na Papua Nova Guiné, onde o projecto se atrasou. A primeira razão foi porque o estaleiro onde estavam a construir um navio era alemão e faliu. Depois, as condições contratuais negociadas com o próprio governo atrasaram-se. Isto leva a que a exploração, que estava previsto começar dentro de dois ou três anos, vá começar muito mais tarde. Aqui é igual. No ano passado já foram feitos cruzeiros para identificar o que existe e este ano também serão feitos cruzeiros para saber mais sobre o que lá está.

Cabe a Portugal investir para descobrir o que existe ou essa é uma tarefa para os privados?
Normalmente, para exploração de hidrocarbonetos são feitas concessões. Para isso tem de existir uma ideia de modelo geológico que crie apetite ao mundo. Primeiro temos de estudar, ver se o modelo geológico dá boas indicações de probabilidade de encontrar alguma coisa grande, e só depois podemos vender as concessões.

Qual a área em que já foi feita essa investigação?
No projecto de extensão cobrimos 1,8 milhões de quilómetros quadrados, mas apenas com levantamento de morfologia submarina, que dá algumas indicações. Mas cobrir uma área que é menos de metade do total levou-nos seis anos. Para a zona da plataforma continental, se formos fazer os levantamentos geofísicos necessários - e não apenas determinadas observações, recolha de amostras -, a área é ainda menor. Tudo isto leva muito tempo e a regra do jogo é esta: ter paciência.

Concretamente, o que está o governo a fazer neste momento para mostrar ao mundo que o mar português tem recursos que vale a pena explorar?
O projecto de extensão, além de alguns levantamentos complementares, continua a ser executado. Ao mesmo tempo, no quadro da estratégia nacional para o mar, há uma série de programas de reforço da capacidade nacional para levar a cabo essa acção.

Estamos a falar da exploração de recursos que exigem grandes investimentos. Mas há outros que, embora aparentemente mais fáceis, revelam-se muito complicados, como é o caso da aquacultura. Por que razão é tão difícil licenciar estes projectos?
Esperamos que isso venha à luz do dia rapidamente, porque está trabalho feito ao nível de ordenamento e da gestão do espaço marítimo. A proposta já está para discussão na Assembleia da República. Temos em curso um processo de definição de algumas áreas na nossa costa - em princípio serão duas, uma na costa sul, outra na costa oeste - para lançar um concurso internacional de atribuição de novas áreas de aquacultura já licenciadas. A ideia é, no momento em que alguém ganhe, tenha a licença para começar imediatamente a exploração.

Mas previa que isso tivesse acontecido em Junho ou Julho do ano passado...
A lei de bases atrasou-se bastante e acabou por ir para a Assembleia da República apenas no final de Fevereiro deste ano. Mas atenção que já existem áreas concessionadas. O concurso para atribuição de novas áreas é separado da lei de bases. Normalmente, o que acontece é que o licenciamento tem previsto o que não se pode fazer. Estamos a fazer o contrário, a dizer o que pode ser feito e em que condições. Depois, só temos de fiscalizar.

Por que motivo esta questão se torna tão complicada?
No mar não há, nem pode haver, propriedade privada. As convenções internacionais, nomeadamente em termos de navegação, impõem isso. O processo de licenciamento tem de incidir fundamentalmente sobre duas vertentes, com uma terceira associada. A primeira é licenciar o uso do espaço - marcar a área ou o volume a utilizar -, a segunda é o licenciamento da própria actividade e, com esta, vem a terceira, que é a preservação ambiental.

Havia privados interessados em investir, nomeadamente noruegueses. Não estão já desmotivados?
Às vezes achamos que demoramos muito, mas o processo de licenciamento noutros países é semelhante, com prazos que vão de dois a quatro anos. O que não quer dizer que seja bom, temos de fazer melhor...

