quarta-feira, 28 de junho de 2017

Sardinha de Aquacultura será mais-valia para a Indústria Conserveira


Também no mar, com a chegada da primavera, os peixes começam a reproduzir-se. Este ano, «a corvina que está nos tanques exteriores começou a pôr ovos dois meses mais cedo» do que é habitual, algo que surpreendeu Pedro Pousão Ferreira, investigador, biólogo e director da Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO).
Ao longo dos últimos seis anos, esta infraestrutura do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem vindo a desenvolver estudos que permitem «a quem quiser produzir corvina em terra, ter a tecnologia bastante dominada. Claro que o conhecimento nunca acaba, está sempre a evoluir, mas o que temos, neste momento, já dá perfeitamente para produzir grandes quantidades, por exemplo, modelando a temperatura da água para que cresça mais depressa».
«O que nos falta mesmo são os investidores. Mas penso que são questões de momento. Quem diria que, de repente, Portugal iria ter este boom de turismo? As pessoas poderiam não querer sair de casa, pelo facto de haver conflitos no Médio Oriente. Mas visitam-nos, porque o país se tornou atractivo», compara.
«Sabemos que no âmbito do Mar2020 os investidores estão a aparecer. Não precisamos de muitos, apenas de dois ou três que invistam a sério» de forma a duplicar a produção nacional de aquacultura.
«As condições estão criadas para isso. Nós respondemos à parte biológica e tecnológica da questão», garante. «Começámos a estudar o linguado em 1985. Na altura, o sector não tinha muito interesse. E agora houve um boom no mercado. Neste momento, já há uma empresa do norte a produzir em circuito fechado e há várias empresas espanholas que arrancaram em força. Em relação ao robalo e à dourada, estamos em fase de afinação», informa o director da EPPO.

Sardinha em aquacultura pode interessar às conserveiras

Questionado sobre a produção de sardinha, uma das espécies que mais preocupações tem dado ao sector das pescas, Pedro Pousão Ferreira reconhece que não tem sido uma prioridade, por limitações de pessoal e de fundos. No entanto, a EPPO é parceira de vários projectos de investigação que passam por «fazer sardinha com uma taxa sobrevivência de x por cento, em y tempo e z densidade nos tanques. Agora é que nos vamos dedicar a 100 por cento.
Engordá-la é bastante fácil, agora a reprodução e o cultivo larval têm algumas dificuldades que nós ultrapassaremos. Já se fizeram testes em anos anteriores. Aliás, quando fizemos corvina pela primeira vez foi difícil e agora é fácil. É uma questão de compreender os peixes e avançar», garante.

«Temos de olhar um pouco mais para a frente. No caso da corvina temos todas as informações para oferecer ao sector privado. Quem quiser investir fará contas para perceber qual o ganho. Neste momento, poderá não se ganhar com a sardinha, mas se calhar daqui por cinco anos, previsivelmente sim, porque o consumo é enorme e o preço vai subir». Sem querer fazer futurologia, o director da EPPO acredita que «é muito provável que daqui a uns anos, dentro dos peixes de aquacultura, a maioria da produção se concentre em duas ou três espécies-charneira. Será 80 por cento corvina, robalo e dourada, e depois um pouco de tudo o resto», prevê. Ainda sobre o valor comercial da sardinha de aquacultura, poderá ser interessante para as conserveiras. «Penso que a indústria conserveira é uma indústria de sucesso. Uma conserva é uma coisa muito prática. Não vejo razão para que não possamos criar peixes, desde que haja uma boa relação preço/ qualidade que satisfaça esta procura. Deixamos a sardinha do mar, em fresco, para assar na brasa e esta para a lata. Podemos não ter preço agora, mas daqui a uns anos, acredito que sim».