Disse que entretanto já se atribuíram licenças. Já estão a acontecer coisas?
Neste momento temos na água ou estão a caminho da água uma série de novos empreendimentos de aquacultura offshore, sobretudo de bivalves, que vão permitir aumentar a capacidade de produção total para as 30 mil toneladas, talvez mais. Também aqui, são projectos aprovados, mas isto não vai suceder amanhã?

Vai acontecer quando?
Se vier entrevistar-me para o ano, já estaremos a produzir 15 mil novas toneladas ou mais. As novas áreas de aquacultura levam cerca de dois anos até começarem a produzir, o que quer dizer que temos de esperar até 2015 para começarmos a ver a capacidade produtiva crescer. Mas já lá estão.

Nestes quase dois anos, quantas licenças foram atribuídas para esta actividade?
Em termos de grandes empreendimentos temos, por exemplo, a Testas & Cunha, para mais entre 10 mil e 15 mil toneladas, o Finisterra, que são mais oito mil toneladas, e a área-piloto da Armona, que neste momento tem na água, ou a caminho, entre cinco mil a dez mil toneladas. Estas 30 mil novas toneladas significam quadruplicar a produção existente. E nós, o que marcámos como objectivo até 2015 foi duplicar a produção, que é actualmente de entre oito mil e dez mil toneladas. E vamos abrir novas áreas, o que não vamos é licenciá-las todas para já.

Quanto representam essas dez mil toneladas?
As dez mil toneladas actuais representam cerca de 50 milhões de euros. É seguro dizer que cada dez mil toneladas valem 50 milhões de euros, por isso estamos a falar de mais 150 milhões para 2015.

Esta é apenas uma percentagem do valor das pescas... E o resto?
O valor das pescas aumentou cerca de 12% no global. Temos a aquacultura, de que já falámos, o peixe fresco (cerca de 300 milhões de euros) e ainda o sector do transformado, que engloba também as conservas (perto de 1,8 mil milhões de euros, 800 milhões só em exportações). Estamos a falar de um total de 2,3 mil milhões de euros. Uma coisa que poucos sabem é que exportamos mais peixe e produtos de pesca do que vinho.

Quando as pessoas dizem que hoje se pesca menos, não é verdade?
Nós, na relação daquilo que é a nossa captura e o consumo de pesca, em comparação com a média da União Europeia, estamos bem. E a ideia de que antes se pescava mais é errada. O que acontece é que havia pesca longínqua e se pescava em águas de outros países, como a Namíbia, o Canadá e, mais recentemente, a Mauritânia e Marrocos. A criação, no início dos anos 80, de zonas económicas exclusivas acabou por nos tirar esses locais de pesca e remeter-nos para as nossas águas. Nas nossas águas continuamos a pescar sensivelmente o mesmo: um pouco mais num ano, um pouco menos noutro, mas a quantidade nunca é muito variável e a média ronda as 200 mil toneladas. A adesão à CEE trouxe muitos financiamentos que permitiram que o sector continuasse vivo. Hoje, o sector da pesca em Portugal é moderno e rentável.

A Docapesca - Portos e Pescas é uma empresa a privatizar?
A Docapesca, que tem feito um conjunto enorme de investimentos, teve resultados de 2 milhões de euros no ano passado. Eu não sou contra a privatização, acho que devemos considerar todos os modelos de gestão, mas é preciso olhar para a função social desta empresa. Nunca ouvi um pescador dizer que tem dificuldades com a Segurança Social, por exemplo. Isto é porque ele vai vender o peixe à Docapesca, que lhe dá o dinheiro na hora e, ao mesmo tempo, faz a declaração para a Segurança Social e deposita lá o dinheiro correspondente ao peixe. Ou seja, a Docapesca garante o rendimento ao pescador, garante o cumprimento das suas obrigações com a Segurança Social e, neste momento, estamos a tentar tratar da questão que existe relativamente ao IRS. Porque o pescador, pela natureza da sua actividade, não tem essa possibilidade. Em Portugal, cerca de 70% são embarcações pequeninas. Há perto de mil empresas de pesca e os pescadores têm um rendimento anual médio de 17 mil euros.

Em relação aos portos, há um ano acreditava que vários teriam de fechar. A questão está resolvida?
Não. Este ano fizemos dragagens em Vila do Conde, por exemplo, e já está tudo assoreado outra vez. É uma situação que não podemos manter. A dragagem de manutenção, que não chegou aos níveis que considerávamos satisfatórios, custou 750 mil euros e facilmente chega ao milhão de euros por porto.

Qual a solução?
Estamos a estudar várias soluções - no limite, fechar. Neste momento estamos a estudar a possibilidade de permitir que os areeiros [que usam a areia para a construção] façam essas dragagens por nós, sendo uma parte da areia devolvida às praias, e não pagamos nada pela extracção.

No sector das conservas está a haver algum investimento. Trata-se de projectos novos?
A nova fábrica de conservas da Freitas Mar custou cinco milhões, a nova fábrica da Ramirez vai custar 12 milhões, a fábrica da Poveira custou um pouco mais de cinco milhões... São todos projectos novos.

Isto representa mais empregos, ou não necessariamente?
A construção de uma nova fábrica aumenta a capacidade de produção e a eficiência, mas não requer necessariamente mais mão-de-obra. Mas as empresas também não despedem, garantem a continuidade dos postos de trabalho existentes. Por exemplo, um dos projectos é a substituição de uma fábrica que fechou por outra nova. Eram 90 trabalhadores e a empresa estimava que apenas necessitaria de 75. No final das negociações admitiu contratar os 90 e agora, na inauguração e face às perspectivas, já está a pensar contratar mais 30 pessoas. O mercado absorveu e aceitou bem a mudança.

Estes investimentos são fruto do interesse manifestado pelo investidor ou a própria secretaria de Estado tenta captar investimento?
O que tentamos é resolver as situações. Ou seja, mal há uma manifestação de vontade, procuramos agarrá-la e não a largar até ela estar concretizada. Tentamos assumir o compromisso de resolver as situações. E continuam a aparecer investidores interessados.

Quantas linhas existem para apoiar os investimentos na área do mar?
O financiamento das actividades ligadas à pesca - pesca, aquacultura e transformação - tem programa-quadro próprio que é o Promar, que previa investimentos da ordem dos 365 milhões de euros entre 2007 e 2013. O que aconteceu é que, quando chegámos, o Promar estava comprometido a cerca de 20% e, mesmo assim, por investimentos apoiados à pressa em 2010 - o que foi uma pena, numa altura em que o país não tinha as restrições orçamentais actuais.

E o que fez este governo?
Este governo garantiu, desde logo, que não faltaria um cêntimo do Orçamento do Estado para aproveitar todos os apoios comunitários ao investimento e, neste momento, o Promar está comprometido a 75% e deve estar completamente utilizado no final do ano. É desse investimento que esperamos o crescimento da produção de aquacultura ou o aumento da indústria conserveira, entre outras. Para ser mais concreto, o Promar ainda tem cerca de 70 milhões de euros para apoio ao investimento que seja proposto e aprovado até Dezembro deste ano.

E já está a ser negociado o novo quadro, 2014-2020?
No novo quadro 2014-2020 vai existir um outro fundo para os assuntos do mar - que deixa de se chamar Fundo Europeu das Pescas e passa a chamar-se Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas - que prevê um financiamento de pouco mais de 400 milhões de euros. Depois, há aquilo que o próprio Orçamento do Estado irá alocar a esta área e que estamos a prever que atinja os 400 milhões de euros entre 2013 e 2020. Além disso, existe a possibilidade de se utilizarem os fundos que não estão alocados a uma área específica e concorrer a eles, o que vai aumentar ainda mais o nível de financiamento.