Repovoamento de sardinha não resolve escassez no mar

Em 2016, a Estação Piloto de Piscicultura de Olhão libertou 25 mil corvinas ao largo da Armona e também uma grande quantidade de meros, ao largo de Quarteira e Armação de Pêra. «Não estamos apenas a deitar peixe ao mar. Com o mero queremos repovoar locais destinados ao mergulho», já que é um peixe curioso à presença humana. À medida que as condições do mar melhoram e os mergulhadores retomam o desporto, as informações irão chegar à EPPO. «Queremos ver o resultado. Imagine que desapareceram todos, se calhar é porque os libertámos num local muito exposto», explica. Já sobre a corvina, «esperamos ter informação mais amiúde dos pescadores. Imagine que nos dizem que está magra ou muito concentrada ou que não apareceu nenhuma», talvez predada pelos golfinhos. Os resultados ditarão as próximas ações. E não se poderia fazer o mesmo com a sardinha, para repor os stocks no mar?
«Sim, mas teremos de perceber porque é que estamos a repovoar. Se não corrigirmos as causas do desaparecimento, não valerá a pena», diz Pedro Pousão Ferreira, que não culpa apenas a sobrepesca. «Há muitas outras causas. Nós alterámos o planeta. As pessoas têm de meter isto na cabeça de uma vez por todas. Serão também factores ambientais. Nós passamos a vida a deitar lixo para o mar e depois queremos que tudo funcione eternamente. Em vez de fazer sardinhas em cativeiro, e lançar ao mar, se calhar é melhor parar a frota um ano e indemnizar os pescadores para que o peixe se possa reproduzir. Talvez uma melhor gestão pudesse ter mais efeito», conclui.
Fonte: Barlavento

CCMAR é o único parceiro português em dois projectos europeus de Aquacultura


O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é o único parceiro em dois grandes projectos de grande importância na área da Aquacultura no Mediterrâneo, os quais são financiados pela União Europeia, através de fundos H2020, cujos projectos intitulado PerformFISH e MedAID, serão desenvolvidos por equipas do CCMAR, durante os próximos quatro e cinco anos, respectivamente.
A Europa consome actualmente o dobro de peixe que produz, sendo que as importações preenchem esta lacuna, porém, apesar deste facto, a Aquacultura contribui com apenas 20% da produção, empregando directamente cerca de 85 mil pessoas, maioritariamente em zonas costeiras e rurais.
Em contraste com o desenvolvimento observado noutros países mediterrânicos não europeus, a produção em Aquacultura está a estagnar na Europa, sendo este um dos motivos que levou a Comissão Europeia a propor como objectivo o aumento da produção do sector.
PerformFISH
O projeto PerformFISH foca-se no desenvolvimento da produção em aquacultura, orientada para o consumidor, integrando abordagens inovadoras, que ajudem a assegurar a competitividade e sustentabilidade do sector de produção de dourada e robalo, sendo o mesmo coordenado pela University of Thessaly (UTH), na Grécia, tendo um financiamento de sete milhões de euros (Comissão Europeia – H2020). Neste projecto, o CCMAR é um dos 28 parceiros que fazem parte da equipa, oriunda de dez países diferentes.
O kick off do PerformFISH foi dado em Maio, na Grécia, numa reunião onde participaram 72 investigadores e empresários do sector, sendo a participação da indústria um dos focos deste projecto, que junta também associações de produtores da Grécia, Espanha, Itália, França e Croácia.
Com duração de cinco anos o projecto trabalhará para assegurar um crescimento sustentável da indústria aquícola, baseando-se na percepção do consumidor e demanda do mercado, bem como pretende ajudar empresários a operar não só em condições económicas e ambientais ideais, mas também de um modo social e culturalmente responsável.
MedAID
O projeto MedAID (Mediterranean Aquaculture Integrated Development), é considerado projeto irmão do PerformFISH, que arrancou em Maio e tem como objectivo melhorar a produção aquícola no Mediterrâneo e vai desempenhar um papel muito importante na identificação de factores de sucesso para aumentar o crescimento da produção aquícola.
Ao trabalhar lado a lado com a indústria e as partes interessadas no setor, o MedAID vai propor novas práticas, ferramentas inovadoras e soluções práticas para os desafios que é necessário ultrapassar, com vista ao aumento do setor e da produtividade.
O MedAID recebeu um financiamento de sete milhões de euros da Comissão Europeia, através do fundo H2020, o qual é coordenado pelo Mediterranean Agronomic Institute of Zaragoza (IAMZ-CIHEAM) em conjunto com o Institute of Agrifood Research and Technology of Catalonia (IRTA), sendo o CCMAR um dos parceiros, de entre os 30 que participam no projeto, de 12 países diferentes.
Fonte: Região Sul