Recentemente, a Comissão Europeia aprovou a Estratégia da União Europeia para o Atlântico. Boas notícias para Portugal?
O quadro de financiamento que é possível associar a esta estratégia, no global, é de cerca de 4 mil milhões para os cinco Estados abrangidos ou para todos aqueles que estejam interessados em actuar, investir e fazer coisas na área do Atlântico. Para ter acesso a este fundo é necessário que consigamos fazer os projectos adequados para captar investimento, e esse é que é o desafio. Até aqui tivemos um fundo à disposição para ser utilizado, mas agora vamos ter de lutar por essas verbas, o que nos obriga a ser assertivos.

Bem sei que os estaleiros são da competência do Ministério da Defesa, mas contou que a empresa que estava a construir o navio para a Nautilus faliu. Não pode haver aqui uma oportunidade para os estaleiros de Viana do Castelo?
Hoje, o transporte marítimo tem uma sobrecapacidade a nível mundial, existe mais oferta que procura. Mas há oportunidades? A frota de transporte de petroleiros, nalguns segmentos, vai ter de ser substituída. Mas isso não vai acontecer para o ano, vai acontecer daqui a um tempo, e é preciso estar atento ao momento certo. E ter capacidade para responder no momento certo é a chave. Depois, claro, há mercados com necessidades específicas; todos sabemos que o Brasil tem necessidade de navios para dar resposta àquilo que tem agora no mar. É preciso ir à procura deles.

Qual é a maior dificuldade com que até agora se deparou, onde é que as coisas empanam?
Há uma dificuldade que nós temos: é que Portugal tem uma série de visitas periódicas e de exames a que temos de dar prioridade, fruto do acordo assinado com a troika no âmbito do empréstimo financeiro. E esta é uma razão real. Nesses momentos, toda a atenção se centra nesses exames e tudo o resto pára. Aquilo que está resolvido, está resolvido, o que vai a meio tem, muitas vezes, de se recomeçar. Uma estratégia nacional para o mar não é uma matéria que se possa parar e 15 dias depois retomar a partir do ponto onde se parou. Podemos pensar que são desculpas, mas é uma realidade. No Ministério das Finanças estão tão absorvidos a dar resposta à troika - e tudo está dependente das Finanças - que, nestes momentos, a menos que seja uma situação de absoluta emergência, ninguém dá resposta. São muitos meses nisto, com consequências óbvias de atrasos. A culpa não é de ninguém, mas é uma consequência da nossa situação.

Acredita que este governo vá manter-se até ao fim?
Acredito. Até porque não acredito que ninguém no seu perfeito juízo empurre o país para eleições. Isso significaria, entre outras coisas, um segundo resgate.

Como é que gostaria de ver o mar em 2015?
Em 2015 gostaria de ter a pesca a valer mais 20%, gostaria que um navio com verdadeira capacidade de investigação fosse uma realidade, e conseguir uma farmacêutica para explorar os nossos recursos seria outra ambição. Repare, o Projecto de Extensão da Plataforma Continental custou menos de 30 milhões de euros; o ROV - Remotely Operated Vehicle - custou 4 milhões; o reequipamento do navio de investigação, com tudo o que lá está, cerca de 2,5 milhões; os laboratórios, cerca de 3,5 milhões; e o trabalho de campo de todos estes anos, cerca de 20 milhões de euros. Uma patente pode custar entre 500 e 600 milhões de euros.

Fonte: SICN
Vêm aí 

Aumento das alforrecas causa diminuição de peixes no Mediterrâneo e no Mar Negro.


O aumento acentuado das populações de

alforrecas, devido à sobrepesca, pode ser uma das razões para a redução das populações de peixes observada nos mares Mediterrâneo e Negro, segundo um relatório da FAO hoje divulgado.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a  Agricultura, a sobrepesca, que elimina os principais predadores das alforrecas,  é um dos fatores responsáveis pela proliferação destes animais, ou pelo  aumento repentino do seu número.  
Pode seguir-se um "ciclo vicioso", no qual um grande número de alforrecas  se alimenta de larvas de peixe e de juvenis, "reduzindo ainda mais a resiliência  das populações de peixe, já afetadas pela sobrepesca", segundo o relatório  da Comissão Geral das Pescas do Mediterrâneo da FAO.  
A alforreca "pode ser a gota de água que fez transbordar o copo", referiu  o relatório, intitulado "Estudo da Proliferação de Alforrecas no Mar Mediterrâneo  e no Mar Negro". 
Os efeitos graves que as alforrecas podem ter nas populações de peixes  foram demonstrados no início dos anos de 1980, quando a Mnemiopsis leidyi,  uma espécie de alforreca normalmente do Oceano Atlântico, foi acidentalmente  introduzida no Mar Negro e teve um impacto "devastador" nas populações de  peixe e nas pescas. 
O problema só foi resolvido depois de outra espécie invasora, a Beroe  ovate, que se alimenta das Mnemiopsis, ter sido introduzida no Mar Negro.
A alforreca tornou-se agora persistentemente abundante em quase todos  os oceanos do mundo, levando alguns especialistas a falar numa "mudança  no regime global, de oceano de peixes para oceano de alforrecas".  
As medidas defendidas para evitar ou lidar com a proliferação de alforrecas  incluem a incorporação desta espécie na investigação sobre as pescas, desenvolver  produtos à base de alforreca para a alimentação (que já ocorre em países  asiáticos, por exemplo) e medicamentos (para o rejuvenescimento humano),  estabelecer sistemas de alerta rápido sobre a proliferação, tomar medidas  para reduzir a sobrepesca e as emissões de gás com efeito estufa, que causam  a eutrofização.
Fonte: SICN