terça-feira, 27 de junho de 2017

Universidade de Aveiro descobre solução para erradicar plástico no Mar


A chave para o grave problema ambiental dos micro plásticos nos oceanos pode ter sido descoberta na Universidade de Aveiro (UA) e dá pelo nome de Zalerion maritimum. Trata-se de um fungo marítimo que não só consegue degradar o micro plástico como o faz de forma rápida e eficiente. Esta é a primeira solução ecológica alguma vez descoberta para combater os plásticos nos oceanos já que ao optimizar-se o raro apetite do fungo recorre-se a uma solução oferecida pelo próprio mar.
Comum na costa portuguesa e com um habitat espalhado a vários oceanos do planeta, o estudo do apetite do Zalerion maritimum por micro plásticos foi publicado no último número da revista Science of The Total Environment tendo sido destacado pelo editor como um novo campo de investigação. E os dados apresentados pelos investigadores do Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA não deixam margem para dúvidas: isolado em laboratório num ambiente em tudo semelhante ao do mar poluído com micro plásticos, em sete dias o Zalerion maritimum consegue reduzir 77 por cento daquele material.
“As experiências foram efectuadas, em pequena escala, em reactores de 100 mililitros usando um volume de 50 mililitros de meio enriquecido com um mínimo de nutrientes e 0,130 gramas de micro plásticos. Entre 7 a 15 dias foram removidos 0,100 gramas de micro plásticos”, congratula-se Teresa Rocha Santos, a coordenadora do estudo. Este trabalho deu os primeiros passos há um ano atrás pela mão de Ana Paço, então estudante finalista da Licenciatura em Biotecnologia da UA. Os investigadores do DQ e do CESAM, João Pinto da Costa e Armando Duarte, são outros dois membros de uma larga equipa envolvendo outras universidades e centros de Investigação que assinam igualmente este trabalho que é um primeiro passo rumo à biodegradação global dos micro plásticos presentes nos oceanos.
Solução inédita num fungo quase desconhecido
“Este é sem dúvida o primeiro estudo a apresentar estratégias de biorremediação [processo que utiliza organismos vivos para reduzir ou remover contaminações no ambiente] de microplásticos. Portanto este trabalho pode ser considerado um primeiro passo e uma contribuição para a resolução deste problema”, apontam os investigadores.
Em cima da mesa dos investigadores está ainda o estudo das enzimas do fungo envolvidas na degradação dos plásticos e dos mecanismos que lhes permitem operar uma façanha até hoje desconhecido entre os organismos marinhos. Uma vez descobertos os segredos deste fungo, até agora muito pouco estudado entre a comunidade científica mundial, os investigadores antevêem que o Zalerion maritimum possa ser cultivado em massa e utilizado em áreas controladas dos oceanos para efectuarem a despoluição.
Com a produção plástica anual a superar a marca dos 300 milhões de toneladas, lembram os investigadores, “a reciclagem falhou enquanto solução para eliminar os resíduos de plástico que continuamente se acumulam no meio ambiente, nomeadamente nos rios e oceanos” do planeta. Assim, “torna-se maior a urgência de encontrar novas formas de reduzir essa ameaça ambiental”.
De aspecto esponjoso e cor esbranquiçada, o Zalerion maritimum afigura-se como uma solução que junta o útil ao agradável: para além de conseguir degradar os microplásticos, num processo barato e amigo do ambiente, os investigadores antevêem que “a utilização deste fungo evita a introdução de tecnologias sofisticadas no mar já que o organismo ocorre na natureza em águas marítimas, tornando-se assim uma estratégia para a poluição com microplásticos em águas costeiras a nível planetário”.


No mar ou no rio, conheça os seus limites

Os perigos existem, os afogamentos acontecem, todo o cuidado é pouco. Não vire as costas ao mar, frequente praias vigiadas, não subestime as correntes do rio. Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos sobre as principais precauções que devemos ter quando vamos a banhos.


Paulo Tomás de Sousa Costa, Capitão de Mar e Guerra, director do Instituto de Socorro e Náufragos (ISN).