Nova política de pescas da UE pode pôr portugueses a comer peixes diferentes


Peixes sem interesse comercial eram devolvidos ao mar, mas isso vai mudar, apesar das críticas do sector pesqueiro.
A nova política comum de pescas da União Europeia pode vir a tornar mais comuns peixes pouco usuais no prato dos portugueses. Esta pode ser uma consequência da futura proibição da rejeição no mar de capturas acessórias de pescado, um dos pontos emblemáticos da reforma da política comum, mas também um dos mais criticados pelos pescadores em Portugal.
Tanto os Governos dos Estados-membros como o Parlamento Europeu - que ainda ontem à noite estavam envolvidos em negociações decisivas - estão de acordo quanto a banir a prática de descarregar no mar o peixe que é apanhado nas redes, mas que não interessa aos pescadores. Segundo Bruxelas, as rejeições representam 23% do total de capturas na Europa. Em 2005, a ONU falava em 8% a nível mundial.
Se a proibição for adiante, os peixes apanhados a mais terão de ser mantidos a bordo e trazidos para terra - embora possa haver excepções (ver caixa).
Parte das rejeições, hoje, refere-se a peixes sem interesse comercial. Os pescadores passarão a trazê-los para os portos e a única maneira de os compensar pelo prejuízo que isto pode significar - dado que os peixes estarão a ocupar espaço no barco - seria arranjar um forma de os vender. "Temos que valorizar o que é trazido a mais", afirma o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu. "Isto obriga a que haja um trabalho dos dois lados, dos pescadores e da administração", completa.
O secretário de Estado acha que isto é possível e dá o exemplo da cavala, uma espécie abundante na costa portuguesa, mas com potencial pouco explorado até há alguns anos. Segundo dados do INE, as capturas subiram 64% entre 2010 e 2012 e o preço mais do que duplicou, o que revela que o peixe está hoje mais valorizado. A Docapesca - que gere as lotas em Portugal - tem procurado estimular ainda mais o consumo, com uma campanha que está em curso desde o Verão passado.
Iniciativas semelhantes poderiam colocar no mercado peixes a que hoje se dá pouco valor, e que aparecem como captura acessória, como a boga ou a tainha do alto mar.
Esta hipótese não é, no entanto, suficiente para acalmar as críticas dos pescadores quanto à provável proibição das rejeições. "Valorizar qualquer produto num contexto de crise é complicado", alerta o secretário-geral da Associação de Armadores da Pesca Industrial (Adapi), António Schiappa Cabral.
No entender da Adapi, é impossível evitar a captura acessória numa actividade pesqueira multi-espécies, como a portuguesa. E as rejeições, segundo a associação, acabam por ocorrer por razões não só comerciais, mas também regulamentares. Um peixe cuja quota se esgote antes do fim do ano - uma situação comum para espécies como o tamboril, a solha, o linguado e a sarda - facilmente aparece nas redes, sem que o pescador o possa trazer para terra, sob pena de ser penalizado. Devolvê-lo ao mar é a única solução.
"Proibir as rejeições é o mesmo que introduzir uma norma no Código da Estrada a proibir os acidentes", afirma António Cabral, defendendo antes um plano estratégico plurianual, a médio prazo, para minimizar o problema.
O presidente da Associação Nacional das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (Anopcerco), Humberto Jorge, também critica a proibição das rejeições, dizendo que irá criar situações desnecessárias de ilegalidade aos pescadores. "Rejeições zero é uma utopia. Ainda não percebi o que é que se vai conseguir com isso", afirma.
Difícil de aplicar
As espécies normalmente capturadas pela pesca do cerco - como a sardinha e a cavala - serão as primeiras abrangidas pela obrigatoriedade de trazer tudo para terra, possivelmente a partir de 2015. Humberto Jorge diz que o cerco em si praticamente não resulta em capturas acessórias. "É uma arte muito selectiva", afirma. Quando surgem outras espécies à mistura, ou se faz uma selecção manual, com níveis pequenos de rejeições, ou se liberta o pescado ainda na água, antes de ser trazido a bordo.
Para Humberto Jorge, antes de legislar, Bruxelas deveria fazer um estudo real sobre as rejeições nas diversas pescarias, nos diferentes países.
As futuras normas poderão acabar por ter este efeito, dado que todas as capturas terão de ser registadas. Mas, mesmo entre ambientalistas, há o receio de que o fim das rejeições simplesmente não seja cumprido. "A proibição em si é muito difícil de implementar e pode gerar muitos incumprimentos", avisa Gonçalo Carvalho, coordenador de uma plataforma de organizações não-governamentais portuguesas, a PONG-Pesca.
Manuel Pinto de Abreu reconhece que não será fácil fiscalizar e confia nos próprios profissionais do sector. O secretário de Estado afirma que Portugal é reconhecido por praticar uma pesca sustentável, tendo recuperado recentemente uma certificação internacional da pesca da sardinha. "Não nos venham dar lições de sustentabilidade", diz.
Sustentabilidade da pesca, em todos os sentidos, é o objectivo central da nova política comum europeia. Mas até ontem à noite, havia vários pontos a decidir, deixando no ar até onde irá a sua ambição.
Fonte: Público

Baptismo de mergulho para promover turismo subaquático no Algarve





O secretário de Estado do Turismo trocou o casaco e gravata pelo fato de mergulho e deixou-se afundar nas águas, não muito quentes, junto à Ponta João d’Arens, na costa de Portimão. 

Adolfo Mesquita Nunes teve o seu baptismo de mergulho, seguido pelos olhares atentos dos jornalistas e do presidente do Turismo do Algarve.

Foi uma forma de dar visibilidade ao turismo de mergulho, um nicho de mercado que tem todas as potencialidades para crescer, no Algarve. 

Mas o pretexto da visita de Adolfo Mesquita Nunes é o projeto Ocean Revival, um parque subaquático que resulta do afundamento de antigos navios de guerra da Marinha Portuguesa a cerca de duas milhas da costa de Alvor. 