A época balnear já começou e todo o cuidado é pouco: não vire as costas ao mar, olhos bem abertos nos passeios à beira da água, sobretudo na areia molhada, nadar paralelamente ao areal se for apanhado por um agueiro, atenção às correntes dos rios. Não arrisque, não facilite. No caso das crianças, máxima atenção. E frequente sempre praias vigiadas.

Portugal tem 118 quilómetros de praias vigiadas, 482 quilómetros não vigiados, e mais de 5300 nadadores-salvadores certificados, que todos os anos têm uma responsabilidade grande – até ao fim de setembro são esperados 75 milhões de visitas às nossas praias, 63 milhões de portugueses, 12 milhões de turistas.
Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), o Capitão de Mar e Guerra Paulo Sousa Costa, sobre cuidados a ter, vigilância, formação, afogamentos. A instituição, que completou 125 anos em abril, será condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços prestados.
«As pessoas, muitas vezes, arriscam e devem conhecer os seus limites», avisa o Director do ISN. Ir ao mar ou ao rio sabe sempre bem, mas cada pessoa deve conhecer os seus limites. Se sabe ou não sabe nadar. Até onde pode ir. Isso é fundamental. Se o mar não estiver propício a umas braçadas, se as correntes do rio estão fortes, então o melhor é ficar em terra. Não convém arriscar e pôr o pé na água.
Outro aviso: «Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá», diz o responsável. Se há um golpe do mar, se não nada bem ou não se sente confortável na água, é meio caminho andado para um acidente. No caso das crianças, todos os olhos são poucos. Não conhecem os perigos, os pais podem distrair-se, e basta um segundo para irem para a borda de água e serem apanhadas por uma onda. Vigilância permanente nos mais pequenos.
«Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá.»
Nas praias, é preciso especial atenção aos agueiros, essas correntes de retorno perigosas que é conveniente evitar. Se olhar para o mar e localizar uma área em que a água está com uma cor mais acastanhada, é sinal de que há ali zonas de correntes que revoltam a areia. Nesses locais, há fundões, declives maiores, fica-se rapidamente sem pé, é-se puxado pela corrente. «A primeira tendência é começar a nadar contra a corrente para vir para terra, o que é um erro. É preferível descontrair, boiar, deixar-se ir e tentar nadar paralelamente à praia para sair dessa zona do agueiro. Depois de sair dessa corrente pode nadar calmamente para a praia», diz Paulo Sousa Costa. «Muitos dos acidentes mortais nos agueiros acontecem exactamente por isso, porque as pessoas tentam lutar contra a corrente, o que é um erro crasso.»
Outro conselho importante: frequentar praias vigiadas. Sem nadadores-salvadores por perto, está por sua conta e risco. Nos rios, já se sabe, de um momento para o outro, perde-se o pé e a corrente não dá tréguas. Não deve nadar junto às barragens por causa da abertura das comportas que provocam correntes mais fortes e puxam quem estiver na água. E o lodo que se acumula no leito pode ser traiçoeiro. «Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente», avisa o Director do ISN. «É impossível pôr um nadador-salvador atrás de cada pessoa», sublinha.
Portugal tem 899 unidades balneares vigiadas e 281 não vigiadas. São 118 quilómetros de praias vigiadas e 418 quilómetros não vigiados. Há uma portaria que define o início da época balnear, que difere de praia para praia, de zona para zona. No Sul, começa mais cedo normalmente a 15 de maio, no Norte é mais tarde, a 15 de junho (regra geral arranca a 1 de junho), e pode terminar no final de setembro ou esticar um pouco mais. Isto tem uma explicação. «A frequência das nossas praias não é igual em todo o país.»
«Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente.»
Nesta altura do ano, os afogamentos voltam à ordem do dia. O diretor do ISN diz que é preciso tratar bem a informação e perceber do que se fala. «Desde que começou a época balnear, em praias vigiadas temos zero mortes. De facto, morreram vinte pessoas antes da época balnear, desde janeiro até agora.» Ou seja, antes de haver nadadores-salvadores nas praias. No ano passado, na época balnear, morreram quatro pessoas em praias vigiadas e nove em não vigiadas. Há dois anos morreu uma e há três anos também uma em zonas vigiadas. Com 75 milhões de visitas às praias, os números mostram que o sistema funciona, defende o diretor do ISN.
segundo o diretor do ISN Portugal precisa, em números redondos, de cerca de dois mil nadadores-salvadores e tem neste momento 5332 nadadores certificados. As certificações têm a validade de três anos, muitos nadadores são estudantes que exercem a atividade um ou dois verões. Segundo a lei, a contratação é da responsabilidade dos concessionários de praia. Onde não há concessões, não há nadadores-salvadores, embora alguns municípios entendam que ter vigilância nas suas praias é bom para o turismo e asseguram esses serviços.
A lei prevê dois nadadores-salvadores por 100 metros de praia e mais um nadador por cada 50 metros. Ou seja, uma praia com 150 metros tem de ter três nadadores-salvadores. Mas pode haver uma redução deste número. Os concessionários podem juntar-se e proporem um plano integrado de salvamento ao capitão de porto. A proposta é remetida ao ISN que emite um parecer vinculativo. Nalguns casos, é então possível reduzir o número de nadadores-salvadores naquela praia.
Em Portugal, a formação dos nadadores-salvadores é feita em escolas privadas. Para exercerem a actividade têm de fazer o exame específico de aptidão técnica, feito pelo ISN. Se passam recebem o cartão de nadador-salvador e estão aptos.

Mais futuro no (do) Mar


Foi recentemente inaugurado o ECOMARE, uma nova estrutura que traduz uma vontade antiga da Universidade de Aveiro de assegurar condições de investigação com acesso direto ao mar. Sobreleva, em primeiro lugar, o caráter alargado da parceria subjacente à sua construção e funcionamento: Fórum Oceano - Associação da Economia do Mar, Câmara Municipal de Ílhavo, Administração do Porto de Aveiro, Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem, Oceanário de Lisboa, Fundação Oceano Azul, Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Citaqua - Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura e Associação Portuguesa de Aquacultores, de uma maneira ou de outra, estão associados à Universidade de Aveiro neste desígnio. É, ainda, raro ver-se em Portugal uma lógica de rede tão ampla, uma tão grande abertura do meio académico ao que o rodeia e uma tão vasta disponibilidade de entidades tão distintas em se agregarem para um fim comum. Bons indícios, portanto!
Naturalmente que aquilo que constituiu mais notícia foi o Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos e o papel deste, não só no resgate e devolução à natureza de aves, répteis e mamíferos, mas também na investigação, em áreas como a saúde animal ou a ecologia populacional. Por razões que se compreendem, face ao impacto que as questões da sustentabilidade hoje têm, e pelo efeito no imaginário de cada um de nós que a vida selvagem indubitavelmente suscita.
No entanto, não menos relevante é o Centro de Extensão e de Pesquisa em Aquacultura e Mar detentor de capacidades em domínios que vão da Biotecnologia Marinha à Oceanografia e Geofísica, passando pela Energia Offshore, pelas aplicações robóticas navais, pela biodiversidade ou pelos serviços aos ecossistemas. Este Centro, através dos seus laboratórios de uso comum, permitirá acomodar, em paralelo, investigação fundamental e aplicada, cooperação com a indústria, iniciativas de inovação e de incubação de empresas, bem como avaliação económica de actividades ligadas ao mar ou às zonas costeiras.
Caminhamos num século onde o ambiente estará cada vez mais na base do capital económico, onde vão aumentar as práticas de economia circular e o peso do mar em economias crescentemente mais descarbonizadas e mais azuis. Para Portugal, isso apresenta-se como uma oportunidade estratégica face à extensão da linha de costa que possuímos. Ora, para já, representando o mar 97% do nosso território geográfico, a economia marítima fica-se por pouco mais de 3% do nosso Produto Interno Bruto...
Fonte: JN