Fotos: Elisabete Rodrigues/Sul Informação

Crescer para lá da sazonalidade do sol e mar


"O Algarve tem problemas de sazonalidade, depende muito de sol e mar". O diagnóstico saiu da voz do secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, no debate DN Mar, sobre turismo, realizado esta quarta-feira, em Lagos.
Além do governante, participaram no debate Desidério Silva, presidente do Turismo do Algarve, Júlio Barroso, presidente da Câmara Municipal de Lagos, Vítor Neto, presidente da Associação de Empresários da Região do Algarve, e Dália Paulo, directora regional de cultura da região. E todos concordaram no diagnóstico e na solução: uma nova política de promoção, apostando além do verão e do turismo de sol e mar, e mais interligações entre parceiros.
"Importa criar sinergias entre os vários agentes que podem lançar um produto de oferta global", frisou Mesquita Nunes, coadjuvado por Desidério Silva, que assegurou que "o Algarve tem uma capacidade fantástica de se renovar" e conseguirá diversificar a oferta turística graças aos "produtos fantásticos da região". Por exemplo, a cultura, que poderá "fazer a diferença nos meses de Novembro a Fevereiro  (época em que a procura é mais baixa), explicou Dália Paulo.
De resto, o Pais - e, em particular, o Algarve - "tem condições para dar a volta à situação" atual (em que os turistas se vão virando para outros destinos, como a Croácia ou a Turquia), garantiu Vítor Neto. E o optimismo continua a reinar: "Não temos marcas como a Nokia, a Peugeot ou a Mercedes, mas temos sol, praia, cultura, e muito mais para oferecer", completou o anfitrião Júlio Barroso.
As conclusões mais aprofundadas do debate promovido pelo DN - e moderado pelo grande repórter João Céu e Silva - serão publicadas na edição do jornal do próximo sábado, dia 1 de Junho.

Fonte: DN

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Dia do Pescador em Faro


Assinala-se na próxima sexta-feira, dia 31 de maio, o Dia Nacional do Pescador, efeméride instituída em 1997 com o objectivo de sensibilizar para a importância das actividades piscatórias para o nosso país. Faro começou a festejar a data em 2010 e este ano as comemorações terão lugar no dia 1 de Junho (sábado) na Praia de Faro.

As actividades que se realizam em Faro são meramente simbólicas e constam de um almoço convívio entre as comunidades piscatórias da ilha de Faro e do núcleo da Culatra que se vai realizar no polidesportivo da Escola do 1.º ciclo da ilha de Faro. Na ocasião serão também homenageados dois pescadores:  José Salvador dos Santos do núcleo da Culatra e Vergílio Félix, a título póstumo, e que pertencia ao núcleo de pescadores da Praia de Faro.
Para a autarquia assinalar esta data é de elementar justiça num concelho que tem uma base económico-social relevantíssima neste domínio e conhecendo-se as duras condições de trabalho dos pescadores, o envelhecimento dos profissionais da pesca, as formas por vezes bem inseguras em que trabalham, a perda de retribuição que atinge os pescadores sempre que as intempéries surgem ou se considera necessária a criação de períodos de defeso biológicos.
Fonte: AlgarvePress







Candidaturas ao programa PROMAR até dia 31 de Maio


Terminam na próxima sexta-feira, dia 31 de Maio, as candidaturas ao programa PROMAR – Eixo 4 – Desenvolvimento Sustentável das Zonas de Pesca.

O PROMAR apoia investimentos para o desenvolvimento sustentável das zonas de pesca e melhoria da qualidade de vida das comunidades piscatórias, através de ações que visem o reforço da competitividade das zonas de pesca e valorização dos produtos, a diversificação e reestruturação das actividades económicas e sociais e promoção e valorização da qualidade do ambiente costeiro e das comunidades.
A dinamização do programa surge no âmbito da constituição do Grupo de Ação Costeira Além Tejo – GAC Além Tejo, sendo a área de intervenção as freguesias do Litoral Alentejano e da Península de Setúbal.
Os promotores interessados e com intenções de investimento deverão contactar a ADL, através do telefone 269827233 ou a sua delegação em Santiago do Cacém.

Fonte: ANOPCERCO


Divulgação: SinesCat 2013



Está a chegar uma das regatas mais aguardadas do ano!!! Marquem já no vosso calendário o fim de semana prolongado do 10 de Junho, para uns dias fantásticos de Vela em Sines!