Por: Manuel António Assunção - Reitor Universidade Aveiro

2E3S.EU organiza curso MOST para portugueses e espanhóis



A Escola Europea de Short Sea Shipping –2E3S.EU irá realizar, entre 21 e 24 de Outubro, o curso MOST - Motorways Of The Sea Training, para profissionais portugueses e espanhóis. Esta é a primeira edição do MOST Iberia, após “o sucesso das mais de 10 edições de seminários dedicados aos profissionais de ambos os países”, refere a 2E3S.EU. Os profissionais dos dois países serão chamados a debater juntos sobre temas de actualidade da logística internacional. As Autoestradas do Mar serão o argumento principal, porém também se analisarão conteúdos de logística intermodal e serviços de transporte marítimo de curta distância. O seminário organiza-se em colaboração com os Shortsea Promotion Centre de Portugal e da Espanha e a European Shortsea Network. Os docentes, experts e profissionais do sector, serão portugueses e espanhóis, o qual assegura uns conteúdos educativos variados e de diferentes perspectivas para os participantes. O curso terá lugar a bordo de um navio Ro-Pax da Grimaldi Lines no trajecto entre Barcelona e Civitavecchia (Roma), uma das autoestradas do mar mais importantes na Europa. Segundo a Escola, existe um número máximo de vagas de 50 pessoas e “as inscrições já estão abertas para uma amplia gama de perfis procedentes do sector do transporte e da logística, incluindo transportadores, gerentes de logística, responsáveis de operações portuárias, agentes marítimos, transitários, etc. Mais do que nunca, a formação oferecerá aos participantes a oportunidade de desenvolver sua rede de contactos, promoverá o networking e ajudará a estabelecer relações sólidas entre experts do sector de Portugal, da Espanha e da América Latina”.

Fonte: Transportes em Revista

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Surf. Morreu Jack O’Neill, inventor do fato de surf


Um verdadeiro ícone no mundo do surf, o norte-americano Jack O’Neill morreu aos 94 anos, de causa naturais, segundo informou a sua família em comunicado, na sua casa em frente ao mar em Santa Cruz, na Califórnia. Conhecido pela sua imagem de marca – uma pala no olho esquerdo, que usava desde que teve um acidente a surfar em 1971 – O’Neill ficou para a História por ter inventado o primeiro fato de surf em 1952. Nesse ano inaugurou também em Ocean Beach, São Francisco, uma das primeiras lojas especializadas em equipamentos para a prática de surf. Com base na sua experiência enquanto piloto da Marinha dos Estados Unidos, nos anos 40, durante a II Guerra Mundial, O’Neill começou a experimentar vários materiais para que os surfistas, como ele, pudessem proteger o corpo das temperaturas mais frias do Oceano Pacífico e poderem manter-se dentro de água durante mais tempo.  Depois de vários ensaios, optou pelo neoprene (que até hoje é o principal material dos fatos de surf) usado pela Marinha americana para produzir coletes salva-vidas. Em 1959 abriu a sua segunda loja de surf em Santa Cruz e juntou ao neoprene um forro interior de nylon, já nos anos 60, tendo sido apenas na década seguinte que apresentou o seu primeiro fato completo de surf, em 1970. Acolhido pela comunidade surfista com desconfiança, rapidamente o fato completo fez sucesso no mercado, sob o mote publicitário: “É sempre verão aqui dentro”. Para promover o seu produto, corria todas as feiras e fazia exibições, vestindo os seus filhos com os fatos de neoprene e fazendo-os mergulhar em água gelada. Oriundo do estado norte-americano do Colorado, o próprio O’Neill garantiu que nem os seus amigos mais próximos acreditaram na sua invenção: “Todos eles me disseram: vais vender cinco fatos a amigos, na praia, e depois vais à falência”, contou a família. Pelo contrário, antes dos anos 80 O’Neill já se tinha tornado num dos maiores designers e produtores de fatos de surf a nível mundial e a marca com o seu nome já estava espalhada pela Austrália, Europa, Japão e outros locais do mundo. Se está a pensar que nunca tinha ouvido falar de de Jack O’Neill até agora é porque se tratava de um homem muito discreto, que raramente dava entrevistas, preferindo surfar, passear na praia ou desenvolver novos produtos na sua oficina. Dos grande ícones do mundo do surf era sem dúvida o menos falado e comentado, refere a revista Surfer no obituário, citado pelo USA Today. “Não ligo muito aos negócios, mas sim ao oceano”, disse ao jornal The San Francisco Chronicle em 2012.