O mar é vital para o crescimento - Rui Neto



Essencial para o desenvolvimento e sobrevivência do País, Rui Neto afirma que o mar "é vital" e não pode ser apenas "uma memória dos Descobrimentos". A localização geográfica e "as praias mais bonitas do mundo" são algumas das vantagens apontadas pelo actor que, sublinha, não têm sido devidamente aproveitadas e aponta sugestões: em pequenos cartazes que o actor edifica, pode ler-se "reforcem a nossa frota", "viagens mais baratas", "façam um filme de Os Lusíadas", "mais rotas turísticas", entre outras. Rui Neto deixa ainda um incentivo à ação, ao investimento. "Façam alguma coisa, mas façam."

Fonte: DN

Economia do Mar quer ser 4% do PIB. “Uma meta ambiciosa”


Há que melhorar o que já existe e lançar mãos às actividades emergentes, afirma à Renascença o director-executivo da Oceano XXI. Hoje, começa na Exponor o Fórum do Mar.

A economia do mar quer ser 4% do PIB português em 2020. A meta está inscrita na estratégia nacional para o sector e, apesar de difícil, não desanima. 

“É uma meta que tem alguma ambição”, admite director-executivo da Oceano XXI, Rui Fernandes. 

“A Estratégia Nacional para o Mar, que é um documento recentemente publicado pela Direcção-Geral de Política do Mar, avança que a economia do mar representa cerca de 2,5% do PIB da economia nacional, com cerca de 100/110 mil empregos, em termos de actividades directas. O que é assumido como meta no âmbito da Estratégia Nacional para o Mar é passar para 4% do PIB até 2020”, refere o responsável da co-organizadora do Fórum do Mar, que começa esta quarta-feira na Exponor. 

A indústria conserveira, a da reparação naval e os portos são sectores em expansão, mas que precisam de modernização, indica Rui Fernandes, considerando que, além do que já existe, há que olhar para o que está a emergir. 

“A aposta tem de continuar a ser feita em duas direcções: uma é olhar para o que já existe e tentar qualificar e modernizar. Temos de resolver o problema da construção naval, continuar a apostar na reparação, temos de ver como continuamos a dinamizar as pescas, como é possível pôr a funcionar em Portugal uma verdadeira actividade de aquacultura. Numa outra dimensão e velocidade, é preciso começar a olhar para tudo quanto são actividades emergentes, com grande potencial em termos de valor acrescentado no futuro e que têm a ver com a biotecnologia marinha, a exploração do mar profundo, recursos minerais do solo”, defende, em declarações à Renascença

A Feira Internacional do Porto transforma-se, até sexta-feira, numa espécie de doca-seca de ideias, projectos e empreitadas. 

As melhores conservas são portuguesas Portugal exporta para 70 mercados diferentes e é, num lote de quatro países europeus com indústria conserveira, o único que trabalha para fora de portas. E as conservas portuguesas são consideradas as melhores. 

O crescimento do volume de negócios da indústria conserveira foi de 14,6% em 2012, ano em que exportou mais de 44 mil toneladas de conservas, num total de 186 milhões de euros. 

A curva crescente tem sido uma realidade desde há 10 anos. “É, de facto, uma das explicações para o sector não se ter ido abaixo, como outras” reconhece o director-geral da Associação da Indústria Conserveira, Castro e Melo. 

Ainda com o IVA a 6% e em tempo de crise, notou-se agora o aumento do consumo, não só pela crise, como por razoes de saúde: “Há determinados alimentos que foram redescobertos”, diz o empresário à Renascença

E o produto Gourmet que começa a crescer, tal como o preço do peixe em geral, o que deixa na dúvida se o custo ao consumidor vai aumentar. 

“Tanto a sardinha como o atum aumentaram muito o preço e, portanto, isso deve ser reflectido no preço final. Vamos ver”, afirma Castro e Melo.

Fonte: RR